9 exercícios garantidos para vencer de vez a timidez

Sente-se tímido, inseguro, com vergonha de tudo? A recear cada encontro com desconhecidos? Sempre com medo de se expor ao ridículo? A especialista em aprendizagem social e emocional Elsa Punset, autora d’O Livro das Pequenas Revoluções, ensina-o a avançar com toda a confiança.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

INTERESSE-SE PELOS OUTROS

Pessoas mais retraídas sabem como é: deixam que lhes façam pergunta atrás de pergunta nos eventos sociais, respondem a todas para não serem indelicados e, no final, parece que não falaram de outra coisa além delas mesmas. Da próxima vez que acontecer, não deixe que a vergonha leve a melhor e questione o outro: «E tu? O que pensas de tudo isto?»

NÃO DOMINE A CONVERSA

O oposto também sucede: estamos tão desconfortáveis no grupo, aflitos com a ideia de nos acharem uns monos, que começamos a falar do tempo ou outro assunto igualmente aborrecido que não abona nada a nosso favor. O truque, segundo Elsa Punset, passa por convidar o interlocutor a contar-nos aquilo de que gosta, ouvi-lo com atenção e não fazer demasiadas perguntas para não parecer um interrogatório.

SIGA UM ROTEIRO

Desde quando uma boa conversa se faz de monossílabos? Se à partida o assusta não saber o que dizer (o mais provável), recorra a frases simples que lhe deem o empurrão de que precisa para entabular conversa, como um «Muito prazer» ou «Encantado por te conhecer». Uma vez ultrapassada esta primeira barreira, o diálogo irá fluindo por si, sem dramas de maior. Ah, e o melhor é que pode praticar diante de um espelho para não errar na dose.

SEJA AMÁVEL

E que dizer da tendência generalizada para confundir vergonha com antipatia e até desinteresse pelos outros, o que só faz a pessoa acanhada sentir-se ainda mais inibida? «Para compensar esta falsa aparência, seja amável todos os dias, de forma deliberada», propõe Elsa Punset, sugerindo começar já hoje. Irá surpreender-se com a reação de quem o rodeia, garante.

MAIS DO QUE PALAVRAS

Parte fundamental da interação em grupo é não-verbal: faz-se de olhares, da linguagem do corpo, do tom que se usa e não tanto do que se diz – o que pode vir a complicar tudo caso a pessoa envergonhada não saiba comunicar bem deste modo, considera a especialista espanhola em aprendizagem social e emocional. Algumas dicas para melhorar a este nível: olhe o outro nos olhos amavelmente (não lhe invada o espaço nem cruze os braços como se quisesse mantê-lo à distância); não fale demasiado baixo (torna-se cansativo para quem ouve); use um tom de voz claro, calmo, mas não monocórdico (também é irritante).

PERGUNTE AS HORAS

É um artifício muito utilizado nas estratégias de engate e o melhor para se lidar com o pavor de falar com desconhecidos. Elsa Punset explica como: «Escolha um centro comercial de que goste e vá até lá a uma hora do dia em que haja muita gente.» Aí tire o relógio, pergunte as horas a 20 pessoas com algum tempo de intervalo entre cada uma e desfrute da sensação (magnífica) de que foi capaz. Depois disso o céu é o limite.

ANDE DIREITO

Lembra-se de há pouco lhe falarmos de comunicação não-verbal? Pois caminhar de cabeça erguida e costas direitas – nada de ombros descaídos e olhos postos no chão – melhora imediatamente a sensação de autoconfiança e autocontrolo. Além, claro, de transmitir aos outros a garra de que é feita a pessoa que têm à frente.

CHAME A ATENÇÃO

É capaz de ser a pior prova para qualquer pessoa envergonhada: fazer com que os outros reparem em si quando morre de medo de dar nas vistas por algum motivo. E já que é para fazer, considera Elsa Punset, então que se faça bem feito, usando peúgas de cores diferentes, acessórios estranhos ou roupa berrante. Verá que muito menos gente do que esperava irá reparar em si.

LIBERTE-SE DO MEDO

OK, agora estamos na dúvida se não será esta a prova pior de todas (mais difícil que a anterior), já que se trata de superar a vergonha com rapidez. «O desafio é escolher algo que espolete a sua timidez e queira superar – falar com desconhecidos no metro, ir sozinho a um restaurante, dar uma palestra, subir a um palco para cantar uma canção de karaoke – e atirar-se de cabeça», explica a especialista espanhola. Nem pense adiar ou arranjar desculpas ou adiar, porque pode bem ser essa a diferença entre superar o medo ou continuar preso a ele.

REVOLUCIONE(-SE)

O Livro das Pequenas Revoluções de Elsa Punset, especialista espanhola em educação social e emocional, que já mudou a vida a mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, contém 250 rituais diários inspiradores e muito simples que lhe vão permitir ativar-se, desligar ou proteger-se de relações tóxicas. Ed. Planeta, 416 páginas, 17,96 euros.