As 10 piores ameaças à saúde global em 2019, segundo a OMS

O mundo atravessa uma fase preocupante. Do aumento da mortalidade às mudanças climáticas ou à crescente resistência aos antibióticos, existem razões para preocupação no que respeita à saúde do ser humano e do planeta em que vive. A Organização Mundial de Saúde chama a atenção para as dez mais graves a nível mundial e que merecerão a sua especial atenção em 2019. Para alertar, combater, incentivar mudanças e encontrar soluções.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de iStock

POLUIÇÃO E ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Nove em cada dez pessoas respira ar poluído todos os dias. Em 2019, a OMS considera a poluição como o maior risco. As partículas poluentes que circulam no ar conseguem penetrar nos sistemas respiratório e circulatório, criando danos nos pulmões, coração, cérebro e matando cerca de sete milhões de pessoas prematuramente, todos os anos, com doenças como o cancro, doenças cardíacas e respiratórias. A primeira causa da poluição do ar – a queima de combustíveis fósseis – é também uma das grandes causas das alterações climáticas. Entre 2030 e 2050, espera-se que estas alterações causem mais de 250.000 mortes por ano, devido a malária, má nutrição, diarreia e doenças cardíacas.

DOENÇAS NÃO TRANSMISSÍVEIS

Doenças não transmissíveis como a diabetes, o cancro ou as doenças cardíacas são responsáveis por cerca de 70 por cento das mortes a nível mundial. 41 milhões de pessoas, mais precisamente. Mais de 85 por cento destas mortes acontecem em países de terceiro mundo. O aumento do número de casos deve-se ao agudizar dos fatores de risco: tabaco, crescente sedentarização; álcool em excesso, dietas prejudiciais à saúde ou poluição do ar. Estes fatores também causam mais problemas na saúde mental e muitos começam na adolescência. Metades de todas as doenças mentais surgem aos 14 anos mas não são detetadas ou tratadas. O suicídio é a segunda causa de morte entre os 15 a 19 anos.

PANDEMIA DE GRIPES SAZONAIS

O mundo vai enfrentar uma pandemia de gripe – só não se sabe quando e que repercussão terá. A OMS está constantemente a vigiar o surgimento de casos para detetar uma possível pandemia. 153 instituições em 114 países estão envolvidos no sistema de segurança e resposta a esta doença. Todos os anos a OMS recomenda quais os lugares que devem incluir a vacina da gripe para proteger as pessoas das gripes sazonais.

AMBIENTES INSEGUROS E SEM CONDIÇÕES

Mais de 1.6 mil milhões de pessoas (22% da população) vive em sítios de crise prolongada (devido a um conjunto de fatores como a seca, escassez de alimento, conflitos ou migrações). Os serviços de saúde são precários e não há cuidados médicos básicos. Ambientes com fragilidades existem em quase todas as regiões do mundo e é neles que o trabalho da OMS se concentra principalmente.

RESISTÊNCIA AOS ANTIBIÓTICOS

O desenvolvimento de antibióticos ou antivirais foram dois dos grande avanços da medicina moderna. No entanto, este pode ser um cenário em risco. A resistência aos antibióticos é cada vez mais comum e ameaça a possibilidade de podermos tratar doenças como a pneumonia, tuberculose ou gonorreia, por exemplo. E, com o passar do tempo e aumento da resistência, poderemos ter que enfrentar a incapacidade de prevenir infeções, o que poderá comprometer cirurgias ou mesmo a quimioterapia. A resistência aos medicamentos para tratar a tuberculose é um caso alarmante. 10 milhões de pessoas contraem tuberculose e 1.6 milhões morrem, por ano, devido à tuberculose. 600.000 casos resultaram em resistência aos antibióticos.

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ÉBOLA E OUTROS VÍRUS DE ALTO RISCO

Em 2018, houve dois focos de ébola separados na República Democrática do Congo. Os dois ocorreram em zonas com mais de um milhão de pessoas. Uma das províncias afetadas está também em conflito. Este cenário mostra que o contexto em que irrompe uma epidemia é fundamental para a sua expansão. A OMS identificou potenciais causas para uma situação de emergência pública e, nesta lista, inclui ébola, Zika, Nipah ou a doença X, uma patologia que pode surgir pela primeira vez e causar uma epidemia séria.

PRIMEIROS CUIDADOS PRECÁRIOS

Os primeiros cuidados básicos são o primeiro contacto de uma pessoa com o sistema de saúde do país onde reside. Deveriam, em teoria, ser abrangentes, baratos e adaptados a cada comunidade. Nem sempre é este o cenário. Muitos lugares não têm as condições básicas para atender os pacientes, sobretudo nos países de terceiro mundo. Por falta de recursos ou programas internacionais que se focam apenas numa doença, este cenário prejudica a cura efetiva de qualquer doença.

INSISTÊNCIA NA NÃO VACINAÇÃO

A resistência ou recusa da vacinação é uma situação que parece estar a crescer. Negar a vacinação – quando esta existe – ameaça reverter o processo de tratamento de doenças preveníveis por vacina. O programa de vacinas evita a morte de 2 a 3 milhões de pessoas por ano. Outras 1,5 milhões poderiam ser evitadas se os programas de vacinação melhorassem e fossem mais abrangentes.

DENGUE

A dengue é uma doença causada pela picada de um mosquito e tem sintomas parecidos aos da gripe. Esta pode ser letal e tem vindo a ser uma uma ameaça crescente há muitos anos. Grande parte dos casos conhecidos ocorre durante a época da chuva em países como o Bangladesh (em 2018, registou o número mais elevado de mortes dos últimos 20 anos), Índia ou Brasil. Esta enfermidade está lentamente a migrar de países tropicais para países com clima mais ameno. Por exemplo, o Nepal, que não tinha a tradição desta doença, registou novos casos. No total, 40 por cento do mundo atual está em risco de contrair dengue, o que perfaz cerca de 390 milhões de infeções por ano.

HIV

É inegável o progresso no tratamento do HIV, sobretudo em relação ao teste para rastreio ou o acesso a antirretrovirais (22 milhões de pessoas estão em tratamento). No entanto, esta epidemia continua a matar cerca de um milhão de pessoas, todos os anos. Desde o seu aparecimento (em 1981) que o HIV já afetou 70 milhões de pessoas e matou 35. Hoje em dia, 37 milhões pessoas em todo o mundo vivem com HIV. Um dos grupos etários que tem sido mais afetados são as jovens mulheres (de 15 a 24 anos), que estão particularmente em perigo. Na região da África subsariana, uma em cada quatro mulheres contraem o vírus.