Casais que usam esta palavra têm relações mais felizes, segundo a ciência

Todos temos pelo menos um casal meloso no nosso círculo de amigos e tudo indica que eles é que estão certos. Embora para quem está de fora possa ser um aborrecimento tanta fofice.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Telefonam-se todas as manhãs e todas as noites para mandarem beijos um ao outro. Lembram-se constantemente que se amam. Chega até a ser difícil perguntar-lhes se gostam de sushi ou querem ir ao cinema, porque a resposta é invariavelmente «gostamos» ou «não sei se podemos», como se fossem uma só pessoa em vez de duas.

É um facto que tanto mel resulta num aborrecimento de morte para os amigos destes siameses relacionais, porém uma pesquisa da Universidade da Califórnia em Riverside, EUA, publicada no Journal of Social and Personal Relationships, concluiu que sim, fazem muito bem. Estão no caminho certo para o sucesso conjugal.

Dizer «nós» traduz-se numa relação mais bem-sucedida em vários contextos.

«Ouvirmo-nos a nós mesmos ou ao parceiro a dizer “nós” pode transformar formas individualistas de pensar noutras mais interdependentes, o que por sua vez se traduz numa relação mais bem-sucedida em vários contextos, em qualquer idade, seja homem ou mulher», explica a psicóloga Megan Robbins, uma das autoras da investigação.

Após analisar a fundo 30 estudos anteriores envolvendo cerca de 5300 participantes, em áreas tão diversas como saúde física, saúde mental, satisfação na relação, comportamentos a dois e cuidados que cada um tinha consigo, tornou-se ainda evidente que pares que usam o pronome «nós» são mais felizes e saudáveis em si mesmos, além de o serem com o outro.

Pares que usam o pronome «nós» são mais felizes e saudáveis em si mesmos, além de o serem com o outro.

Resta saber o que é que conduz a quê, aqui: se é falar em nome dos dois o responsável por tanta fortuna amorosa? Ou se os casais usam o «nós» com frequência quando, pelo contrário, já são felizes e não imaginam a vida sem o outro?

Para Megan Robbins, ambas as hipóteses são verdadeiras. E nem importa muito saber se aquilo que nasceu primeiro na relação foi o ovo ou a galinha, desde que exista entre o casal a tal interdependência que faz cada um dizer «queremos ir ao sushi, mas não sabemos se dá para sair na sexta».

E por falar em felicidade conjugal, descubra na fotogaleria alguns mitos que convém rebater o quanto antes para não prejudicá-la irremediavelmente.