Cancro do Pâncreas: «As pessoas pensam que se morre em seis meses e não há nada a fazer. Mas há»

Estima-se que em 2030 seja a segunda doença oncológica com mais prevalência no mundo, sendo que é já uma das mais mortíferas. Conheça a história de Fernanda Saldanha, diagnosticada em janeiro, e os sintomas e fatores de risco associados ao cancro do pâncreas.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia ShutterStock

Mais de mil pessoas são diagnosticadas com cancro do pâncreas diariamente no mundo inteiro. Em Portugal, 1200 novos casos surgem todos os anos. Fernanda Saldanha é mais um dos casos que apareceram este ano.

Em janeiro último, após uma indisposição e enjoos decidiu ir às urgências. As notícias não foram as esperadas: «naquela altura achava que estava indisposta por causa dos excessos normais do Natal e da passagem de ano. Mas não».

Morreram mais de 77 mil pessoas com a doença em 2012.

Depois de realizar exames e um TAC, o nódulo e a ressonância vieram confirmar do que se tratava: cancro do pâncreas. Esta é uma das doenças mais mortíferas. Em 2012, de acordo com os dados Observatório Europeu do Cancro, morreram mais de 77 mil pessoas com a doença.

Vítor Neves, presidente da Europacolon Portugal, sublinha a «baixa taxa de sobrevivência das pessoas diagnosticadas com cancro do pâncreas» e reforça a importância do diagnóstico precoce, uma vez que «grande parte das pessoas descobre que tem a doença numa fase já bastante avançada».

«Normalmente, é uma doença silenciosa e só 2 a 10 por cento dos casos conseguem perceber a tempo de fazer o tratamento», refere.

«Os tratamentos podem ser muito difíceis, provocam enjoos, dores abdominais e sensação de picadelas nos pés, mas não se pode desistir, isso não»

Fernanda Saldanha, que descobriu «nem numa fase inicial nem avançada», recorda que quando foi diagnosticada quis desistir de imediato e recusar o tratamento. «Quando me disseram que era cancro do pâncreas pensei logo que não valia a pena tratar-me. Dizia muitas vezes que preferia ter o resto da vida mais ou menos bem do que sujeitar-me aos tratamentos. Foi o médico que me convenceu a iniciar logo a quimioterapia», lembra a doente, atualmente em tratamento.

Depois de um primeiro tratamento, Fernanda Saldanha começou em setembro uma quimioterapia «mais agressiva». Neste momento, recusa-se a baixar os braços e apoia-se na luta diária. «Agora tenho esperança e quero lutar para combater a doença. É importante que as pessoas lutem e que não se deixem ficar. Os tratamentos podem ser muito difíceis, provocam enjoos, dores abdominais e sensação de picadelas nos pés, mas não se pode desistir, isso não», sublinha.

Fatores de risco no cancro do pâncreas:

  • Tabagismo;
  • Excesso de peso ou obesidade;
  • Tendência a desenvolver pancreatite;
  • Pessoas com diabetes;
  • Histórico familiar;
  • Idade avançada;

A Europacolon Portugal está atualmente a desenvolver atividades para assinalar o Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, a 15 de novembro, no sentido de alertar para a importância do diagnóstico precoce e do aumento da literacia em relação à doença.

«Como não há um rastreio que se possa fazer, a Europacolon tenta alertar para a importância do diagnóstico precoce. Temos feito isto através do aumento da literacia em relação aos sinais e sintomas», começa por explicar Vítor Neves.

«Outro dos objetivos é aumentar a proximidade com os médicos de forma a sensibilizá-los para que façam mais exames como a TAC para conseguirem despistar a doença», diz.

«Grande parte dos doentes é diagnosticada nas urgências e numa fase já muito avançada da doença. Nos casos de cancro do pâncreas, há o hábito de as pessoas pensarem que se morre ao fim de seis meses e que não há nada a fazer. Mas há muito a fazer ainda», reforça o presidente da organização.

A Europacolon Portugal vai assinalar o Dia Mundial do Cancro Pancreático no Auditório Ipatimup, no Porto, com um debate sobre o tema.

Nota: A Europacolon disponibiliza uma linha de apoio para esclarecer as suas dúvidas: 808 200 199