Cancro vai matar quase 10 milhões de pessoas em 2018

Este é o resultado de uma estimativa apresentada pela Agência Internacional para a Investigação do Cancro, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de iStock

Falar de cancro é sempre difícil. É palavra pesada. No entanto, todos temos uma história para contar. Vivida na primeira pessoa ou por alguém que nos é próximo. E estes indicadores mostram que cada vez mais assim será.

O relatório recolheu dados sobre casos da doença em 185 países. Concluiu-se que, no total, em 2018, serão contabilizados 18.1 milhões de novos diagnósticos de cancro e 9.6 milhões de mortes.

O cancro no pulmão surge como a principal causa de morte (1.8 milhões) e com um número elevado de diagnóstico (2.1 milhões).

Estes números marcam um aumento desde 2012, quando os diagnósticos estavam nos 14.1 milhões e as mortes nos 8.2 milhões. O estudo diz que um em cada oito homens vai morrer de cancro. Nas mulheres, o rácio é de uma para cada onze. Dá que pensar.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de novos casos de cancro em Portugal pode ultrapassar os 58 mil, e as mortes por doença oncológica devem chegar às 29 mil.

O cancro no pulmão surge como a principal causa de morte (1.8 milhões) e com um número elevado de diagnóstico (2.1 milhões). Os homens continuam a ser os mais afetados este ano (1.3 milhões de casos para 725 mil mulheres), no entanto, «é um aumento preocupante de pacientes femininas», diz Encarnação Teixeira, pneumologista há 30 anos.

«Há mais diagnósticos. Apesar de tudo, os métodos são mais sofisticados, temos melhor compreensão da doença», diz a médica Encarnação Teixeira.

Os números estão cada vez mais elevados não só pelo estilo de vida que levamos mas também porque «há mais diagnósticos. Apesar de tudo, os métodos são mais sofisticados, temos melhor compreensão da doença», diz a médica.

Mas mesmo assim, não é suficiente, sobretudo em casos de cancro no pulmão. «A elevada mortalidade deve-se ao diagnóstico em fases já muito avançadas, em que só existe a possibilidade de fazer quimioterapia ou imunoterapia, ou seja, diminuir o sofrimento do doente. Mas não a cura total.»

Quase metade dos novos casos e mais de 50% dos óbitos é provável que aconteça na Ásia, onde vive cerca de 60% da população mundial.

Da lista constam também o cancro da mama, do colo retal, próstata e estômago. O cancro da mama deverá somar uns assustadores 2.1 milhões de novos diagnósticos este ano. Ainda assim, o estudo diz que, devido à eficácia dos tratamentos – pelo menos nos países desenvolvidos – o número de mortes é (tendo em conta o cenário) modesto – 627 mil.

A incidência dos casos varia consideravelmente, dependendo da situação geográfica e socioeconómica de cada país. Quase metade dos novos casos e mais de 50% dos óbitos é provável que aconteça na Ásia, onde vive cerca de 60% da população mundial.

África conta com 5.8% dos casos de cancro mas 7.3% das mortes. É compreensível se olharmos para a falta – ou mesmo inexistência – de tratamento médico adequado em vários países.

O impacto global desta doença torna ainda mais importante a opção por um estilo de vida saudável. Até 40% dos novos casos poderiam ser evitados se os pacientes tivessem reduzido a exposição a fatores de risco como tabaco ou álcool.

O impacto global desta doença torna ainda mais importante a opção por um estilo de vida saudável. Embora não exista uma «vacina» contra o cancro, de acordo com o estudo até 40% dos novos casos poderiam ser evitados se os pacientes tivessem reduzido ativamente a exposição a fatores de risco, como tabaco ou álcool.

«Não podemos dizer que o cancro do pulmão desaparecia se deixássemos de fumar. Mas que o número de casos reduzia, isso é certo», conclui a pneumologista.