Adesivos de proteção da pele podem ser «mais-valia» contra o cancro

Paulo Lamarão, especialista e membro da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, explica à DN Life as vantagens destes adesivos

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia DR

As temperaturas máximas parecem voltar a subir esta semana. De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, esperam-se dias de calor acima do 25º Celsius durante toda a semana, aumentando também o índice ultravioleta para «muito elevado» (o segundo mais grave da escala).

Fonte: Instituto Português do Mar e da Atmosfera

Para proteger a pele, há várias empresas que têm desenvolvido um género de «tatuagens» ou «adesivos» que indicam a quantidade de tempo de exposição ao sol. Uma destas tecnologias criadas trata-se de uma inovação da empresa LogicInk, que através da aplicação na pele mostra «a exposição aos raios ultravioleta em tempo real» e, ainda, o limite diário que deve suportar.

Tal como se pode ver no vídeo de apresentação (ver em baixo), um círculo interior é o que mostra a exposição em tempo real, enquanto o exterior vai aumentando gradualmente consoante a exposição ao sol.

Paulo Lamarão, membro da direção da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, explica, em declarações à DN Life, que estes adesivos – «que se colam temporariamente na pele» – já existem há alguns anos e podem «constituir uma mais-valia, como indicadores de alerta, mas devem ser conjugados com medidas de proteção, como a utilização de chapéus, vestuário adequado, óculos de sol e protetor solar».

«A quantidade de radiação ultravioleta que atinge a nossa pele depende de múltiplos fatores»

O dermatologista acrescenta que é fundamental conhecer as condições que as pessoas podem encontrar quando se expõem ao sol. Por isso é que, entre outras informações, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, divulga diariamente a previsão do Índice Ultravioleta (IUV) no país.

«Quanto mais elevado o IUV, maior o risco», alerta o especialista. «A quantidade de radiação ultravioleta que atinge a nossa pele depende de múltiplos fatores como a latitude e altitude do local, as características físicas de onde nos encontramos (areia, relva, água, neve), a estação do ano, a hora, as condições meteorológicas, entre outros», afirma Lamarão.

Ainda sobre os dispositivos que podem ajudar a alertar para a exposição solar, Lamarão não tem dúvidas que este tipo de dispositivos pode servir como mais uma forma de consciencialização.

«Se escolhermos a hora correta do dia [para nos expormos ao sol] – evitando o período das 11h às 17h -, se seguirmos as recomendações referentes ao IUV – aplicando protetor solar e usando vestuário apropriado -, a utilização deste tipo de dispositivos pode ser mais um motivo para a consciencialização de que devemos sair do sol nos momentos mais críticos».

«Se estivermos longas horas ao sol podemos correr o risco de envelhecimento prematuro da pele»

O médico especialista explica ainda que o processo de aplicação do protetor solar nem sempre é feito da forma correta, levando, por vezes, a uma maior exposição. «A aplicação do protetor ajuda a evitar o ‘escaldão’ e assim permite permanecer mais tempo ao sol. Mas se procedermos exatamente dessa forma, estamos a receber mais níveis de radiação do tipo UVA (que não é totalmente filtrada pelos protetores), que não receberíamos se tivéssemos o alerta que da vermelhidão da pele», justifica Paulo Lamarão.

Acrescentando: «se aplicamos protetor para permanecer longas horas ou o dia todo ao sol, podemos correr o risco de envelhecimento prematuro da nossa pele ou até mesmo de cancro cutâneo», também conhecido como cancro da pele.