Ataques de pânico: o que fazer no momento

Mais de 13 por cento das pessoas está suscetível a ter um ataque de pânico. Cada um de nós pode ter pelo menos um ataque durante a vida. É um momento que gera muita ansiedade e stress. Há que saber o que se pode – e não se pode – quando acontece.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de Shutterstock

Segundo um estudo da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova para a Organização Mundial de Saúde, em Portugal, 16,5% da população sofre de perturbações relacionadas com ansiedade, que podem ser a ansiedade generalizada, fobias, pânico ou perturbação obsessivo-compulsiva. É hoje a doença mental com maior prevalência no país.

Para saber como lidar com os ataques de pânico, é fulcral saber o que são. O psicólogo Vítor Rodrigues explica: “um ataque de pânico é uma alteração intensa das sensações que a pessoa está a ter. Deve-se sobretudo à ação do stress”.

Normalmente, quem sofre de stress crónico está mais propenso a esta alteração. “Por trás dos ataques, está um nível de stress que passa do limite. Este pode ser acumulativo, ou seja, ninguém entra em pânico se está numa fase da vida calma, profundamente zen.”

A ansiedade é o principal reator para alguém sentir pânico, afirma o psicólogo. “Se está com um nível elevado de ansiedade, as hormonas do stress já estão em níveis elevados. De certo modo, o pânico é o culminar dessa acumulação, basta uma gota (uma qualquer razão, pequena que seja) para transbordar o copo”.

Vítor Rodrigues sugere medidas a tomar para quem já sofre de momentos de pânico ou para quem ter alguém próximo que passe por isso.

SABER COMO SE MANIFESTAM

Os ataques podem durar de cinco a trinta minutos, com sintomas como respiração acelerada, coração palpitante, tremores por todo o corpo e a sensação de que está doente. Se consegue identificar quais as situações que o colocam neste estado, tente evitá-los. Há também associações especializadas em atender pessoas neste tipo de situações. Tenho os contactos disponíveis para ligar.

FIQUE CALMO (TENTE, PELO MENOS)

“Se está a ter um ataque de pânico, é importante que se mentalize que vai passar ou ter alguém por perto que lhe diga o mesmo”, afirma Paul Salkovskis, professor de psicologia clínica. Não procure distrações, tente acalmar-se ou acalmar a pessoa que está em pânico e lembrar-se que é importante manter a calma, saber que vai passar.

TRANSMITA CONFIANÇA

Ataques de pânico são situações de stress extremo. As pessoas que já experienciaram afirmam que tiveram a sensação de ter um ataque cardíaco ou que iriam morrer. É vital concentrar-se na ideia de que não está em perigo. É uma situação passageira e daqui a nada estará novamente no seu estado normal. Os sintomas tendem a ter o seu pico aos 10 minutos e depois vão desaparecendo. Se necessário, anote tudo o que sentiu durante o ataque para estar prevenido quando acontecer de novo.

É IMPORTANTE RESPIRAR FUNDO

Vai ter a sensação de que não consegue respirar. É extremamente importante tentar respirar devagar e profundamente. Para conseguir, pode começar a contar em voz alta ou a levar e baixar um braço repetidamente. São exercícios eficazes para quem precisa realmente de se acalmar.

NÃO DESVALORIZE O MOMENTO

Não fazemos por mal, mas tendemos a dizer o contrário do que é recomendável nestas situações. “Calma, não entres em pânico” é uma das frases mais ditas e a que se deve mesmo evitar. É preciso evitar expressões que pareçam que não está a dar importância à situação. Faça questão de chamar a atenção às pessoas ou evite dizê-las quando estiver a presenciar o ataque de alguém.

EXERCÍCIOS DE CONCENTRAÇÃO NO PRESENTE

Uma dos sintomas mais vividos quando se está em pânico é pensar que não está na realidade, que está desligado do presente. O melhor para voltar a si é tentar técnicas que o trazem de volta como focar-se na textura de uma manta ou tapete, cheirar algo muito intenso, ou mesmo bater o pé no chão. Lembre-se disso.