A tentar emagrecer? Estes são os 5 pensamentos que mais sabotam a linha

É sempre assim mal o calor aperta: tentamos mil dietas que prometem um corpo perfeito em sete dias. Bebemos água como se não houvesse amanhã. E de caminho, já que estamos embalados, só saímos do ginásio depois de uma aula de zumba, body pump e pilates. Então, por que raio não conseguimos emagrecer? Talvez seja por isto.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

«É SÓ HOJE»

Trata-se do pensamento clássico de quem passa uma semana a comer ananás, fixado em perder peso e mais nada, e de repente já só pensa em fazer asneiras por não aguentar mais tempo as restrições. E isto quando a criação de hábitos saudáveis é sempre mais importante que a mera perda de peso, feita sem que haja uma reeducação alimentar por detrás, avisa a coacher em psicologia alimentar Magda Gonçalves, autora do livro Vencer a Batalha com a Comida (ed. Matéria-Prima). «A desculpa de que “é só hoje” apenas verbaliza a nossa falta de consciência de que comer as nossas coisas preferidas com controlo, planeando, reduz drasticamente a necessidade de nos excedermos.»

«UMA PESSOA TEM DE SE ALIMENTAR»

Sem dúvida. A questão é saber se estamos conscientes das ligações que existem entre a mente, o corpo, a alimentação e a forma como o metabolismo é influenciado pelos aspetos emocionais, sociais e culturais da vida. «A fome como sinal de que o corpo necessita de nutrientes é diferente da fome emocional», diz Magda Gonçalves, cujo trabalho passa muito por ajudar as pessoas a entenderem a relação complexa que têm com a comida. «Lidar com um problema frustrante que nos causa medo ou incerteza, sem que consigamos resolvê-lo no imediato, pode fazer-nos encontrar na comida algo para lá do seu valor funcional e nutricional», diz.

«NEM PENSEM QUE VOU COMER ISSO»

O passo seguinte para perder peso consiste em seguir um plano alimentar único, criado de raiz para cada pessoa tendo em conta horários, intolerâncias, vida familiar, necessidades físicas, emocionais e – muito importante – gostos. «Se o paciente odeia couves-de-bruxelas, por alma de quem terá de comê-las?», questiona Magda Gonçalves. O contrário também se aplica: se a pessoa tiver um desejo súbito de chocolate e ao fim de 20 minutos não tiver passado, então vai comê-lo à vontade. «Será muito mais fácil ficar-se por dois quadrados do que devorar a tablete», sustenta a especialista.

«EU MEREÇO»

A partir do momento em que aprendemos a identificar as frustrações que «merecemos» compensar com batatas fritas e gelados – pode ser um ressentimento antigo, uma relação mal resolvida, o medo de perder a pessoa amada –, melhor digerimos aquilo que realmente nos preocupa, sem passar pelo consolo da comida. «Demorámos até enraizar em nós este comportamento compulsivo inconsciente, agora trata-se de trabalhar para nos aceitarmos.» Acredite: reduz drasticamente a necessidade de nos excedermos, garante Magda Gonçalves.

«QUANDO EU EMAGRECER»

A ideia implícita de futuro pressupõe que só iremos gostar de nós, reconciliar-nos com o corpo e trabalhar efetivamente a autoestima quando emagrecermos, nunca antes. E isto quando os quilos que possamos ter a mais, de acordo com os ideais de beleza impostos pela sociedade, não traduzem a pessoa que somos nem o nosso real valor enquanto seres humanos. É verdade que não temos que gostar de tudo no nosso corpo – e raramente gostamos. Contudo, é na mesma nosso dever cuidar dele.