5 sinais de depressão em crianças e adolescentes

Diz a OMS que 30 por cento da população mundial (se não mais) irá sofrer de depressão ao longo da vida. Diversos estudos vão ainda mais longe e afirmam que os primeiros sintomas, em 50 por cento dos casos, surgem antes dos 18 anos. Razões mais do que válidas para ficarmos todos atentos.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

QUEBRA NO RENDIMENTO

Sobretudo no aproveitamento escolar, um dos primeiros indicadores de que algo não está bem com a criança ou o adolescente, já que a depressão perturba desde logo a forma e a velocidade do raciocínio. “Podem ser alunos que antes tinham boas notas, mas agora a cabeça deles não funciona. Dizem estar atentos nas aulas, como sempre, porém não conseguem lembrar-se de tudo o que estudaram”, explica em entrevista à BBC a psiquiatra Lee Fu-I, especializada em transtornos infantis e juvenis. Outro sinal de alerta, avisa, é passarem a faltar mais às aulas.

MUDANÇAS DE COMPORTAMENTO

Ao considerarem que os filhos possam estar deprimidos, os pais tendem a procurar essencialmente sinais de tristeza, apatia, isolamento, introspeção, melancolia, choro. E fazem bem, desde que tenham também presente o facto de a depressão estar muitas vezes ligada a sintomas menos evidentes como mau humor excessivo, irritação, alteração do apetite (para mais ou menos), perturbações do sono (como pesadelos e dificuldade em adormecer), falta de autoestima e incapacidade de sentir prazer com coisas que antes os entusiasmavam.

AUSÊNCIA DE PLANOS

Começa tudo com os sentimentos que ainda agora referíamos de medo, ansiedade, insegurança: se são normais em fases mais marcantes para a criança ou o adolescente – como mudanças de escola, ter de escolher o curso a seguir de uma vez por todas e outras que tais –, os alarmes da depressão devem soar aos ouvidos dos pais sempre que se traduzirem em letargia, desinteresse e falta de comprometimento com o futuro (como se não quisessem saber o que os espera porque, na verdade, tanto lhes faz).

PENSAMENTOS SUICIDAS

É um sinal mais óbvio que os anteriores, embora os pais tenham de estar presentes e saber ouvir, de facto, o que dizem os filhos, com plena noção de que adolescentes deprimidos pensam e falam frequentemente sobre a morte nos casos mais graves. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, o suicídio é justamente a segunda causa de morte entre os jovens dos 15 aos 29 anos a nível global (a seguir à violência e acidentes). Crises de identidade sexual, mudanças no ambiente familiar ou escolar e bullying contam-se entre os principais motivos. «Comportamentos destes sempre existiram nas nossas escolas e noutros contextos em que crianças e jovens interagem. E sim, afetam um número significativo de indivíduos em idade escolar», confirma o psicólogo Luís Fernandes.

EXISTÊNCIA VIRTUAL

Já todos ouvimos dizer mil vezes que a proximidade com a internet e as novas tecnologias não é má em si mesma, não há por que diabolizá-la. A não ser – e aqui os especialistas são categóricos – que os jovens fiquem tão ligados ao mundo virtual que comprometam a sua existência no mundo real, inclusive a capacidade de sentirem prazer no que costuma enriquecê-los emocionalmente, como os amores, os amigos, as saídas em grupo, a prática desportiva e tudo o mais que lhes dá experiência de vida. “A par disso temos ainda as agressões, que antes se circunscreviam a espaços físicos, a extravasar para o espaço digital”, sublinha Tito de Morais, fundador do site MiúdosSegurosNa.Net. Também aqui o sofrimento pode fazer estragos para o resto da vida, diz.