«Antes de me aparecer o período fico insuportável. O que devo fazer?»

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Hoje, Rita Pereira Torres, ginecologista e obstetra, responde a uma questão relacionada com o período menstrual.

Uns dias antes de aparecer o período menstrual, fico insuportável (nem eu própria me aguento). Irritadiça, choro por tudo e por nada, tenho tonturas e dores de cabeça e de barriga. Todos os meses é um martírio. O que devo fazer?

Os sintomas pré-menstruais afetam cerca de 95% das mulheres com ciclos ovulatórios.

No entanto, o diagnóstico de síndroma pré-menstrual é reservado àquelas que apresentam, de forma recorrente, sintomas somáticos (cefaleias, dor mamária, distensão abdominal, edema dos membros, alterações da pele, ou dor muscular, lombar ou articular) e sintomas psicológicos ou comportamentais (irritabilidade, alterações do humor, ansiedade, agressividade, alterações do apetite, perturbações do sono, fadiga ou letargia, dificuldade de concentração, isolamento social e desespero) durante a fase lútea do ciclo menstrual, que resolvem após o período menstrual.

Em casos ligeiros, a modificação do estilo de vida (exercício físico regular, dieta polifracionada, higiene do sono e cessação tabagica/etanólica) pode ser suficiente para a melhoria da qualidade de vida

Entre três e cinco por cento dos casos, os sintomas psicológicos assumem maior severidade, constituindo a perturbação disforica pré-menstrual. A exacerbação destes sintomas na fase pré-menstrual parece decorrer de uma resposta exagerada de alguns neurotransmissores cerebrais à ação dos estrogénios e da progesterona circulantes.

Nestas circunstâncias, a mulher deve aconselhar-se com o médico assistente para excluir patologia médica concomitante, como síndroma depressivo, perturbação da ansiedade, hipotiroidismo, anemia, fibromialgia ou endometriose, e averiguar a necessidade de instituir terapêutica médica e comportamental.

Em casos ligeiros, a modificação do estilo de vida (exercício físico regular, dieta polifracionada, higiene do sono e cessação tabagica/etanólica) pode ser suficiente para a melhoria da qualidade de vida. Nas restantes situações, a medicação com uma pílula estroprogestativa ou uma terapêutica antidepressiva poderão ser uma boa opção.


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