Estudo: diversificar a alimentação dos bebés que amamentam pode ter vantagens

Um estudo realizado por investigadores do King’s College e da Universidade de St George, em Londres, Inglaterra, indica que podem existir benefícios em diversificar a alimentação antes dos seis meses. A Organização Mundial de Saúde é clara e recomenda que outros alimentos, além do leite materno, devem entrar na alimentação do bebé apenas aos seis meses.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselha a que as mães amamentem os seus bebés até aos seis meses vida sem que se inicie a diversificação alimentar até então.

No entanto, vários estudos indicam que há mães que optam por introduzir alimentos sólidos mais cedo. Em Inglaterra, por exemplo, 75% das mães começa aos cinco meses, sendo que 26% diz que esta decisão se deve ao despertar noturno.

De acordo com um estudo publicado no JAMA Pediatrics, os inquéritos feitos aos 1303 recém-nascidos envolvidos mostraram que introduzir na dieta alimentos sólidos – além do leite materno – melhora a qualidade e a duração do sono dos bebés.

O grupo com a introdução precoce dos alimentos sólidos dormiu cerca de um quarto de hora a mais (16,6 minutos).

A comparação foi feita através de dois grupos: o primeiro adotou as «normas» da OMS e seguiu uma dieta apenas com aleitamento materno durante os seis primeiros meses de vida. O segundo, aos três meses, começou a introduzir alimentos sólidos.

Os pais preencheram questionários mensais até ao recém-nascido completar doze meses e, de seguida, até aos três anos, responderam de três em três meses. As questões estavam não só relacionadas com o consumo dos alimentos e a amamentação, como também com a qualidade de vida.

«O sono do bebé afeta diretamente a qualidade de vida dos pais, mesmo uma pequena melhoria pode trazer benefícios muito importantes»

Segundo o JAMA Pediatrics, as evidências maiores surgiram quando os bebés atingiram os seis meses de vida. O grupo com a introdução precoce dos alimentos sólidos dormiu cerca de um quarto de hora a mais (16,6 minutos). O número de vezes que a criança acordara durante a noite também foi menor.

Michael Perkin, um dos autores do estudo, disse em declarações ao Science Daily, que esta é uma pesquisa importante dado que pode aumentar a qualidade de vida dos pais e do próprio bebé. «O sono do bebé afeta diretamente a qualidade de vida dos pais, mesmo uma pequena melhoria pode trazer benefícios muito importantes», referiu o investigador da Universidade de St. George.

«Apesar de a orientação oficial dizer que introduzir os alimentos sólidos não vai fazer os bebés dormir mais à noite, este estudo sugere que este conselho precisa de ser reexaminado», acrescentou também Gideon Lack, líder da investigação.