Museu de Dresden sofre um dos maiores roubos da história: valor pode atingir os 1000 milhões de euros

Museu em Dresden. Um dos maiores roubos da história. Valor pode atingir os mil milhões de euros
Equipa da polícia forense examina as imediações do museu em Dresden (Foto EPA/FILIP SINGER)

Foram roubados conjuntos com diamantes e rubis de “valor inestimável” do museu Grünes Gewölbe, na cidade alemã de Dresden. Construído no século XVI, o museu é conhecido por ter uma das coleções mais importantes de joias antigas da Europa.

Três conjuntos com diamantes e rubis de “valor inestimável” foram esta segunda-feira roubados do museu Grünes Gewölbe (Cofre Verde) na cidade de Dresden, na Alemanha, anunciou Marion Ackermann, diretora dos museus da Saxónia.

O jornal alemão Bild estima que o valor das peças roubadas poderá atingir mil milhões de euros. Não foram ainda identificados os criminosos nem foi feita nenhuma detenção, afirmou o porta-voz da polícia Marko Laske. É “provavelmente o maior roubo de arte desde a Segunda Guerra Mundial”, escreve publicação.

Museu Dresden. Um dos maiores roubos da história. Valor pode atingir os mil milhões de euros
O castelo de Dresden, onde se situa o museu Grünes Gewölbe
(Foto EPA/FILIP SINGER)

Pelo menos dois ladrões conseguiram entrar no museu pouco antes das 05:00 locais (04:00 em Lisboa) para roubar esses três conjuntos do século XVIII, antes de fugirem, explicaram os investigadores em conferência de imprensa.

As joias pertenciam ao museu Grünes Gewölbe, situado num castelo da cidade de Dresden e que contém uma das coleções mais importantes de tesouros da Europa.

Pouco antes do assalto, um incêndio, perto do museu, destruiu um transformador elétrico, interrompendo o sistema de alarme.

No entanto, os investigadores recusaram-se, nesta fase, a estabelecer uma ligação entre os dois acontecimentos. A diretora dos museus do estado da Saxónia, Marion Ackermann, não forneceu o valor estimado do prejuízo.

Joias com diamantes roubados fazem “parte do património cultural mundial”

“Não podemos reduzi-los a um valor, porque não estão à venda”, indicou Ackermann acrescentando, no entanto, que o valor histórico e cultural das três peças é “inestimável”.

Um outro responsável dos museus da cidade referiu que os conjuntos roubados faziam “parte do património cultural mundial”.

Construído no século XVI, o museu é conhecido por ter uma das coleções mais importantes de joias antigas da Europa.

Possui peças únicas de ourivesaria, pedras preciosas, porcelanas, esculturas de marfim ou âmbar, bronzes ou recipientes com pedras preciosas.

Peças não estavam cobertas pelo seguro e não podem ser vendidas

“Estamos a falar de objetos de valor cultural inestimável”, afirmou Dirk Syndram, o diretor do museu, em conferência de imprensa. As peças não podem ser vendidas por serem muito conhecidas, acrescentou Marion Ackermann, citada pela Reuters. Questionada sobre a possibilidade de as joias serem derretidas, a responsável admitiu que “seria algo terrível”.

Os três valiosos conjuntos roubados não estavam cobertos pelo seguro, acrescentou Ackermann. A diretora dos museus da Saxónia explicou que as peças estão na posse deste estado alemão há muito tempo e que não é uma prática comum colocar estes objetos no seguro.

O roubo foi um duro golpe para o estado, afirmou o ministro-presidente da Saxónia . As peças exibidas no Grünes Gewölbe e o Palácio são o reflexo de “séculos de trabalho árduo das pessoas da Saxónia”.

Uma parte do museu, um dos mais antigos da Europa, foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial no bombardeamento dos aliados de 13 de fevereiro de 1945, sendo posteriormente reconstruída.

O Exército Vermelho apropriou-se de uma parte das obras, levadas para a União Soviética, antes de ser repatriado em 1958, para Dresden, uma das principais cidades da República Democrática Alemã (RDA).