Nova esperança para quem é alérgico ao amendoim

O amendoim é um dos alimentos que mais frequentemente está na origem de intolerância ou alergia alimentar. Mas um novo estudo aponta para uma solução inesperada. Os resultados do ensaio podem transformar-se no primeiro medicamento para controlar a alergia ao amendoim.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

As alergias alimentares têm vindo a aumentar de uma forma geral, estimando-se que atualmente atinjam cerca de 2 por cento da população mundial.

Ângela Gaspar, especialista em imunoalergologia, enumerou, em entrevista à DN Life sobre alergias alimentares, os alimentos frequentemente associados à anafilaxia alimentar (reação alérgica que começa subitamente e pode ser fatal) em Portugal.

Os amendoins surgem com forte incidência nas crianças e nos adultos. Ver gráfico em baixo:

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No entanto, um novo estudo sobre as alergias ao amendoim mostra que este tipo de alergia pode ter solução. Os resultados apresentados pelo American College of Allergy, Asthma & Immunology (Colégio Americano de Alergias, Asma e Imunologia) indicam que é possível reduzir a reação alérgica ao amendoim com uma exposição gradual a este alimento.

Ao fim de seis meses, dois terços das crianças envolvidas no estudo (372 de 500 participantes entre os 4 e os 17 anos) já conseguiam ingerir cerca de dois amendoins por dia sem qualquer reação manifestada. Estas doses foram administradas em três fases e sob a forma de cápsula em pó de amendoim.

«Congratulamo-nos com a solução que isto pode ser para crianças e adolescentes com alergia a amendoim, que podem proteger-se em caso de ingerirem acidentalmente comida com este alimento», disse Stephen Tilles, um dos autores do estudo, em comunicado.

«A esperança é que exista um tratamento disponível já no segundo semestre de 2019», diz Jay Lieberman, um dos autores do estudo.

Jay Lieberman, outro dos autores e vice-presidente do Comité de Alergia Alimentar dos EUA, lembra que esta «não é uma solução rápida» mas «é definitivamente um avanço» nesta matéria. «A esperança é que exista um tratamento disponível já no segundo semestre de 2019», acrescenta ainda.

Em 2017, especialistas da instituição King’s College London, elaboraram um estudo semelhante, indicando que o consumo controlado de amendoins nos primeiros 11 meses de vida de uma criança poderiam reduzir em 80 por cento o risco de desenvolver a alergia a este fruto.

Neste caso, metade das crianças consumiram alimentos que continham amendoim três vezes por semana, enquanto a outra metade devia evitar o consumo de amendoim até aos cinco anos.

Concluiu-se que menos de um por cento das crianças que consumiram amendoim desenvolveram a alergia aos cinco anos, enquanto 17,3 por cento – que estavam no grupo que evitou o fruto – manifestaram reações alérgicas.


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