Bondade: 10 efeitos que nos mudam a vida (mesmo a valer)

Não é ser bonzinho no sentido ingénuo da palavra, mas praticar atos de bondade porque sim, porque nos apetece, porque podemos: além do prazer que dá, estudos científicos atestam os benefícios físicos e emocionais que isso nos traz.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

PROTEGE O CORAÇÃO

É logo o primeiro efeito da bondade: proteger o órgão que, em teoria, gera todo este sentimento de calor emocional. Facto é que ser bom liberta no organismo a famosa oxitocina (a hormona do prazer), ligada à produção de óxido nítrico que dilata os vasos sanguíneos e reduz a pressão arterial. Resultado: prevenção de derrames, enfartes e uma melhor saúde cardíaca no geral.

REDUZ O STRESS

Pela mesma ordem de razões – a oxitocina a bombar em força no corpo e a atuar diretamente no sistema límbico (o cérebro mais primitivo que desencadeia respostas de stress face a situações que consideramos ameaçadoras) –, o relaxamento é imediato, com os batimentos cardíacos a normalizarem e a gerarem em uma profunda sensação de bem-estar.

TRAZ FELICIDADE

Fazer o bem produz sensações inegáveis, quase viciantes: os adeptos desta arte sabem como é. Isto porque quaisquer práticas que evoquem emoções positivas, segundo pesquisas do neurocientista americano Andrew Newberg, ativam partes do sistema de recompensa do cérebro e fazem disparar os níveis de dopamina (o neurotransmissor do prazer). Já para não falar no sentimento de pertença.

ALIVIA A DOR

O princípio é idêntico ao de quando uma criança se magoa, a mãe dá um beijinho e a dor passa – um método amoroso já comprovado cientificamente por um estudo da Universidade de Pittsburgh, EUA. No caso da bondade, os opiáceos endógenos que o corpo humano produz (endorfinas) são libertados quando ajudamos alguém, o que corta a transmissão dos impulsos de dor até ao cérebro.

ATRASA O ENVELHECIMENTO

É quase como os silogismos categóricos que aprendemos no secundário: se os dois principais culpados do envelhecimento são os radicais livres e as inflamações cardiovasculares resultantes de hábitos de vida pouco saudáveis, e se estudos indicam que a oxitocina – que aumenta com a bondade – reduz ambos, então a bondade atrasa o envelhecimento. Ótimas notícias, portanto.

REDUZ A DEPRESSÃO

Já aqui falámos de oxitocina, dopamina, endorfinas e falamos-lhe agora da serotonina, o neurotransmissor responsável por nos fazer sentir positivos e de bem connosco, em falta nas pessoas com depressão. E de novo a bondade é o melhor remédio, defende o psicoterapeuta americano Wayne Dyer, autor motivacional de renome, ao descobrir que fazer o bem dispara os níveis de serotonina no cérebro. Tanto em quem dá como em quem recebe.

AUMENTA A AUTOESTIMA

E a compaixão. E a tolerância, que nos ensina a ouvir opiniões diferentes das nossas, aprender com os erros, questionar o que nos rodeia e admitir o inesperado. Ser compassivo – gostar-se absolutamente de alguém, incluindo nós mesmos, sem qualquer expetativa de receber algo em troca – é dos sentimentos que mais nos elevam como seres humanos.

MELHORA OS RELACIONAMENTOS

Ser bondoso com alguém encurta naturalmente a distância emocional entre duas pessoas ao fazê-las respeitarem-se mais e compreenderem-se melhor. Além de que pensar em termos de partilha com as pessoas à nossa volta torna mais fácil aceitar que tudo o que nos acontece na vida – as coisas boas e as menos boas – são sempre importantes para o nosso próprio crescimento pessoal.

COMBATE O BULLYING

Ainda na sequência do ponto anterior, duas especialistas em educação norte-americanas, Shanetia Clark e Barbara Marinak, lamentam que os adolescentes de hoje estejam constantemente a atacar-se, ao contrário das gerações anteriores. E aqui, dizem, apenas programas escolares que integrem a bondade – por oposição à violência e à vitimização típicas do assédio – podem travar o bullying.

ALARGA HORIZONTES

Costuma dizer-se que com os problemas dos outros podemos nós bem, mas se calhar basta-nos levantar o nariz do próprio umbigo para descobrir quem tenha razões mais graves para reclamar. Por vezes, é mesmo só do que precisamos: querer ajudar alguém para conseguirmos reparar que a vida raramente é preto no branco e nunca, mas nunca, devemos julgar ninguém pelas aparências.