20 formas de aliviar as preocupações e a confusão

Começa uma nova semana, de férias ou de trabalho, e com ela as preocupações e a confusão que nos enchem os dias, por mais que queiramos fazê-las desaparecerem. O livro Zen – A Arte de Viver Simplesmente, de Shunmyo Masuno [Lua de Papel], sumo-sacerdote de um dos mais antigos templos do Japão, promete ajudar, nisso e em muito mais.

Texto DN Life

São 100 as práticas diárias que Shunmyo Masuno, monge japonês e celebridade da filosofia zen, aconselha para uma vida calma e feliz.

As 30 primeiras, se conseguir aplicá-las ao seu dia a dia, prometem dar mais energia ao seu “ser presente”.

Seguem-se outras 30 que têm como objetivo inspirar confiança e coragem de viver e que dependem de conseguir ver as coisas de uma perspetiva diferente.

As últimas 20 guiam-no através da experiência se estar atento ao momento presente e assim tornar um dia o melhor dos dias.

Mas aquelas que nos retiveram a atenção foram as que compõem a terceira parte do livro: as 20 formas de aliviar as preocupações e a confusão, mudando a forma como interagimos com os outros. De entre as 20, escolhemos as que nos pareceram mais relevantes e que esperamos que contribuam para dias mais tranquilos e proveitosos.

De acordo com Shunmyo Masuno, o ponto de partida para se sentir satisfeito com a vida é servir os outros e praticar o desapego. Se sentirmos que contribuímos para a felicidade de quem nos rodeia, somos mais felizes, diz o monge budista, que garante que a confusão e as preocupações provêm sobretudo de uma incapacidade de aceitarmos que o mundo está constantemente a mudar e de uma crença – ou esperança inconsciente – de que nós e as nossas posses, bem como as pessoas que nos rodeiam, permanecerão sempre. É aqui que entra a importância de praticar o desapego.

E apesar de ser tão óbvio, esquecemo-nos de agradecer muito mais do que deveríamos. Daí que Shunmyo Masuno chame a atenção para a importância de integrar este exercício tão simples no nosso dia-a-dia.

Livrar-se dos três venenos é o passo seguinte. São eles a ganância, a raiva e a ignorância, que, enquanto permitirmos que nos controlem, não nos deixarão encontrar a paz. Por isso, quando sentir que está a ser tomado por um destes sentimentos negativos, deve tentar acalmar a mente, regulando a respiração, para impedir que os problemas se instalem. Se conseguir fazê-lo, alcançará a liberdade e a tranquilidade necessárias a uma vida mais plena.

Cultivar a consciência da gratidão, reconhecendo, e agradecendo, os que os outros fazem por nós, é fundamental. E apesar de ser tão óbvio, esquecemo-nos de o fazer muito mais do que deveríamos. Daí que Shunmyo Masuno chame a atenção para a importância de integrar este exercício tão simples no nosso dia-a-dia.

Mais gestos e menos palavras é outro dos conselhos do mestre japonês que evoca, para ilustrar a ideia de que em vez afirmarmos o que sentimos, devemos mostrá-lo através de ações, uma prática comum na sua cultura: o uchimizu, que consiste em borrifar com água o lado de fora de um portão quando se espera visitas, purificando a entrada da casa e fazendo os convidados sentirem-se bem-vindos. “Quando se trata de transmitir as nossas verdadeiras intenções, as ações falam mais alto do que as palavras”, diz Masuno.

Hoje, parece que as pessoas só querem saber de relações superficiais. Quanto mais conhecidos tiverem, melhor. Mas, segundo Shunmyo Masuno, é mais enriquecedor construir uma só relação significativa do que amontoar cem ligações sem substância.

Ver as qualidades dos outros, sobretudo quando as falhas deles se tornam evidentes é também um ensinamento que devemos introduzir nas nossas práticas diárias. “Tanto nos jardins como nas relações pessoais, o fundamental é a harmonia”, diz o mestre zen, mais uma vez recorrendo a imagens da cultura japonesa para explicar o seu ponto de vista. Como fazemos com as árvores num jardim, para as pormos em harmonia, devemos, nas relações entre as pessoas, reconhecer a nossa própria individualidade e a dos outros para nos darmos bem. Isto não quer dizer que tenha de se adaptar aos outros, mas, concentrando-se nas suas qualidades, pode criar uma bela relação.

Para isso, é importante seguir o conselho seguinte, “aprofunde a sua ligação com alguém”. Hoje, parece que as pessoas só querem saber de relações superficiais. Quanto mais conhecidos tiverem, melhor. Mas a verdade, segundo Shunmyo Masuno é que é mais enriquecedor construir uma só relação significativa do que amontoar cem ligações sem substância.

Aprenda a agir na altura certa, não sendo demasiado apressado nem demasiado descontraído. Há uma expressão japonesa, sottaku doji, que quer dizer “bicar simultaneamente por dentro e por fora”, usada para descrever o que acontece quando o ovo está a eclodir. É uma situação delicada que mais uma vez Masuno usa para ilustrar o que pretende dizer: se a galinha partir a casca antes de o pintainho estar completamente formado, este morre. Por isso, tem de escutar atentamente o som das bicadas do filhote e decidir quando é altura de bicar por fora para o ajudar a romper a casca. Simples, não?

A ideia de que temos de nos dar bem com todos ou que temos de ser amigos de alguém só nos atrapalha. Ficamos presos naquela ideia de querermos que gostem de nós e isso só cria tensão.

Não tão simples como parece, daí a necessidade de atenção. O que também não é simples é o conselho seguinte: não sinta necessidade de que todos gostem de si (“isto aplica-se inclusivamente a monges zen”, escreve Shunmyo, com humor). A ideia de que temos de nos dar bem com todos ou que temos de ser amigos de alguém só nos atrapalha. Ficamos presos naquela ideia de querermos que gostem de nós e isso só cria tensão. Liberte-se, não se esforce demasiado, deixe as coisas acontecerem naturalmente.

Outro importante ensinamento é este: não fique obcecado com o que é certo ou errado. Se insistir no branco e no preto, vai perder a beleza do cinzento (e de todas as outras cores, acrescentamos nós). Aquela ideia de que no meio é que está a virtude e de o meio-termo pode ser a opção mais sensata não é totalmente descabida. E praticá-lo é um caminho para a tolerância.

Não pense em termos de perder e ganhar. Esse tipo de pensamento só empata e impede de avançar. Não pensar nesses termos irá aliviar muita da pressão nas suas relações.

Veja as coisas como elas são. Para o fazer é preciso muito trabalho para não deixar que os nossos afetos e desafetos influenciem a forma como olhamos o mundo, as pessoas e as situações. É difícil, mas é necessário se quisermos agir com a justiça e a correção que nos trazem tranquilidade.

Aprenda a desapegar-se. “Não ligues” também é sabedoria budista. As palavras são importantes, mas mais importante é não nos deixarmos afetar por elas. No trabalho ou em situações sociais há alturas em que nos sentimos magoados por palavras que nos são dirigidas. Os comentários negativos deviam ser, no entanto, ser esquecidos rapidamente e podemos fazer isso se não lhes ligarmos. Diz-se da mente zen que fica “impávida mesmo quando os oito ventos sopram”. Tentamos manter-nos imperturbáveis, independentemente da situação – e até ficarmos calmos e de bom humor. Experimente libertar-se do apego às coisas. Não se apegue às palavras. Para viver livremente, precisa se conseguir uma mente descomprometida.

Não pense em termos de perder e ganhar. Esse tipo de pensamento só empata e impede de avançar. Não pensar nesses termos irá aliviar muita da pressão nas suas relações. E fá-lo-á sentir-se mais leve.

Não se deixe influenciar pelas opiniões dos outros. Este é o segredo para se livrar da confusão. A determinação implica termos a capacidade de confiar em nós mesmos.

Não se deixe enredar por meras palavras. Este conselho está relacionado com outro mais acima, que pressupõe que as ações dizem mais que as palavras. Neste caso, trata-se de ouvir não só com ouvidos, mas sobretudo com a mente, aquela que lhe permite empatia. Ou seja, mais do que ouvir o que os outros dizem, é importante interpretar o que sentem. O que, parecendo que não, nos leva ao próximo conselho.

Não se deixe influenciar pelas opiniões dos outros. Shunmyo Masuno considera que este é o segredo para se livrar da confusão. A determinação implica termos a capacidade de confiar em nós mesmos. Ou seja, os outros (e a sua opinião) são importantes, mas em última análise só você deve ser responsável pela construção e definição dos seus pensamentos, ideias, pontos de vista. E por uma vida mais feliz.

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