10 lições poderosas do taekwondo a adotar na vida (e valem mesmo para tudo)

Taekwondo – O Caminho dos Pés e das Mãos José Romano

O método foi criado para treino militar, mas é também do melhor se aplicado à educação de crianças e jovens, na gestão de recursos humanos, em estratégias empresariais e políticas, ao nível das organizações e do Estado. Quem o diz é o mestre José Romano, autor de Taekwondo – O Caminho dos Pés e das Mãos. Ter êxito na vida não implica renunciar à saúde nem à felicidade. Sejamos, ou não, praticantes.

Texto DN Life

OBJETIVOS
O combate, no taekwondo, é uma metáfora para as metas que nos propomos cumprir, e é para elas que o praticante se prepara – tal como cada um de nós faz a cada instante, todos os dias, aceitando que com o crescimento aumenta a responsabilidade. A primeira lição é conhecermos a nossa força de caráter e vontade, os nossos potenciais e limites, para darmos o nosso melhor em qualquer missão que nos propomos realizar. Seja a escrever um relatório, a orientar uma reunião de trabalho ou a ter aquela conversa franca com o seu filho.

COLETIVO
Acima do individual e das lutas de egos, o mais importante na Ásia é o sucesso do grupo. Cada pessoa cumpre as regras estabelecidas e desempenha com brio, honestidade e respeito pelos outros o papel que lhe foi atribuído, contribuindo orgulhosamente para o bem comum. Também no taekwondo não há estrelas nem craques, sobredotados ou coitadinhos: existe, sim, um caminho a percorrer, cada praticante com o seu. Devemos replicar esses valores em quaisquer áreas da vida.

AUTOCONFIANÇA
De cada vez que o praticante consegue desempenhar uma nova tarefa obtém uma vitória. E quanto mais simples essas tarefas se tornam com o tempo – à custa de estudo, repetição, muito treino –, maior é a corrente de pequenos sucessos que aumentam a autoconfiança do praticante. Acredite em si, nas suas capacidades. No facto de o mestre aparecer quando o aluno está preparado para aprender, quer no taekwondo, quer em qualquer outra área. Problemas e coisas más acontecem, mas nós somos capazes.

AGRESSIVIDADE
Ao contrário do que se passa em casa, na escola ou na rua, o taekwondo permite atacar e ser atacado dentro de um código de conduta muito rigoroso, que expõe cada praticante à sua própria verdade, deixando-o libertar as pulsões mais primitivas no ambiente controlado do dojang para garantir que não vai agredir ninguém no exterior. Violência nunca é solução, apenas um escape responsável.

CONDUTA
No treino, os praticantes habituam-se a identificar e respeitar limites. Trata-se de balizas comportamentais de liberdade e criatividade, à semelhança das regras de socialização com que lidamos desde crianças, as quais condicionam a nossa conduta e as relações com os outros. Assim se aprende a enfrentar aos poucos o adversário (temos alguns bem mais agressivos fora dali), a gerir o stress do confronto e a canalizar a vontade politicamente incorreta de dar uns socos em quem nos irrita.

RESILIÊNCIA
Por vezes, a vida atinge-nos com mais emoções negativas do que as que julgamos ser possível suportar, mas se tudo acaba rapidamente – um combate ou essa crise por que está a passar agora – para quê entrar em desespero? Falhanços existem para nos moldar e dar-nos a conhecer a matéria de que somos feitos, mesmo que por vezes levemos uns pontapés que nos abalam. Perceber como podemos melhorar com os erros (e levantar-nos após uma derrota) faz-nos evoluir como pessoas.

EQUILÍBRIO
Já imaginou um lutador em baixo de forma, a perder o fôlego nos combates ou a ficar com dor de burro por correr de um lado ou outro do dojang? O taekwondo fortalece as aptidões físicas, sociais e afetivas, trabalha a coordenação motora, desenvolve a autodefesa, apura a inteligência emocional e a cooperação com o grupo – a definição de saúde integral por excelência, fundamental em todas as esferas público-privadas. Há que muscular para não perder.

CENTRO
Podemos facilmente descontrolar-nos e ficar encostados à linha limite periférica, sem grande margem de manobra, mas aí os praticantes ensinam que mais vale respirar fundo, apelar à calma e então tentar novas opções até voltar à área central do tatami, onde guardam todas as hipóteses de movimento. Pessoas otimistas responsabilizam-se sempre pelo que lhes acontece e focam-se nos pequenos passos que está ao seu alcance darem para recuperar.

ESQUIVAS
Há sempre duas formas de se lidar com uma situação difícil no dojang: à bruta, encarando o adversário de frente sem se desviar um milímetro do objetivo, ou esquivando estrategicamente para mudar de posição sem que o oponente esteja a contar com esse nosso movimento, o que nos permite evitar o ataque e responder à altura. Lição a reter: se uma situação lhe parecer perdida a dada altura, a esquiva não é uma fuga. Quando muito um desvio tático a ter em consideração, de tão útil.

CONTRA-ATAQUE
É o movimento tático por excelência do taekwondo, dado que oferece a vantagem de apanhar o adversário desequilibrado depois do ataque que acabou de desferir, aumentando as nossas próprias hipóteses de êxito. Como na vida, nem sempre ganha quem tem mais músculos ou uma maior propensão para cilindrar os oponentes. Há muitos momentos em que conseguir surpreender o outro vence a força.

Taekwondo – O Caminho dos Pés e das Mãos

TAEKWONDO – O CAMINHO DOS PÉS E DAS MÃOS
José Romano
Ed. Nascente
208 páginas
15,49 euros