Acredito no Pai Natal

Muitos de nós crescemos com a magia do Natal e do Pai Natal, omnipresente em todas as chaminés, cheio de presentes e alegrias. Crescemos também a acreditar que o bem existe e prevalece sempre sobre o mal, «no matter what». Que os bons vencem os maus, a justiça tarda, mas não falha e, no fim, tudo ficará bem. Os polícias apanham os ladrões e os vilões acabam sempre com um castigo. Crescemos, no fundo, a acreditar que o mundo é justo.

Mas o mundo não é justo. Os bons não vencem sempre os maus. E quantas vezes não nos deparamos exactamente com o contrário? Por outro lado, o mundo não é feito de «bons» e «maus», numa perspectiva de extremos. Existem os intermédios, os tons cinzentos, aqueles que contrariam a ideia de um pensamento dicotómico.

E todos os dias nos confrontamos com situações que nos recordam disso mesmo. As injustiças, a violação dos direitos humanos, dos direitos dos animais. A exclusão social, a pobreza, o crime, a guerra, a fome, a escravatura. Uma lista sem fim de atrocidades que nos fazem questionar o sentido da vida.

Perante a realidade, crua e bem diferente de um Pai Natal gorducho e sorridente com quem crescemos num imaginário de fantasia, questionamo-nos, por vezes, em que acreditar. Em quem acreditar. E, ainda, se vale a pena acreditar. Não está, afinal, o mundo cheio de coisas más? De tristezas e mágoas, pessoas que enganam e traem, um sem fim de contrariedades e obstáculos que nos impedem de ser felizes?

O mundo não é justo, é verdade. E muitas pessoas enganam, também é verdade. Mas não todas. Nem sempre.

Se olharmos à nossa volta com atenção vemos muitos rostos discretos que escolheram acreditar. Não apenas em Dezembro, não apenas quando as luzes brilham e lhes dão palco. Não, estes rostos discretos escolheram acreditar durante todo o ano, nas situações mais improváveis, sem procurar fama nem reconhecimento. Fazem-no apenas porque sim. Porque acreditam que podem mudar o mundo.

Falo dos voluntários, de todos os voluntários que, de alguma forma, todos os dias, nos mais diversos contextos, acreditam. Acreditam no poder de um sorriso, na magia de um abraço e na diferença que a sua presença faz na vida de uma, ou de muitas vidas.

Ser voluntário durante todo o ano é isso mesmo. Acreditar no Pai Natal. Não no boneco comercial associado ao consumismo, mas na capacidade em fazer o bem apenas porque sim. E no poder que cada gesto, por mais pequeno que seja, pode ter na vida de alguém.

As vidas mudam-se desta forma. Com pequenos gestos, pequenos nadas que são, afinal, gigantes. Uma palavra dita no momento certo, um sorriso que se recebe quando mais se precisa, uma gargalhada partilhada e a sensação boa de não se estar sozinho.

E quem escolhe ser voluntário e ajudar, seja em que área for, escolhe, no fundo, dar um pouco de si mesmo. E ficar mais rico à medida que dá, num crescendo exponencial que contraria todas as leis da matemática e que só quem sente na primeira pessoa pode entender.

Eu escolho acreditar no Pai Natal e acreditar ainda que, apesar de todas as injustiças imagináveis (ou inimagináveis) a que possamos assistir, o ser humano tem algo de bom e verdadeiro que pode prevalecer.

E vocês, acreditam no Pai Natal?