AMAR rima com RESPEITAR

É dia dos namorados e por todo o lado vemos flores e corações, peluches e afins, destinados a celebrar o amor. Namorar é algo maravilhoso, seja em que idade for, mas apenas quando AMAR rima com RESPEITAR. Porque existem muitas situações em que AMAR rima com MAGOAR, INSULTAR E CONTROLAR. Falamos da violência no namoro, uma realidade que tantas vezes permanece escondida, alimentada por emoções negativas e crenças disfuncionais.

A violência no namoro ocorre no contexto de uma relação de intimidade e pode envolver diferentes comportamentos abusivos, de natureza psicológica (p. ex., insultar, difamar), física (p. ex., empurrar) ou sexual (forçar o envolvimento em práticas sexuais não consentidas, divulgar fotos e/ou vídeos de situações de intimidade nas redes sociais). Pode também envolver comportamentos de isolamento e controlo (p. ex., controlar ou impedir a comunicação com outras pessoas, pessoalmente ou através do telefone/redes sociais, controlar formas de vestir e de comportar, exigir passwords de acesso a redes sociais). Frequentemente observam-se também alguns comportamentos que são descritos como “micro-violências” e que podem ocorrer de forma prévia e/ou concomitante a comportamentos percepcionados como efectivamente violentos. Estas “micro-violências” não são entendidas pelas vítimas como agressões, mas sim como sinais de amor – pedir para não sair com amigos/as, exigir a partilha de passwords, exigir que “contem tudo um ao outro”, etc. Não sendo percecionados como agressões, acabam por abrir espaço para a emergência de comportamentos cada vez mais intrusivos e abusivos, num claro processo de escalada.

A violência no namoro envolve rapazes e raparigas, quer enquanto agressores/as, quer enquanto vítimas. No entanto, os estudos nacionais sugerem uma maior legitimação e normalização do recurso à violência nas relações de intimidade por parte dos rapazes.

Tal como em muitas outras situações de violência, as vítimas têm dificuldade em pedir ajuda. Confundem os comportamentos agressivos com demonstrações saudáveis de amor, sentem medo, culpa e vergonha. Evidenciam também crenças que legitimam e normalizam o recurso à violência – acreditam que a violência pode ser justificada em função do comportamento da vítima (que é responsabilizada), que aquilo que se passa na intimidade é um assunto privado, que a violência do/a parceiro/a pode ser devida a causas externas e incontroláveis (p. ex., consumo de substâncias) e, ainda, que o comportamento do/a agressor/a pode ser justificado e, portanto, desculpabilizado.

O isolamento social a que normalmente o/a agressor/a a/o confinou, a par da baixa autoestima associada à situação de vitimização, conduzem à crença de que há pouco mais a fazer do que aceitar a relação abusiva.

Neste contexto, e para além da intervenção multidisciplinar e interinstitucional que esta realidade exige, há todo um trabalho de prevenção primária a desenvolver, especialmente importante se pensarmos que este tipo de violência é considerado um preditor da violência nas relações de intimidade adultas. A prevenção deve iniciar-se anda na idade pré-adolescente e tem como principal objectivo diminuir a probabilidade de os jovens se tornarem, no futuro, potenciais agressores/as ou vítimas. Deve envolver as crianças e jovens e, também, a sua família, a escola e o grupo de pares, numa lógica de intervenção sistémica e comunitária.

AMAR rima com RESPEITAR – prevenção da violência no namoro, é o primeiro livro de uma colecção para crianças e jovens dedicada à prevenção primária de diversas problemáticas, em resposta a um desafio da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Porque é necessário abordar os assuntos de uma forma simples e pedagógica, sem tabus nem preconceitos, por forma a aumentar conhecimentos e promover competências para lidar com situações de risco. Livros que podem ser utilizados por pais e professores, psicólogos e outros profissionais, numa clara aproximação da Psicologia às pessoas e à comunidade.