Factos (comprovados pela ciência) que fazem um casamento durar

Por muito que se diga que somos animais sociais, construir um casamento estável, maduro e feliz é matéria para uma vida. Tudo boas razões para começar já a pôr em prática estes ensinamentos da ciência.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

É uma realidade dos tempos que correm: conhecer potenciais namorados online, sentir afinidades com um em particular e querer ver se o frisson tem pernas para andar também ao vivo, num encontro real em que muito já foi construído virtualmente. E não, não existe razão nenhuma para desconfiar de uma relação que começa assim, depois de uma pesquisa divulgada no Proceedings of the National Academy of Sciences (a publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos EUA) sublinhar que os casais que se conheceram online não só apresentaram menos divórcios como relataram uma maior satisfação no casamento.

Não viva nas redes sociais

Isto porque um estudo da Universidade de Boston, publicado na revista especializada Computers in Human Behavior, concluiu que passar a vida no Facebook e outras redes sociais está ligado a um aumento da taxa de divórcios e do descontentamento conjugal, ao ponto de 32% dos inquiridos ter pensado em deixar o parceiro por comparação com 16% entre os que não são frequentadores assíduos das redes. «Fala-se muito em falta de tempo, mas se ele existe para mexer no smartphone isso quer dizer que o arranjamos, só não o direcionamos para as coisas certas», aponta a sexóloga Cristina Mira Santos, alertando para o facto de nenhuma relação sobreviver à falta de intimidade.

Poupe no casamento

Por mais que ambos sonhem tornar o grande dia num evento memorável para todos, com flores, catering, vestido de noiva, fato do noivo, alianças, fotógrafo, música e tudo o mais que um casamento implica, uma pesquisa da Universidade Emory, EUA, descobriu que casais que optam por cerimónias mais baratas têm maior probabilidade de ficarem juntos. Gastos de mais de 20 mil dólares (cerca de 18 mil euros) traduziram-se em 3,5 vezes mais divórcios do que nos casamentos que custaram de 5 a 10 mil dólares (entre 4 e 9 mil euros), avisam os cientistas. Já para não falar que convém estarem os dois de acordo quanto ao dinheiro que vão gastar, à partida, sob pena de ser essa a primeira grande discussão a sério do casal.

Dê atenção ao outro

Quem o diz é o reputado psicólogo social John Gottman, um dos maiores investigadores de relações duradouras a nível internacional: se por acaso o parceiro lhe interromper a leitura para mostrar um vídeo engraçado que viu no Facebook, esse é um sinal de que está a precisar da sua atenção, mais do que uma simples partilha divertida. E sendo assim, a bem da felicidade conjugal, importa não responder invariavelmente que está ocupado ou o mais certo é o vosso relacionamento ter os dias contados a médio prazo. Tudo porque ao analisar a fundo as interações entre recém-casados, Gottman chegou à conclusão de que os que se mantiveram juntos ao fim de seis anos foram justamente os que prestaram atenção ao outro num total de nove em dez momentos desses momentos banais, ao passo que os que se divorciaram apenas o fizeram três em cada dez vezes.

Nunca deixe de ser “derreter”

Ainda a reboque do conselho de dar atenção ao outro (que funciona nos dois sentidos, o que significa que o outro nos vai dar também mais atenção a nós), a ciência destaca este de se recordar das muitas qualidades que viu nele/a quando se conheceram, com todas as idealizações típicas do início do namoro, e voltar a apaixonar-se uma e outra vez, para sempre. Investigadores da Universidade de Buffalo, EUA, pediram a 222 casais que se descrevessem a eles próprios e ao parceiro segundo uma série de características – inteligência, criatividade, capacidades atléticas e outras – ao longo de três anos. Escusado será dizer que as hipóteses de uma união feliz jogaram a favor dos que mantiveram uma perceção positiva, ainda que pouco realista, dos atributos do outro. Há ilusões que só nos fazem bem.

Filmes a dois

É fácil culpar o outro quando a rotina se instala, porém uma relação pressupõe a existência de duas pessoas. E se essas duas pessoas tiverem por hábito ver filmes juntas, então o mais certo é quererem continuar uma com a outra, a avaliar por um estudo divulgado no Journal of Consulting and Clinical Psychology. Isto porque falar durante meia hora sobre como as personagens se relacionam serve de rede segura para os casais se autoavaliarem sem se sentirem expostos nem criticados. Resultado: uma queda dos divórcios para metade. Quer argumento melhor?

Prazeres Comuns

Acabámos de lhe falar nos filmes, mas na verdade quaisquer atividades em conjunto contribuem para aumentar a felicidade conjugal, desde que não se trate de algo que um adora fazer e o outro nem morto. É o que revela uma pesquisa americana publicada no Journal of Marriage and Family, apologista desta partilha de interesses como um meio simples de se ampliar a alegria a dois quer no imediato, quer a longo prazo. Se no final descobrirem que nenhuma atividade agrada a ambos? Tudo bem na mesma, garante o estudo. O importante é os dois terem passatempos de que gostem e lhes permitam crescer como pessoas, independentemente de os fazerem juntos ou cada um por si.

Mais “nós” e menos “eu”

Ao analisar 30 estudos envolvendo cerca de 5300 participantes, em áreas tão diversas como saúde física e mental, satisfação na relação, comportamentos a dois e cuidados que cada um tinha consigo, investigadores apuraram que casais que usam o pronome “nós” são mais felizes e saudáveis em si mesmos, além de o serem com o outro. “Ouvirmo-nos ou ao parceiro a dizer ‘nós’ pode transformar formas individualistas de pensar noutras mais interdependentes, o que por sua vez se traduz numa relação mais bem-sucedida em vários contextos, em qualquer idade, seja homem ou mulher”, explica a psicóloga Megan Robbins, uma das autoras desta pesquisa da Universidade da Califórnia em Riverside, EUA, publicada no Journal of Social and Personal Relationships. Um outro estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley acrescenta que casais que pensam a dois durante os conflitos têm maior capacidade para resolvê-los e não se enervam tanto.