7 coisas que raramente nos dizem sobre o divórcio (e todos devíamos saber)

É o momento mais temido na vida dos casais, a exigir tanto um bom luto como qualquer doença incurável. Sim: haverá vazio e lágrimas num divórcio. Mas também recomeços e oportunidades para crescer.

Texto de Ana Pago | Fotografias da iStock

DESCARREGUE ESSA CULPA

Liberte-se das dúvidas quanto ao que eventualmente poderia ter feito e não fez para evitar a separação: uma coisa é estar consciente da responsabilidade que um e outro tiveram na rutura do casal, fundamental para crescerem com os erros; outra bem diferente é carregar sentimentos de culpa por tempo indefinido e ficar preso a eles para o resto da vida, sem conseguir de ver o mundo a regressar positivamente ao seu lugar após a reviravolta. «Quando um casamento chega ao fim já muitas guerras emocionais se travaram, muitos desequilíbrios de parte a parte», diz Teresa Andrade, psicóloga clínica formadora na área do luto e do divórcio. Separar-se devia ser o fim de uma guerra onde não há vencedores e sim pessoas que deram uma à outra a possibilidade de voltarem a ser felizes de outro modo.

AS FINANÇAS MUDAM

E de que maneira, embora a pessoa esteja quase sempre tão devastada emocionalmente que nem se lembra da volta que a sua vida vai levar também a este nível. A começar pela casa de família, por exemplo: muitas pessoas separadas batalham com o ex-cônjuge para continuarem a viver lá e só depois se dão conta da dificuldade (ou mesmo impossibilidade) de a manterem sozinhas, a par de outros problemas de ordem prática como pedir empréstimos ao banco, pagar contas ou fazer poupanças. Na dúvida, aconselhe-se com um especialista em leis e finanças.

TEMPO PARA CHORAR

Faz parte do processo, não prescinda de tirar o seu. «Isto é difícil. Ninguém casa a pensar na separação, embora por vezes seja esse o caminho a que a vida a dois conduz», reconhece Teresa Andrade, para quem chorar conduz à etapa seguinte, de seguir em frente. «Redecore a casa, livre-se de coisas antigas, renove o visual. Contrarie o mais possível a vontade de se fechar na concha», aconselha a psicóloga. Arrume o que lhe fizer lembrar a relação terminada e não caia na tentação de ligar, mandar e-mails, esquadrinhar a vida do outro nas redes sociais ou querer que fiquem amigos a todo o custo antes de se sentir verdadeiramente preparado(a) para isso.

AMIGOS AFASTAM-SE

Acontece: por mais que pensemos que os nossos laços com os amigos do ex são sólidas, há sempre uns quantos que desaparecem das nossas vidas mal a separação é anunciada. «O que se ganha com um divórcio é sobretudo a compreensão de que nada é garantido ou permanente. Tudo pode mudar, mesmo quando não o esperávamos», aponta a psicóloga, considerando que o princípio se aplica naturalmente às amizades. Amizades essas que se estendem ainda a muitos dos casais com quem o casal se dava, como se assim pudessem evitar a sua própria separação por contágio.

ANALISE PARA NÃO REPETIR

O amor é imprevisível. E cego. E mais umas quantas coisas que repetimos vezes sem conta acerca dele para, no fundo, justificarmos a nossa própria queda para um certo tipo de pessoas e/ou padrões que, fazendo-nos mal, nem sempre são fáceis de quebrar nas nossas vidas. «Ficar sozinho é dos receios que mais incomodam a humanidade desde sempre, contudo só quem enfrenta os seus piores medos pode vencê-los», adianta a psicóloga clínica Teresa Andrade. Lógico que isto inclui aprender com os erros para que a história não se repita.

VAI FICAR BEM

Pode sentir-se terrível agora, tem razões para isso: «A separação é a fase terminal de uma doença grave no casamento e o mais difícil para as pessoas é assumirem que a relação não funcionou», explica Teresa Andrade, para quem existem sempre demasiadas memórias a doer, muita pena do que se perdeu. Ainda assim, cabe-lhe a si decidir se fica para sempre a culpar o ex ou aproveita a sensação libertadora de estar de novo solteiro para sair com amigos, viajar, aprender uma nova língua e fazer aqueles programas com que andava a sonhar há tempos. «Esta é uma oportunidade ótima para crescer, investir em experiências diferentes, mimarmo-nos e reencontrarmos o nosso centro», confirma a especialista.

O AMOR NÃO ACABA AQUI

E não só não acaba como apenas terá espaço para um novo amor, no futuro, se desocupar o coração dessa relação antiga que deixou de servir. Reconheça o que está a sentir, sem negar a realidade nem querer apegar-se às memórias do passado. Coma bem, faça exercício, cuide de si: sentir-se atraente, mais jovem e feliz só pode trazer-lhe coisas boas nesta fase. «Todos os lutos pressupõem perdas irreparáveis, mas também adaptação, amadurecimento e novos ritmos de vida, com coisas boas a surgirem», adianta a psicóloga Teresa Andrade. Incluindo outros amores.