«Quando o médico me disse que tinha um cancro no estômago, caiu-me tudo»

Este domingo, assinala-se o Dia Nacional de Cancro Digestivo, doença responsável por cerca de 107 mil mortes por ano a nível mundial. Entre os tumores digestivos, o cancro do estômago é um dos mais mortíferos. Saiba mais sobre este tumor, através do testemunho de Filipe Saldanha e das explicações do especialista Mendes Almeida.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

É um dos cancros mais mortíferos em Portugal, logo a seguir ao cancro do pulmão e do cólon, e o número de doentes com esta patologia tem vindo a aumentar. Só este ano, registaram-se cerca de um milhão de novos casos de cancro do estômago, de acordo com os dados da Agência Internacional para a Investigação do Cancro.

Filipe Saldanha, de 50 anos, é um dos casos contabilizados nos números deste ano. Em junho pediu à sua médica de família para realizar uma endoscopia «de rotina, devido a alguns problemas de estômago que já tinha tido».

Em julho recebeu «A» chamada. Do hospital pediram-lhe que se deslocasse às instalações da CUF para falar com o médico sobre os exames que tinha realizado. Previu de imediato más notícias. «Quando o médico me disse que tinha um tumor maligno no estômago caiu-me tudo», diz.

«Há uma grande incidência de cancro do estômago na Europa. Em Portugal centra-se especialmente na zona litoral Norte do país»

No entanto, de acordo com o professor Mendes Almeida, médico que tem acompanhado Filipe Saldanha, quando a doença é «tratada na sua fase inicial», a taxa de sucesso é enorme: «ronda os 90 por cento».

«Há uma grande incidência de cancro do estômago na Europa. Em Portugal centra-se especialmente na zona litoral Norte do país e o número de casos aumenta a partir dos 60 anos», explica o especialista da CUF.

Entre os fatores de risco para o surgimento deste tipo de cancro está a chamada «infeção por Helicobacter Pylori», bactéria que provoca inflamações e úlceras no estômago, ou a gastrite crónica. Alguns estudos sugerem também que uma alimentação rica em alimentos fumados e pobre em vegetais e fruta pode ser uma das causas para o aparecimento de cancro do estômago.

«Como qualquer pessoa, assim que percebi do que se tratava fui à Internet e vi o que queria e o que não queria. Foi uma asneira», diz Filipe Saldanha.

Os sinais associados a esta patologia podem ser muito distintos. De acordo com o médico Mendes Almeida, os sintomas manifestam-se de várias formas e normalmente são «bastante discretos».

«O que as pessoas sentem é dificuldades em fazer a digestão, sensação de queimadura no esófago, vómitos sem razão aparente, pouco apetite, sensação que está sempre cheio e anemia», diz o especialista da CUF.

Filipe, casado e pai de dois filhos, desconhecia completamente os sinais e contornos do cancro do estômago. «Na altura não tinha ideia nenhuma do que era. Foi tudo uma novidade para mim. Como qualquer pessoa, assim que percebi do que se tratava fui à Internet e vi o que queria e o que não queria. Foi uma asneira», lembra o motorista de carros turísticos.

A cirurgia – chamada de gastrectomia – é uma das formas de tratamento deste tumor, que consiste na remoção parcial ou total do estômago e dos gânglios linfáticos vizinhos. Filipe foi operado há dois meses e está agora em fase de adaptação.

Por vezes, os doentes podem necessitar de repor algumas necessidades em falta no organismo após a operação, indica o médico especialista

«Durante uma fase inicial, logo após a operação, o organismo tem de se habituar à sua nova vida. Mas diria que a maioria dos doentes recupera muito rapidamente. Passado uns tempos já podem comer de tudo», explica o especialista.

Acrescentando: «só em alguns casos é que é necessário repor algumas necessidades em falta no organismo, como ferro, por exemplo, ou alguma vitamina».

Nesta fase, Filipe recorre à suplementação de vitamina D através de injeções e tem agora consultas de nutrição para enquadrar a sua dieta da melhor forma. «Atualmente posso comer de tudo. A indicação que tenho é para ir experimentado e ver como o corpo reage», salienta.

A propósito do Dia Nacional do Cancro Digestivo, a Associação Portuguesa de Nutrição partilhou um vídeo com seis passos para ter um sistema digestivo saudável. Veja-o aqui:

Veja através da fotogaleria alguns dos sintomas mais frequentes deste tipo de tumor.