Antioxidantes podem acelerar este tipo de cancro, revela estudo

A avaliar pelo que sempre ouvimos dizer dos antioxidantes, quase podíamos pensar que curam tudo, até o cancro. São aliados da saúde, de facto. Porém, não fazem milagres.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Toca a todos: os anos passam e o organismo deixa de responder da mesma forma. As biomoléculas oxidam. Funções celulares assim inibidas redundam em doenças. Sempre ouvimos dizer que o melhor escudo contra o envelhecimento eram os antioxidantes, com os mirtilos, romãs, peixes e sementes a darem boa conta de doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e até de cancro. Mas não deste, alerta um grupo de cientistas suecos.

Segundo um estudo levado a cabo por investigadores da Universidade de Gotemburgo, Suécia, após várias experiências realizadas em tecidos cancerosos de animais e humanos, ficou provado que o consumo de suplementos antioxidantes acelera o crescimento do melanoma maligno – o cancro da pele mais perigoso e um dos tumores malignos mais agressivos.

Cientistas suecos rebatem a ideia de que os antioxidantes protegem sempre as células do corpo, incluindo as do cancro, por neutralizarem os radicais livres.

«Não é esta a maneira de se tratar o cancro», sublinha a médica Kristell Le Gal Beneroso, envolvida na pesquisa, desafiando a ideia generalizada de que os antioxidantes protegem sempre as células do corpo, incluindo as do cancro, por neutralizarem os radicais livres. Pelo contrário, diz a especialista à luz dos resultados.

As evidências obtidas em laboratório demonstraram que as células cancerosas, em contacto com os componentes antioxidantes introduzidos pelos cientistas, reagem a eles incorporando-os nas suas mitocôndrias, que são as principais produtoras de radicais livres. A teoria subjacente, segundo Le Gal Beneroso, era a de que o processo iria reduzir a produção de radicais livres, bloquear os estragos que causam ao ADN e conter os cancros daí resultantes.

Outros estudos relacionam certos antioxidantes com o crescimento do cancro do pulmão – além do do melanoma maligno –, aumentando as metástases em ambos.

«No entanto, os nossos resultados mostraram-nos que não é isto que se passa. Os componentes não inibiam o cancro», explica a investigadora sueca, para quem hipoteticamente até podemos estar a ajudar as células saudáveis, ao tomarmos antioxidantes, embora não haja provas irrefutáveis de que seja esse o caso.

«Já num contexto de melanoma maligno, os tumores dos ratos cresceram significativamente mais depressa do que nos animais de controlo que não recebiam qualquer tratamento», reitera a médica, apoiada ainda noutros estudos que relacionam certos antioxidantes com o crescimento galopante do cancro do pulmão – além do do melanoma maligno –, aumentando as metástases em ambos.

E porque a alimentação, hoje em dia, pode ser uma das principais causas do cancro, veja na fotogaleria algumas dicas que a naturopata Cátia Antunes lhe deixa sobre comer melhor.