Assim se consegue que o fim de semana renda ao máximo

Passamos a semana a contar os dias que faltam para chegarmos a sábado e domingo, como se fossem o termo da nossa travessia no deserto. Mas depois há sempre tanto que fazer em tão pouco tempo que parece que um só fim de semana não chega para nada. A não ser que se saiba como tirar o máximo partido destes dois dias.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

COMECE JÁ HOJE

Sim, é sexta-feira, ainda dia de trabalho. E sim, iremos chegar ao final estoirados, a suspirar por sopas e descanso, a menos que nos treinemos a mudar o chip para entrar em modo fim de semana mal saiamos do emprego. Vá ao cinema, à praia, dançar com amigos ou fazer aquela massagem que tem andado a adiar. Aproveite bem a tarde/noite com algo que lhe dê prazer, sem considerar deixar tudo – sejam tarefas chatas ou diversão – para os próximos dois dias. O que nos leva imediatamente ao ponto seguinte.

NÃO ATAFULHE

Quem nunca chegou a domingo à noite a arrastar-se que atire a primeira pedra. E tudo porque tendemos a acumular em dois dias o que cinco não nos chegam para fazer: limpar e arrumar a casa, lavar e passar roupa, cozinhar, ir almoços de família, ao cabeleireiro, estar com os amigos, experimentar o novo japonês, encaixar mil programas. «Somos uma sociedade que está a deixar de conseguir hierarquizar valores e de saber o que merece mais atenção, mais tempo», alerta o psicólogo Vítor Rodrigues, cansado de ver tanta gente a cair em esgotamentos nestas circunstâncias. O truque é fazer pelo menos uma das coisas planeadas (de novo tarefas chatas ou diversão) a cada dia.

RENTABILIZE AS MANHÃS

Ficar a dormir até ao meio-dia é ótimo, para variar, porém a sensação com que ficamos depois é a de que a manhã está irremediavelmente perdida. Aproveite para descansar um pouco mais do que no resto da semana, mas sem abusar para poder dispor desse tempo numa caminhada, um pequeno-almoço mais demorado, um pouco de meditação, uma ida às compras, ao café, ao ginásio. Ainda segundo o psicólogo Vítor Rodrigues, um desafio que a maior parte de nós enfrenta «é justamente saber gastar tempo e energia de forma equilibrada». A começar, e porque não?, pelo próximo ponto.

NÃO SE PERCA NAS TAREFAS

Crescemos a ouvir dizer que depressa e bem não há quem, mas a verdade é que nós próprios não vamos querer agarrar-nos por demasiado tempo a uma tarefa: com tantas que temos em mãos, ficaríamos sem margem para nos dedicarmos aos pequenos prazeres que nos permitem desanuviar a cabeça. O truque é ir intercalando os projetos divertidos – ler, passear, fazer um bolo, ver uma série – com a parte aborrecida (e necessária) de limpar, lavar, arrumar, organizar. Estabeleça ainda metas temporais (do género «faço isto em 20 minutos») e concentre-se de modo a cumpri-las à risca: é da maneira que fica livre mais cedo.

DESLIGUE DO TRABALHO

Ao gerir o seu tempo com consciência durante a semana, saberá quando dizer «sim» e «não» às solicitações, de modo a conseguir o justo equilíbrio entre trabalho, família, descanso, lazer, exercício e tudo o mais que fizer parte da sua vida. E isso traduz-se em não levar trabalho para o fim de semana, dê por onde der. «Não somos super-heróis com superpoderes: somos humanos e temos limitações», justifica Catarina Gomes, investigadora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP – da Universidade de Lisboa), especialista em organização pessoal e gestão do tempo.

PLANEIE AS REFEIÇÕES

Certo: levar marmitas saudáveis para o trabalho de segunda a sexta, todas as semanas, implica prepará-las. Contudo, isso não significa virar a Gata Borralheira dos tachos, nem ter de passar um fim de semana inteiro a cozinhar: basta mudar ligeiramente as suas rotinas de forma a ir fazendo esta gestão no dia-a-dia – cozinhando mais um pouco na véspera de forma a sobrar, por exemplo, ou pondo mais uma panela ao lume enquanto prepara o jantar. «Se não está ao nosso alcance controlar o facto de um dia só ter 24 horas, é da nossa a responsabilidade não deixar que isso nos atrapalhe», observa a especialista em organização pessoal Catarina Gomes.

FAÇA LISTAS

De preferência três – uma com o que tem mesmo de fazer, outra com aquilo que gostava de aprender e uma terceira com as coisas a não fazer de modo algum (como o tal mau hábito de levar trabalho para casa). E depois é fazer por cumpri-las sem vacilar, o que significa que não vai deixar de ir à piscina só porque sente que podia estar a adiantar relatórios para a próxima semana. Nem permitir que nada se interponha entre si e aquele workshop de costura criativa com que anda a sonhar há séculos. «Ser feliz pressupõe realizarmo-nos naquilo que nós, na nossa individualidade, somos capazes de fazer», remata Vítor Rodrigues.