A importância do pequeno-almoço

O pequeno-almoço, conforme o concebemos, enquanto primeira refeição do dia, nem sempre terá existido na história da humanidade. E, ao longo dos tempos, a sua constituição foi variando, com diferentes alimentos de acordo com a zona geográfica ou estrato social.

Hoje, não há dúvidas da sua existência formal e dos seus benefícios. Mas, se para alguns, esta é a refeição mais importante do dia, que não dispensam, outros não lhe conferem a importância devida.

Do ponto de vista fisiológico, o pequeno-almoço assume particular importância, pois colmatará o mais longo dos nossos jejuns pós-prandiais: o jejum noturno.

Representa, por isso, uma refeição de especial relevo para todos, principalmente para as crianças e os adolescentes, dada a sua fase de crescimento e desenvolvimento.

No entanto, tomar o pequeno-almoço diariamente nem sempre é uma realidade, cerca de 20% dos adolescentes portugueses não o toma todos os dias.

Os motivos frequentemente referidos para o não consumo do pequeno-almoço são ausência de apetite matinal, falta de opções alimentares de fácil acesso disponíveis de manhã e constrangimentos de tempo.

Para poder ultrapassar estes motivos, é importante planear atempadamente o pequeno-almoço, escolhendo os alimentos com cuidado e adquirindo as opções mais saudáveis, ou seja, alimentos com menor teor de açúcar, gordura e sal.

Os benefícios associados ao consumo regular de pequeno-almoço são inúmeros. De facto, vários estudos suportam a relação entre consumo de pequeno-almoço e menor risco de obesidade e desenvolvimento de excesso de peso, menor risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2, associado a melhor controlo glicémico, e diminuição do risco de doenças cardiovasculares e dislipidemias. Também existe evidência que associa os potenciais efeitos benéficos do pequeno-almoço à melhoria da capacidade cognitiva em crianças e adolescentes, sendo que frequentemente os resultados mostram uma melhoria na concentração, memória e estado de alerta.

Além destes benefícios o pequeno-almoço proporciona um momento de importante convívio familiar e, se realizado em casa, permite torná-lo mais económico.

Assim, esta primeira refeição deve ser uma realidade diária para quebrar o jejum noturno, para iniciar o dia com energia e com um bom controlo no sistema de regulação do apetite e da saciedade. Desta refeição podem fazer parte: fruta; pão de mistura e laticínios, sem esquecer a imprescindível água.

Deve ser tomado, se possível, na primeira hora após levantar, em casa, à mesa e em família.

Alexandra Bento é nutricionista e bastonária da Ordem dos Nutricionistas desde 2012. Doutorada em Ciências do Consumo Alimentar e Mestre em Inovação Alimentar e Saúde, é Professora na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica. Foi durante mais de uma década presidente da Associação Portuguesa dos Nutricionistas. Em Comer Bem é o Melhor Remédio [ed. Porto Editora], da sua autoria, mostra a importância de uma alimentação saudável, mitos e dicas que deve seguir e ainda mais de 40 receitas (sem sal) para toda a família, elaboradas em parceria com o chef Hélio Loureiro.


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