A importância dos avós no desenvolvimento das crianças

Quem não tem memória da comidinha, dos mimos, da moeda para o gelado ou da temporada em casa dos avós nas férias de verão? É, ou não, fundamental a relação com os avós para o desenvolvimento das crianças?

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de Shutterstock

O papel dos avós no crescimento e formação das crianças tem uma importância inegável e estima-se que a crise económica dos últimos anos veio acentuar esse papel, com cerca de 30 por cento das famílias portuguesas a receberem ainda apoio financeiro dos mais velhos.

Têm uma visão da vida mais ponderada, sabem relativizar, tendem a transmitir segurança. É por isso também que, quando as coisas correm menos bem, muitos de nós recorremos aos avós para apoio e consolo. Nestas e noutras situações, há muitos benefícios nesta relação de proximidade.

Uma relação próxima com os avós resulta em maior estabilidade emocional para os miúdos

Por exemplo, existe a ideia preconcebida de que os avós mimam demasiado os netos. Dão doces sem critério, deixam de lado os horários e, por vezes, colocam mesmo em causa as regras dos pais. Mas, segundo um estudo da Universidade de Oxford, acontece exatamente o contrário.

A pesquisa concluiu que uma relação próxima com os avós resulta em maior estabilidade emocional para os miúdos. Foram analisadas 1500 crianças e aquelas que se relacionavam com os avós apresentaram maior estabilidade emocional. Também os adolescentes – sobretudo de pais separados – mostravam maior maturidade nas situações apresentadas.

Um estudo da universidade de Boston revela que as pessoas que mantinham uma relação estreita com os avós tinham menos sintomas de depressões e eram, em geral, mais felizes.

O mesmo estudo revelou ainda que avós e avôs desempenham tarefas distintas na educação dos netos. Se as mulheres tendem a focar-se mais nos aspetos educativos dos netos, os avôs optam por dedicar-se às atividades físicas e a um papel de mentor. «Os avós desempenham um papel fundamental na transmissão de valores e na integração familiar», pode ler-se no estudo.

Outra pesquisa realizada pelo Boston College analisou, entre 1985 e 2004, 374 avós e 356 netos ao longo do tempo e verificou-se que aqueles que mantinham uma relação estreita com os familiares tinham menos sintomas de depressões e eram, em geral, mais felizes.

Mas não são só os netos que beneficiam desta relação. Para os mais velhos, esta é também uma oportunidade para estarem ocupados, sentirem-se mais integrados, com maior mobilidade e a terem a sensação de que são úteis.

Avó babada assumida, a autora Isabel Stilwell não dispensa o tempo de qualidade com os netos. E, a pensar em todos os avós que se vêm aflitos para os entreter, sobretudo em altura de férias, escreveu o livro O Frasco das Memórias – Avós e Netos.

Levar e buscar na escola, fazer as refeições, levar ao desporto, muitas vezes, até deitá-los faz parte do dia-a-dia dos avós. Mas há que ter consciência dos limites. «Pode parecer um trabalho a tempo inteiro que causa angústia, stress e excesso de responsabilidade por levar a cabo ações que não lhe correspondem», explica ao El Pais Josep Paris, perito em enfermagem geriátrica.

Avó babada assumida, a autora Isabel Stilwell não dispensa o tempo de qualidade com os seus netos. E, a pensar em todos os avós que se vêm aflitos para entreter os netos, sobretudo em altura de férias, escreveu o livro O Frasco das Memórias – Avós e Netos, em que propõe atividades para fazerem em conjunto.

Chapinhar nas poças, pintar paredes a sério, lavar vidros em cima de bancos são algumas das ideias que prometem garantir recordações para a vida. Veja, na fotogaleria acima, algumas dessas propostas e coloque-as em prática.

O Frasco das Memórias – Avós e Netos
Isabel Stillwell

Ed. Livros Horizonte, 193 pg