Existem 22 níveis de maldade, segundo esta escala

escala da maldade

Desenvolvida pelo psiquiatra forense americano Michael Stone, a Escala da Maldade mede o lado mais negro do ser humano. Que todos nós temos, de resto.

Texto de Ana Pago

Por cá, também o jornalista Hernâni Carvalho usou os critérios estabelecidos por Stone – motivo, método e crueldade – para conceber o seu próprio Índice da Maldade com os criminosos que horrorizaram os portugueses: Renato Seabra, Rei Ghob, Manuel Palito, o Monstro de Beja, o Estripador de Lisboa e tantos outros.

«Esta é provavelmente a característica humana menos conhecida e a que mais intriga as diversas comunidades científicas», admite o autor, doutorado em psicologia forense com uma pós-graduação em neuropsicologia.

«É um traço da natureza humana observado até em pessoas consideradas boas e decentes. A maldade é-nos intrínseca», sublinha.

1. PESSOAS QUE MATAM EM DEFESA PRÓPRIA
Cometem homicídio, sim, mas só em legítima defesa e sem apresentarem traços de psicopatia.

2. PARCEIROS QUE MATAM POR CIÚMES
Aqui se incluem os ciumentos que matam alguém (cônjuge ou amante) no calor do momento. São crimes passionais, que apenas ocorrem uma vez por descontrolo passional e não porque o criminoso seja um psicopata assassino.

3. CÚMPLICES VOLUNTÁRIOS DE ASSASSINOS
Regra geral trata-se de pessoas impulsivas, com fortes traços antissociais e personalidade distorcida.

4. MATAM EM LEGÍTIMA DEFESA
Com a agravante de terem provocado a vítima ao extremo para que isso ocorresse, o que torna o requinte de malvadez muito diferente do verificado no primeiro nível.

5. PESSOAS DESESPERADAS E TRAUMATIZADAS
É verdade que tiraram a vida a alguém, quase sempre motivadas por uma situação de angústia ou por traumas que sofreram no passado. Seja como for, costumam mostrar remorso genuíno e não são psicopatas.

» Um caso conhecido em Portugal foi o de Susana Pereira, a mulher vítima de depressão profunda que se atirou ao rio com o filho ao colo em 2017. Carlinhos vivia com medo do pai agressivo e a mãe, num impulso em que ficou desligada da realidade, lançou-se à água por achar que assim estaria a salvá-lo da dor.

Psico, de 1960, é o filme mais revolucionário de Alfred Hitchcock. Foi inspirado no caso real do criminoso Ed Gein.

6. ASSASSINOS DE CABEÇA QUENTE
Que é como quem diz que matam por impulso num momento de raiva, mas sem que haja características psicopáticas nem premeditação.

7. NARCISISTAS PSICÓTICOS
Julgam-se melhores do que qualquer um com quem se cruzam e não têm problemas em matar pessoas que lhes são próximas por dá cá aquela palha.

8. ASSASSINOS COM RAIVA LATENTE
Ainda não são psicopatas, mas guardam um ressentimento profundo e perigoso contra tudo e todos. A mínima provocação basta para inflamar essa raiva e fazer com que matem.

» Quem não se lembra de Manuel Baltazar, o homicida de Valongo dos Azeites que viveu 34 dias no mato, a monte, em maio de 2009? Violento e obcecado pela ex-mulher, o homem conhecido como Palito feriu-a e à filha de ambos com tiros, além de balear mortalmente a ex-sogra e uma tia. Sem nunca aceitar a separação de Maria Angelina, ameaçava todos os familiares, amigos e até os filhos que a defendessem.

9. AMANTES CIUMENTOS
E violentos. E já com traços incontestáveis de psicopatia. A partir deste nível, a crueldade revela claros sinais de psicopatia recorrente. E vai sempre aumentando.

» Um caso mediático foi o da socialite californiana Betty Broderick, que por raiva infernizou a vida do ex-marido e da nova mulher, Linda Kolkena, até ao dia em que lhes invadiu a casa e matou ambos a tiro enquanto dormiam. Em Portugal deu que falar o caso de Mário Silva, que em 2013 esfaqueou e cortou o pescoço à ex-mulher por ciúmes numa rua de Chelas. Nunca se mostrou arrependido.

10. NÃO PSICOPATAS QUE MATAM O QUE ENTENDEM SER OBSTÁCULOS A UM OBJETIVO
São extremamente frios e egocêntricos, porém não claramente psicopatas.

» Em julho de 2016, em Chaves, eram acusados de homicídio qualificado Sónia Mendes, de 32 anos, e Miguel Brito, o amante de 19 com quem espancou, estrangulou, queimou com gasolina e enterrou no quintal um jovem de 14 anos, Tiago Gonçalves. Ao que parece, o casal assassinou-o para ocultar o estilo de vida criminoso que levava e não revelar a sua identidade.

11. ASSASSINOS QUE MATAM GENTE NO SEU CAMINHO
Até podem ser familiares ou amigos próximos, a eles tanto se lhes dá. Definitivamente, neste nível estamos a lidar com psicopatas.

» Foi um triplo homicídio que chocou o país também em 2016: o brasileiro Dinai Gomes matou Michele, Lidiane e Thayane na Quinta do Monte dos Vendavais onde trabalhava, em Tires, Cascais, e desfez-se das três mulheres (e do bebé que Michele esperava) na fossa dos dejetos dos animais. Tudo para poder continuar a sua vida sem chatices e sem ser exposto.

Em Seven – 7 Pecados Mortais, dois detetives dão caça a um assassino em série que usa os sete pecados capitais como desculpa para matar.

12. PSICOPATAS SEDENTOS DE PODER
Megalomaníacos, matam quando se sentem ameaçados ou encurralados por algum motivo.

» Fundador e líder do culto Templo dos Povos, na Guiana, o norte-americano Jim Jones ficou para a história como o pastor do diabo. E não é para menos, após ter forçado um suicídio coletivo em que foram envenenadas com cianeto mais de 900 pessoas da comunidade religiosa que dirigia, incluindo 304 crianças.

13. ASSASSINOS DE PERSONALIDADE BIZARRA E VIOLENTA
Parecem estar sempre em crise, cheios de raiva contra o mundo e dispostos a matar num desses acessos inqualificáveis de fúria.

» A 29 de março de 2012, o Tribunal de Torres Vedras condena Francisco Leitão, o homem conhecido como Rei Ghob, a 25 de anos de prisão pelos homicídios de três jovens (Joana, Tânia e Ivo) no castelo grotesco que construiu a partir de um barracão agrícola na Carqueja, Lourinhã. Matou as vítimas como punição por não aceitarem manter-se sob o domínio da sua fantasia narcísica.

14. EGOCÊNTRICOS QUE MATAM EM BENEFÍCIO PRÓPRIO
Cruéis, autocentrados e manipuladores, são capazes de planear esquemas elaborados, montá-los e matar por eles apenas para se beneficiarem a si mesmos.

15. MÚLTIPLOS ASSASSINATOS
Estes psicopatas não só elaboram os seus homicídios a sangue-frio, como chegam a cometer matanças desenfreadas e retiram delas o máximo prazer.

» Como forma de fechar um ciclo contínuo de agressões, violência e mentiras que durou anos, o Monstro de Beja (Francisco Esperança) matou a família – mulher, filha e neta de 4 anos – e os animais (cão e pássaros) à catanada. Depois prosseguiu com a sua vida como se nada fosse.

16. ATOS REPETIDOS DE VIOLÊNCIA
E como se não bastasse, tudo isto é refinado com episódios recorrentes de violência extrema, em intervalos longos.

Os sete pecados mortais: orgulho, inveja, avareza, ira, luxúria, gula e preguiça.

17. ASSASSINOS EM SÉRIE COM PERVERSÕES SEXUAIS
O principal estímulo destes psicopatas é a violação das vítimas, que matam em seguida de forma esconderem indícios que possam conduzir até si.

» Em criança, o famoso serial killer Ted Bundy torturava animais e sofria de bullying na escola, onde se revelou um ótimo aluno com apetência para a psicologia e aprendeu a melhor forma de abordar as suas vítimas – sempre mulheres jovens que atraía em parques e estabelecimentos de ensino. Então empurrava-as para o carro, algemava-as, agredia-as violentamente e violava-as antes de as estrangular. O Anjo da Morte foi condenado à pena de morte pelos mais de 30 homicídios que cometeu.

18. ASSASSINOS TORTURADORES
Nestes casos é o homicídio a principal motivação dos criminosos, que se comprazem em torturar as suas vítimas por um período de tempo relativamente curto antes de matá-las.

» Outro assassino em série americano conhecido pelos requintes de malvadez foi Jerome Brudos, que torturava sempre as mulheres que apanhava (ele próprio vestido de mulher) antes de matá-las, calçar saltos altos e satisfazer-se sexualmente. Além do fetiche por sapatos femininos e roupa interior que tirava às vítimas, Brudos guardava outros troféus: o pé esquerdo da primeira mulher morta, que usou como modelo para o calçado que roubava, e dois pares de seios amputados que serviam como pisa-papéis.

19. PSICOPATAS TERRORISTAS SEM ASSASSINATO
Não só fazem terrorismo como intimidam, subjugam e estupram as suas vítimas com requintes de sadismo. No entanto, não chegam a tirar-lhes a vida no final.

» É o caso do Violador de Telheiras, Henrique Sotero, que durante dez anos violou, sequestrou e roubou as suas vítimas, muitas das quais menores de idade, pelo prazer de torturá-las, subjugá-las e estuprá-las. Sotero contava com o medo delas para atacar de cara destapada. Ao ser apanhado, confessou a autoria de 40 violações na região de Lisboa.

20. ASSASSINOS TORTURADORES COM PERSONALIDADES PSICÓTICAS
É essencialmente isto que distingue o nível 20 do 18: a tortura incita os criminosos, mais do que o próprio homicídio, mas são considerados indivíduos doentes que sofrem de psicoses distintas e, como tal, não responsáveis pelos seus atos.

Em O Silêncio dos Inocentes, Anthony Hopkins é Hannibal Lecter, um condenado a prisão perpétua por homicídio e canibalismo.

21. TORTURADORES EXTREMOS
Aqui os psicopatas não matam quem lhes vai parar às mãos, embora se certifiquem de que a pessoa sofre a sério, sujeita a tortura extrema até aos limites do que é humanamente possível aguentar. Ah, e não matam por terem pena, mas para poderem repetir o ato.

» Foi isso que fez o sádico norte-americano Cameron Hooker, um serralheiro de personalidade psicopática descompensada, ao raptar a jovem Colleen Stan, de 20 anos, quando viajava à boleia na primavera de 1977. Ajudado pela mulher, Janice Hooker, Cameron manteve Colleen prisioneira durante sete anos, trancada a maior parte do tempo num caixão de madeira por baixo da cama onde o casal dormia, além de submetê-la a violações e tortura. Janice acabou por ajudá-la a fugir quando o marido anunciou que queria mais escravas sexuais além daquela.

22. PSICOPATAS TORTURADORES ASSASSINOS
É o passo seguinte do nível anterior – e o último da escala –, em que o criminoso tortura violentamente as vítimas por um longo período de tempo e depois acaba com elas sem dó nem piedade. Na maior parte dos casos, o crime tem uma motivação sexual por trás, ainda que inconsciente.

» Tornou-se um dos casos mais frustrantes para a investigação criminal portuguesa por nunca se ter chegado a saber quem foi o Estripador de Lisboa, comparado a Jack, o Estripador quando matou três prostitutas da forma mais hedionda possível, entre 1992 e 1993, e desapareceu. Todas pequenas, franzinas, seropositivas, toxicodependentes, morenas e de nome Maria, as vítimas foram evisceradas e estripadas ainda vivas, estranguladas no local onde trabalhavam e retalhadas. É considerado o serial killer mais maligno do país.