Autismo: 10 sintomas a que os pais devem estar atentos

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O Transtorno do Espetro do Autismo (TEA) é uma perturbação do desenvolvimento infantil que costuma iniciar-se nos três primeiros anos de vida e inclui quatro desordens: transtorno autista, transtorno desintegrativo da infância, transtorno generalizado do desenvolvimento não especificado e Síndrome de Asperger. Também os graus com que se manifestam são variáveis e podem passar despercebidos, razão por que importa os pais estarem atentos a estes sinais de alerta.

Texto de Ana Pago

POUCO CONTACTO VISUAL
Para os neuropsicólogos do Ambulatório de Diagnóstico da APAE de São Paulo, Brasil, referência mundial no tratamento de deficiência intelectual, é este o primeiro sinal a que os pais, professores e cuidadores devem dar atenção sem, contudo, esquecerem que um traço isolado não é forçosamente sinónimo do transtorno (quase sempre marcado por uma combinação de comportamentos). Em todo o caso, se a criança evita o contacto ocular quando a chamam ou não sustenta o olhar em conversa (prefere focar os lábios), não ignore.

NÃO INTERAGE COM OS OUTROS
Igualmente importantes são as dificuldades em sorrir, utilizar expressões faciais – mesmo as mais simples – e interagir com terceiros – incluindo outras crianças, com a sua proverbial facilidade em partilhar e cooperar entre si, ainda que não o façam com adultos. De novo o aviso: se acontecer com o seu filho, fique atento à forma como este comportamento evolui.

DESINTERESSE PELAS BRINCADEIRAS
Ainda nesta linha específica das dinâmicas de grupo, importa acrescentar um desinteresse pelas brincadeiras coletivas e até mesmo a dificuldade em perceber a diversão que está a ter lugar, levando as outras crianças envolvidas ao rubro. Isto porque além de não serem naturalmente capazes de interagir, partilhar, cooperar ou jogar à vez, podem reagir mal às contrariedades e a mudanças bruscas nas rotinas.

NÃO RESPONDE PELO NOME
Acontece pontualmente com a maioria das crianças, quando estão entretidas com algo e fingem não nos ouvir para não terem de interromper a brincadeira (é aquilo a que os pais chamam de audição seletiva). Porém, avisam os especialistas da APAE que prepararam o material auxiliar para os educadores, no Transtorno do Espetro do Autismo esta falta de resposta ao serem chamados pelo nome assume contornos diferentes, mais como se os pequenos estivessem desligados, alheados, num mundo só deles.

ATRASO NA FALA
Cada criança é única, não existe um padrão definitivo e é sempre preciso ver caso a caso, etapa a etapa, razão por que é tão importante os pais estarem atentos às reações dos filhos (ninguém no mundo os conhece melhor do que eles). Posto isto, se uma criança a partir dos dois anos ainda não consegue pronunciar palavras inteligíveis ou formar frases, é de ver o que se passa no seu desenvolvimento, aconselha a terapeuta da fala Joana Rombert.

COMUNICAÇÃO NÃO-VERBAL INEXISTENTE
Comunicamos com o corpo todo, tanto quanto por palavras, o que faz com que os gestos – especialmente exuberantes e sem filtro nos mais novos – digam muitas vezes o que o vocabulário ainda não consegue. Sendo assim, o facto de não utilizarem as mãos para se fazerem entender melhor, apontarem o que querem, mimarem situações ou aproximarem/afastarem os outros de si é mais um sinal significativo a merecer a atenção dos pais.

NÃO BRINCA AO FAZ-DE-CONTA
Regra geral, crianças nascem com a capacidade inata para imaginarem, comunicarem e se relacionarem, o que significa que tenderão a criar as suas próprias histórias, a querer envolver-se nas brincadeiras dos amigos e a recriar personagens e enredos com os brinquedos que têm à mão. Não fazer nenhuma destas coisas pode querer dizer apenas que o seu filho é tímido ou solitário, mas fique atento: segundo Gabriela Marques Pereira, do serviço de pediatria do Hospital de Braga, um sintoma comum é os pequenos entregarem-se a rotinas repetitivas (a fazerem girar objetos, por exemplo), de forma isolada, sem usarem o jogo social ou de faz-de-conta.

MOVIMENTOS ESTEREOTIPADOS
Outra característica importante, ainda de acordo com a especialista do Hospital de Braga, passa por movimentos fora do comum como balançar o corpo para a frente e para trás, abanar a cabeça, hiperatividade ou gestos repetitivos com os dedos e as mãos (como se imitassem um passarinho). Estes gestos tendem a intensificar-se se a criança sente euforia, ansiedade ou tristeza.

NÃO FAZ O JOGO DA IMITAÇÃO
É outro comportamento que começa logo no primeiro meio ano de vida do bebé, tão significativo que os pais devem vigiar a sua ausência das etapas de desenvolvimento, nunca minimizá-lo. Diz-nos a terapeuta da fala Joana Rombert, especialista em neurodesenvolvimento infantil, que por norma há uma janela entre os 6 e os 9 meses em que os bebés repetem sons – “mamama”, “bababa” – antes de começarem a diversificar o balbucio e a imitar comportamentos mais complexos. Não o fazerem pode ser mais um sinal sério a ter em conta.

COMPORTAMENTOS SENSORIAIS INCOMUNS
Neste ponto cabem a sensibilidade invulgar a cheiros, sabores, ruídos fortes, manifestações táteis – as crianças podem não reagir bem a abraços e festas – e visuais (a tal dificuldade em encararem os outros de frente na interação, olhos nos olhos). É um facto que a qualidade e gravidade dos sintomas é vasta e admite diferentes combinações de pessoa para pessoa, o que dificulta aos pais a tarefa de identificarem o transtorno. Ainda assim, os filhos hão de dizer-lhes o que precisam de fazer se souberem ouvi-los.