As diferenças entre os fãs de Star Trek e Star Wars

Um fã de Star Trek encontrou um fã de Star Wars. Abrimos as hostilidades com dois adultos que ainda vibram com fantasias das «space operas» e mitologia “sci-fi”. Team Kirk ou Team Skywalker? É escolher…

Texto de Rui Pedro Tendinha | Fotografia de Filipa Bernardo/Global Imagens

«Live long and prosper» («Vida longa e próspera») vs «May the force be with you» («Que a força esteja contigo»). De um lado um fã de Star Trek, do outro um indefetível de Star Wars. Dois universos da ficção científica que ao longo de muitas décadas dividem seguidores em todo o mundo e não param de fazer aumentar o culto por dois fenómenos que ultrapassam a mera curiosidade de cultura pop.

«Regresso de Jedi? Isso só serviu para o George Lucas ganhar dinheiro com ursinhos de peluche», diz Brazuna

O fã de Star Trek é Rui Brazuna, um «trekker» que não divulga a idade e que é um dos influencers mais contundentes para uma imensa minoria. O defensor de A Guerra das Estrelas chama-se Marco Oliveira, ex-produtor de televisão e agora fotógrafo de 42 anos. Nem um nem outro têm qualquer tipo de ódio pela «estrela» alheia, mas nos EUA há realmente clivagens entre fãs.

«O meu problema com o Star Wars começou logo na primeira trilogia, só gostei dos primeiros dois filmes. Regresso de Jedi? Isso só serviu para o George Lucas ganhar dinheiro com ursinhos de peluche», diz Brazuna em tom de provocação perante o seu opositor que se desmancha a rir.

Marco Oliveira, que veste literalmente a camisola do império criado por Lucas, explica que é fã de Star Wars por ter visto o primeiro filme numa idade de formação.

«Não sou nada hater do Star Trek, mas defendo mesmo o Star Wars. Àqueles haters que dizem que o Lucas roubou tudo do Tolkien apenas digo que aqui há muitas referências… Aquilo de que gosto no Star Wars é toda a sua pureza e uma certa forma naif como contextualiza o bem e o mal em forma de saga. Se calhar, tem a ver com a minha geração, não sei…Reconheço que hoje é mais fácil ser fã de Star Trek do que Star Wars», diz Marco ao mesmo tempo que Brazuna olha para o seu pin Star Trek e lembra que viu O Caminho das Estrelas, o filme, em 1977, no Monumental. E lembra também que, sem «hypes», houve filas nas salas de cinema para o ver…

Em defesa do imaginário Star Trek, Brazuna fala ainda de toda a complexidade da série televisiva, do primeiro beijo inter-racial que aconteceu na televisão americana, na diversidade de géneros e no caráter inovador dos últimos filmes que também ultrapassou a fronteira na questão da tolerância sexual.

Uma coisa é certa, ambos têm um sonho: irem a uma das famosas convenções internacionais que arrastam fãs de todo o mundo.

«Como se isso não bastasse, o J.J. Abrams fez um Star Wars e um Star Trek e o seu Star Trek é melhor!». Mais à frente, lança mais uma boca à comunidade de fãs Star Wars e goza com Han Solo – Uma História de Star Wars, de Ron Howard, o recente fracasso deste franchise: «aquilo poderia nem ser tão mau se a Disney tivesse um bocadinho mais de “tomatinhos” e tivesse deixado os realizadores originais fazerem o que queriam…».

Não temos que os separar porque até Marco percebe que não há argumentos de defesa para obra tão sensaborona, preferindo lembrar que o primeiro «spin-of», Rogue One: Uma História de Star Wars, de Garreth Edwards é o melhor filme depois da primeira trilogia.

Uma coisa é certa, ambos têm um sonho: irem a uma das famosas convenções internacionais que arrastam fãs de todo o mundo. Só não o fizeram porque não têm dinheiro para excentricidades, mas o nosso trekker (que insiste que é insultuoso usarmos a expressão trekkie) insiste que foram os fãs de Star Trek os primeiros a instituir tal costume e ainda a série estava no ar nos anos 1960…

Marco Oliveira não vai às convenções mas tem um costume: «não falho nunca uma antestreia de um filme Star Wars. É uma tradição. E agora já levo o meu filho. Tal como eu, o puto já é um fã e no outro dia até quis rever os primeiros filmes nas minhas VHS antigas».

este ano, Star Wars vai ter mais um filme, Star Wars: Episode IX

Questão genética? «Talvez o tenha influenciado, mas julgo que esta sua paixão veio dele próprio, talvez da escola». Na verdade, na última década crê-se a Starwarsmania tenha crescido e cada vez é mais fácil encontrar sabres de luz em lojas de brinquedo. O mershandising Star Wars ajudou o fenómeno a agigantar-se.

Se este ano, Star Wars vai ter mais um filme, Star Wars: Episode IX, confirmado para o Natal, o próximo Star Trek talvez só entre em produção para o ano.