8 benefícios extraordinários da meditação

Luz do sol. Respirar de alívio. Depois de 17 dias presos na gruta Tham Luang Nang Non, na Tailândia, as 12 crianças e o treinador assistente da equipa de futebol do clube Moo Pa, Ekapol Chanthawon, estão todos a salvo no exterior. Ekapol foi o último a sair e manteve os juvenis unidos até ao final, muito graças à sua calma de ex-monge budista. É que a meditação tem mesmo muito que se lhe diga.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

DESENVOLVE O CÉREBRO

Meditar todos os dias, durante oito semanas, muda-nos literalmente a cabeça, garante Sara Lazar, da Escola de Medicina de Harvard e uma das primeiras neurocientistas a analisar os efeitos da prática no cérebro. Entre elas contam-se maiores quantidades de matéria cinzenta na ínsula e algumas regiões do córtex auditivo e sensorial, o espessamento do hipocampo esquerdo (que intervém na memória, aprendizagem, regulação emocional e cognição) ou a redução da amígdala (associada ao medo e à ansiedade).

RETARDA O ENVELHECIMENTO

Foi a conclusão de uma pesquisa da Universidade de Gestão Maharish, nos EUA, publicada no International Journal of Neuroscience: pessoas que meditavam regularmente aparentavam ter menos 12 anos que a sua idade real, considerando como parâmetros a pressão sanguínea, visão ao perto e capacidade de audição. Também a neurocientista Sara Lazar confirma este benefício ao descobrir praticantes de meditação de 50 anos com a mesma quantidade de matéria cinzenta que jovens de 25.

MELHORA A SAÚDE

Quem o diz é Bob Roth, o guru de meditação transcendental das estrelas de Hollywood: mais de 400 estudos científicos demonstram que a prática potencia o funcionamento cerebral e cognitivo; aumenta a resiliência ao stress (incluindo o pós-traumático); promove o bem-estar emocional e a saúde cardiovascular, reduzindo os riscos associados ao colesterol, hipertensão, sedentarismo e diabetes; atua ao nível de transtornos alimentares, de sono, aprendizagem, bipolares, obsessivo-compulsivos e outros; aumenta a esperança de vida; melhora a recuperação celular, a energia, o humor e a imunidade. Uma pesquisa conjunta do psicólogo Michael Posner e do neurocientista Yi-Yuan Tang acrescenta ainda que meditar muscula a mente, escudando-a contra a doença mental.

DIMINUI A DOR

Em 1979, num retiro de meditação budista, Jon Kabat-Zinn teve uma revelação: e se a prática ajudasse os pacientes a mudarem o foco da atenção na doença para alterarem a sua resposta à dor?, questionou-se o então professor de medicina no Centro Médico da Universidade de Massachusetts, EUA, doutorado em biologia molecular pelo MIT. Ao ver os impactos positivos de se meditar na própria estrutura do cérebro, iniciou um programa de tratamentos baseados na meditação que foram considerados a primeira abordagem sistematizada a ser introduzida no ocidente.

COMBATE A DEPRESSÃO

O programa de Kabat-Zinn é tão eficaz no tratamento da depressão, reduzindo para metade os episódios de recaída, que o Serviço Nacional de Saúde britânico o recomenda como primeira forma de combater a doença. Nas escolas, potencia as capacidades de crianças e jovens ao promover compaixão por si mesmos e pelos outros, bem-estar, decisão, resolução de conflitos, concentração e regulação emocional. Os benefícios comprovados ainda na redução da fadiga, traumas e desenvolvimento da inteligência emocional justificam que a Google ofereça aos seus funcionários o programa Search Inside Yourself (Procura Dentro de Ti) para aumentar a produtividade.

AUMENTA A CONCENTRAÇÃO

Garantem os praticantes que, quando meditam, conseguem aceder a níveis mais profundos de pensamentos, até ao nível da intuição. Tornam-se atentos, focados, resistentes a distrações. No fundo, atestam os resultados da pesquisa levada a cabo pelo departamento de psicologia da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, EUA, segundo a qual duas semanas de meditação bastaram para melhorar a olhos vistos a capacidade de concentração dos participantes.

TRABALHA A MEMÓRIA

Uma outra pesquisa da neurocientista Catherine Kerr, especialista em meditação, descobriu que aqueles que meditam ajustam melhor as ondas cerebrais quando comparados com quem não medita, o que os torna mais capazes de processar emoções, lidar com distrações, aumentar a produtividade e melhorar inúmeras capacidades mentais, incluindo a de recordar e incorporar novos factos rapidamente. Mais: ligam-se aos seus recursos criativos com maior fluidez.

AJUDA AO SONO

Também no sono a meditação faz das boas, a avaliar por um estudo de cientistas da Universidade da Califórnia, EUA, que concluiu que meditar pode mais contra a insónia, fadiga e depressão do que um programa de higiene do sono altamente estruturado. Outro estudo realizado no Northwestern Memorial Hospital, em Chicago, EUA, constatou que um grupo que sofria de insónia crónica chegou a alcançar níveis de sono profundo próximos do saudável, após ser submetido a práticas diárias de meditação durante dois meses.