12 questões sobre a reciclagem a que nem todos sabemos responder (e devíamos)

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Hoje é Dia Internacional da Reciclagem. E como continua a haver muitas dúvidas, deixamos 12 perguntas para os consumidores tentarem responder. E podíamos acrescentar uma 13.ª: sabe exatamente o que fazer para reciclar?

Em Portugal, só em 2017, foram produzidos mais de cinco milhões de toneladas de resíduos urbanos. Os dados são da Agência Portuguesa do Ambiente e fazem-nos pensar que garantir a preservação do planeta depende de pequenas atitudes diárias que, no final, fazem uma diferença formidável – a começar por saber separar os resíduos em casa para que a reciclagem os possa transformar noutros materiais

Só o Eletrão – Associação de Gestão de Resíduos é responsável por encaminhar para reciclagem equipamentos elétricos, pilhas, acumuladores e embalagens, gerindo uma rede de recolha de mais de 3500 locais dispersos pelo país. Em 13 anos já orientou para tratamento e valorização qualquer coisa como 430 mil toneladas de resíduos, que assim regressam à cadeia de produção para novos produtos.

1. Como separar bem os resíduos?
A correta separação e colocação no respetivo contentor é essencial para garantir que os resíduos são recolhidos, primeiro, e depois encaminhados para diferentes processos de transformação, tendo em vista a recuperação e reciclagem dos materiais que os constituem. Aqueles que produzimos em nossas casas devem ser encaminhados para os seguintes contentores: ponto eletrão (para os equipamentos elétricos usados); ponto eletrão de lâmpadas e pilhas; ecoponto azul (papel e cartão), ecoponto verde (vidro) e ecoponto amarelo (plástico e metal).

2. Que resíduos podem ser separados?
Mais de metade dos resíduos que produzimos podem ser reciclados, contudo é importante saber ao certo quais devemos separar. E são eles: equipamentos elétricos usados – varinhas, aspiradores, computadores, televisões, ares condicionados, termoacumuladores, secadores, escovas de dentes elétricas, telemóveis, etc. –, equipamentos de iluminação e lâmpadas usadas – fluorescentes compactas e tubulares, de halogéneo, LED –, pilhas e baterias usadas – todos os tipos, incluindo baterias de telemóvel e computador –, vidro – garrafas de bebidas e frascos em geral (de molhos, condimentos, perfumes e outros) –, plástico (garrafas de refrigerantes PET [politereftalato de etileno], embalagens de produtos de limpeza e higiene pessoal, copos de café, embalagens plásticas de alimentos, sacos de plástico –, metal – latas de bebidas, conservas, etc. –, papel e cartão – caixas de papelão, caixas de cereais e bolachas, cartão envolvente de iogurtes e outros.

3. Para quê reciclar se não podemos fazê-lo indefinidamente?
Porque não só se pode reciclar várias vezes muitos dos resíduos como alguns em particular, por exemplo o vidro e os metais, podem ser continuamente transformados sem que se perca qualidade. Também o papel pode ser reciclado inúmeras vezes antes de as fibras ficarem demasiado danificadas.

4. Até que ponto a reciclagem beneficia o ambiente?
Ao reciclarmos garantimos o tratamento minucioso dos resíduos e a remoção segura de todas as substâncias perigosas para o ambiente e a saúde humana. Assegura-se ainda a recuperação de materiais cuja disponibilidade na natureza começa a escassear – promovendo a economia circular – e uma redução da quantidade de resíduos que são colocados em aterro. Já para não falar de que, como atividade económica sustentável, ajuda a criar empregos.

5. É mais caro reciclar ou usar as matérias-primas diretamente da natureza?
Fica muito mais barato reciclar, já que permite diminuir o consumo de recursos virgens ao mesmo tempo que reduz o consumo de energia nos processos de preparação dos materiais. Por exemplo: recuperar 10 quilos de alumínio a partir da reciclagem de equipamentos elétricos consome apenas 10% da energia que seria necessária para a sua produção a partir de minério virgem. Além disso prevê-se que as reservas de índio (essenciais ao fabrico de ecrãs LCD) desapareçam num prazo de sete anos, enquanto as reservas de chumbo, alumínio e fósforo deverão esgotar-se num prazo máximo de 20 anos.

6. Uma vez que as lâmpadas são de vidro, devem ir para o ecoponto verde?
As lâmpadas contêm mercúrio, que pode prejudicar gravemente o ambiente e a nossa saúde. Se as colocarmos no ecoponto verde estaremos a contaminar todo o vidro desse vidrão e inviabilizar, assim, a sua reciclagem. As lâmpadas devem ser colocadas no ponto eletrão de lâmpadas para garantir que a eliminação do mercúrio é feita em segurança.

7. É necessário lavar as embalagens?
Não. Apenas têm de ser escorridas e, se for o caso, remover-se os restos de comida do seu interior.

8. No ecoponto azul podemos colocar lenços de papel e guardanapos?
Não. Contrariamente ao que muita gente pensa (e faz), lenços de papel e guardanapos sujos devem ser colocados no lixo comum.

9. E onde colocar os pacotes de leite vazios?
Os pacote de leite, sumo e quaisquer outras embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL) devem ser colocados no ecoponto amarelo.

10. Tampas de plástico podem ir para o ecoponto amarelo?
Sem dúvida. Juntamente com as respetivas garrafas plásticas, de resto.

11. A madeira também é reciclável?
É. E as embalagens de madeira (como as das caixas de morangos, por exemplo) devem ser depositadas no ecoponto amarelo.

12. Depois de separarmos os resíduos em casa eles vão misturar-se no camião de recolha?
Quando os resíduos da recolha seletiva são colocados no mesmo camião isso significa que ele é bicompartimentado, respeitando a separação que já foi feita. Pode ainda acontecer que o mesmo camião seja utilizado apenas na recolha de papel e cartão num dia, e na de embalagens de plástico e metal no dia seguinte.