6 questões que surgem na hora de adotar um animal de estimação

«Adotar um animal de estimação é como ter um filho, necessita de cuidados e atenção». Quem o diz é Joana Pereira, médica veterinária do Departamento Comunicação Científica da Royal Canin, que falou com a DN Life sobre o tema propósito do Pet Festival, que decorre entre 1 e 3 de Fevereiro na FIL, em Lisboa.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia ShutterStock

Na hora de adotar um animal de estimação podem surgir algumas dúvidas importantes. Que raças são mais adequadas para ter em apartamentos? Que tipo de cuidados tem de ter? Como é a relação com as crianças?

Estas e outras questões são respondidas pela médica veterinária Joana Pereira, que falou sobre o tema a propósito do Pet Festival, que decorre entre 1 e 3 de Fevereiro na FIL, em Lisboa, e que tem como tema desta edição «não à solidão, tenha um animal de estimação».

Por lá, vão acontecer várias atividades, como a exposição internacional de gatos, o dock diving (saltos para a água) e, ainda, demonstrações de busca, salvamento e obediência com os animais.

Que aspetos devem as pessoas considerar antes de adotar um animal?

Antes de mais acho que é importante que os cuidadores se informem antes de decidirem adotar. Devem tentar saber mais sobre as espécies, raças, que tipo de hábitos tem cada animal. Digo isto porque, por exemplo, o Border Collie (foto em baixo), que é um cão de porte pequeno médio, ao viver dentro de um apartamento fica extremamente ativo. Quando se vê confinado por ter problemas de comportamentais, destruir coisas em casa, etc. Portanto, é importante que os novos cuidadores percebam se o cão ou gato se enquadra no estilo de vida que têm.

Raça Border Collie

Quais são as principais inquietações quando se tem um animal?

Acho que é importante, antes de mais, responderem a três questões: «se têm dinheiro, se têm espaço e se têm disponibilidade económica». É preciso ter em conta que há certos cães que não têm gastos apenas com alimentação e saúde. Alguns requerem, por exemplo, certos cuidados com o pelo. Ou acabam por ter de ir mais vezes ao veterinário por alguma razão. E há outra coisa. As pessoas não podem ter um cão e depois estranhar que a casa cheire ao animal ou que tenham pelo na casa.

Que raças de cães não devem estar num apartamento?

Os cães gigantes, os cães de caça e os cães de trabalho normalmente não se adequam. Mas tudo depende muito do tipo de cão, do estilo de vida que tem ou até mesmo do seu feitio. Para ter em apartamentos, normalmente, as pessoas devem optar por raças de porte pequeno. Normalmente, os que têm até 10 quilos são os que se adequam melhor. No entanto, há que salientar que existem cães pequenos que são bastante ativos. Raças como Jack Russell ou os Podengos são pequenos mas podem ter um temperamento difícil. Há também a possibilidade de adotar um gato ou as novas espécies exóticas.

Mas, mais uma vez, depende do contexto. Os hamsters, por exemplo, são animais muito pequenos, tímidos e não gostam de ser agarrados. Se for para junto de uma criança, a adaptação pode não ser tão fácil. Tal como acontece com os coelhos, que são presas e, por isso, ficam bastante assustados.

«Existem inúmeros estudos que comprovam os benefícios de ter uma relação saudável entre as crianças e os animais de estimação»

Um animal adulto também pode ser uma alternativa. Há certos hábitos que já não necessita de ensinar e as preocupações com as vacinas ou chip estão excluídas.

Os animais dos canis/gatis têm dificuldades de adaptação?

Varia muito de animal para animal. No caso dos cães, de facto, alguns podem vir com traumas devido a maus-tratos ou por terem um passado complexo. No entanto, note que esses animais também podem ser extremamente agradecidos e podem adaptar-se facilmente. Em relação aos gatos, deve-se preparar o ambiente da casa para que não seja demasiado aborrecido e rotineiro.

Considera que é importante a relação entre as crianças e os animais de estimação?

Existem inúmeros estudos que comprovam os benefícios de ter uma relação saudável entre as crianças e os animais de estimação. As crianças tornam-se mais confiantes, têm maior sentido de responsabilidade por cuidarem de outro ser vivo e existem melhorias em relação à saúde, nomeadamente no que diz respeito ao sistema imunitário reforçado e à diminuição do aparecimento de alergias.

Em relação à alimentação, quais são os erros mais comuns dos cuidadores?

Acham que podem dar tudo ao animal. Muitas vezes a alimentação não é a adequada para o animal de estimação em causa, porque a comida indicada para o animal adulto difere bastante daquela que se deve dar a um animal jovem.
Além disso, ainda há muito o hábito de dar restos de comida, o que pode provocar gastroenterites ou serem tóxicas para o animal. Vou-lhe dar um exemplo: há muitas pessoas que dão frango com arroz aos seus cães. Alguns anos mais tarde, o cão pode ter fraturas espontâneas, além de ser uma comida extremamente pobre nutricionalmente para o animal. O que aconselho sempre é os cuidadores informarem-se junto do médicos veterinários para saber qual o alimento mais adequado.


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