Cantinas escolares: «Sal a mais e maus hábitos das crianças são o pior»

Está esta quarta-feira, 18, em discussão parlamentar uma petição, dez projetos de lei e cinco recomendações relacionadas com a alimentação escolar. A bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, considera que existem várias questões por resolver sobre o tema e defende que a presença de nutricionistas nas escolas poderia resolver uma parte deles.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia de Octavio Passos e Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Foram feitas 854 denúncias, 163 delas por terem sido servidos alimentos sem qualidade. A estas juntaram-se ainda 266 reclamações por falta de pessoas e 263 porque as refeições eram demasiado pequenas. Estes são os dados da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), divulgados hoje.

Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, esclarece, em declarações à Life, que tem acompanhado atentamente a matéria sobre as refeições escolares, um tema que, diz, deve entrar «verdadeiramente» na agenda política.

Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas

«Existem várias questões em relação à alimentação escolar. Em primeiro lugar, a oferta alimentar – tanto nos refeitórios, como nos bares e nas máquinas -, que tem de ser saudável e apelativa. Em segundo, é preciso que as crianças e os jovens se sintam envolvidos naquilo que é a alimentação saudável», começa por dizer a especialista.

Para a bastonária, é fundamental que se «transpire um ambiente salutogénico» nos estabelecimentos de ensino, com «comidas saudáveis e saborosas». Uma das formas de resolver esta e outras questões (como o desperdício alimentar) será colocar nutricionistas nas escolas, defende.

Para a bastonária, as ementas escolares são equilibradas, apesar de haver alguns «excessos na quantidade de sal». O problema, diz, está relacionado com os maus hábitos das crianças e jovens: «eles não levam a sopa e muitas vezes não comem a fruta».

«Tenho a certeza que a colocação de nutricionistas nas escolas iria resolver várias questões», frisa Alexandra Bento, acrescentando que, no início deste ano, a Ordem dos Nutricionistas enviou uma «proposta concreta» à secretária de Estado adjunta da Educação, Alexandra Leitão, para «mitigar as matérias da alimentação com a inserção de 30 nutricionistas nas escolas em todo o país».

Segundo o relatório da DGEstE, em média, gastou-se 37,8 milhões de euros nas 26,5 milhões de refeições que foram servidas do ano letivo que agora terminou. Alexandra Bento defende que não está em causa o investimento do Estado, mas sim a forma como este tem sido feito. «Se pensarmos, o Estado já investe bastante na alimentação escolar. O dinheiro tem de ser é bem gasto», diz.

A introdução dos referidos nutricionistas, defende, «representa uma percentagem ínfima face ao que são os gastos na alimentação escolar».

Para a bastonária, as ementas escolares são equilibradas, apesar de haver alguns «excessos na quantidade de sal». O problema, diz, está relacionado com os maus hábitos das crianças e jovens: «eles não levam a sopa e muitas vezes não comem a fruta». «É preciso fazer esforços para as crianças adquirirem hábitos e comportamentos alimentares saudáveis», sublinhou a especialista.

Partidos querem alterações nas cantinas escolares

Além da petição, PAN (Partido Animais e Natureza) e PEV (Partido Ecologista «Os Verdes») também decidiram apresentar projetos de lei e recomendações ao Governo.

O partido liderado pelo deputado André Silva quer que deixem de se servir refeições com carnes processadas e leite achocolatado às crianças do pré-escolar e do 1.º Ciclo.

Do lado do PEV, a intenção é que as escolas passem a ter uma opção de bebida vegetal. O Partido «Os Verdes» pretende ainda desincentivar «a venda de alimentos com excesso de açúcar, gordura e sal».

PCP e Bloco de Esquerda apresentaram também propostas no sentido de atribuir a gestão pública das cantinas escolares. O CDS-PP recomenda ao Governo a publicação de um relatório anual sobre a situação das refeições escolares nas escolas públicas.


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