Afogamentos associados a obsessão de pais por smartphones

Associação de nadadores-salvadores considera que obsessão dos pais por smartphones está a condicionar a segurança dos mais novos nas praias e piscinas.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia iStock

«Muitos pais e avós não estão a seguir o conselho: quando as suas crianças estão dentro de água, afastem os smartphones.» A mensagem é de Achim Wiese, porta-voz de uma das maiores associações alemãs de nadadores-salvadores, a DLRG.

O alerta surge depois de esta organização fazer uma ligação direta entre as dificuldades que os mais novos têm enfrentado dentro de água e o facto de pais e avós estarem constantemente ocupados com os seus smartphones.

A associação, responsável pela colocação de 40 mil voluntários nas praias, piscinas e lagos germânicos, crê também existir falta de disponibilidade dos pais para colocarem os seus filhos em aulas de natação, o que só agrava o problema.

«As pessoas tratam atualmente as piscinas como jardins-de-infância e não prestam atenção», sublinha Peter Harzheim, membro da federação de supervisores de piscinas, citado pelo The Guardian.

«Antigamente, pais e avós passavam mais tempo com os seus filhos nas piscinas, mas há um número cada vez maior de pais fixados nos seus smartphones», acrescenta ainda Harzheim, considerando ser por isso que se esquecem de vigiar as crianças.

Várias associações alemãs têm apelado para que a natação passe a ser obrigatória nas escolas

De acordo com o jornal britânico, já foram registados 20 casos de afogamentos de crianças na Alemanha, bem como de cerca de 40 de mulheres e homens com idades compreendidas entre os 16 e os 25 anos.

Várias associações alemãs têm apelado para que a natação passe a ser obrigatória nas escolas, para que as crianças tenham maior conhecimento dos perigos que encontram dentro de água.

Um relatório global da Organização Mundial de Saúde indica que todos os anos morrem 372 mil pessoas por afogamento, sendo que mais de metade das vítimas mortais têm menos de 25 anos.

O afogamento é assim uma das principais causas de morte de crianças em todo o mundo. Em Portugal, de acordo com dados da Direção-Geral de Saúde referentes a 2013, morreram 110 pessoas por afogamento. Este ano também já foram noticiados alguns casos de afogamentos de crianças em piscinas e praias nacionais.

Até aos 24 anos, os afogamentos são a segunda causa de morte no país, a seguir aos acidentes rodoviários. Sandra Nascimento, presidente da APSI, e José Tavares dos Santos, presidente da Associação Portuguesa de Piscinas, falaram com a revista Life sobre a importância de se manter uma vigilância «próxima e focada», lembrando que qualquer lugar que tenha água – seja um balde, um alguidar ou uma banheira – envolve risco de afogamento. Recorde o artigo aqui.

Na fotogaleria em cima veja ainda alguns dos cuidados que deve ter quando uma criança está dentro de água.