A temperatura do ar condicionado pode ser machista?

Cynthia Nixon, a atriz que foi Miranda na série Sexo e a Cidade e candidata a governadora do estado de Nova Iorque, EUA, lançou a discussão antes de um debate com o atual governador Andrew Cuomo. No Twitter, as reações replicaram-se em concordância: as mulheres têm frio nos locais de trabalho.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia iStock

Um estudo publicado em 2015 pela Nature Climate Change indica que os aparelhos que regulam a temperatura nos locais de trabalho funcionam de acordo com uma fórmula estabelecida na década de 1960, que se baseia nos valores metabólicos de um homem de 40 anos com 70 quilos.

Enquanto os homens preferem trabalhar à temperatura ambiente de 22 graus Celsius, as mulheres sentem-se mais confortáveis três graus acima (25ºC), mesmo que se submetam ao mesmo nível de atividade.

Temperatura do ar condicionado nos locais de trabalho é regulada por uma fórmula criada em 1960.

Também as roupas que homens e mulheres apresentam nos locais de trabalho fazem com que as diferenças de temperatura se evidenciam. Existem várias empresas em que os homens têm de se apresentar de fato e gravata, enquanto as mulheres, apesar de formais, conseguem utilizar trajes com tecidos mais frescos.

A discussão sobre a temperatura ambiente dos locais de trabalho volta agora a ser relançada, depois de atriz e candidata a governadora do estado de Nova Iorque, EUA, Cynthia Nixon, ter pedido à equipa de produção da CBS – onde iria iniciar um debate com o atual governador Andrew Cuomo – para colocar a temperatura do ar condicionado a 24 graus.

Antes do debate e logo após a exigência, a equipa de assessores de Nixon afirmou que os ambientes demasiado frios são «notavelmente sexistas». «Porque têm de ser as mulheres a congelar no trabalho?», questionou a conselheira sénior da candidata, Rebecca Katz, citada pela CBS, acrescentando que Cuomo é conhecido por apreciar temperaturas demasiado frias.

Apesar de não lhe ter sido acedido, o pedido originou várias mensagens através da rede social Twitter. Monica Hesse (jornalista do Washington Post) mostrou o seu «apoio» pela causa do ar condicionado, enquanto Melissa DeRosa, assessora de Cuomo, brincou com a situação.

 

Há dois anos, o debate sobre a temperatura surgiu novamente depois de ter sido lançado um vídeo do canal americano College Humor (ver em baixo), precisamente sobre «o inverno das mulheres», referindo-se aos dias de calor em que os homens controlam o ar condicionado nos escritórios.

Além da discussão sobre se a regulação do ar condicionado é ou não machista, os problemas com a temperatura no local de trabalho podem também relacionar-se com a produtividade.

De acordo com um estudo publicado no Journal of Environmental Health Science & Engineering, ter demasiado calor ou frio no emprego pode prejudicar até 38 por cento da produtividade, afetando mais que se tiver más condições de iluminação (19,91 por cento).