Escola: como os centros de estudos podem ajudar os pais nestes tempos difíceis

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Estamos sempre a ouvir dizer que a aprendizagem é contínua, não se pode deixar tudo para a última hora, não há milagre que salve quem o fizer. Ainda assim, um centro de estudos pode dar o empurrão que faltava ao seu filho neste terceiro período. Seja a não chumbar o ano ou a melhorar as notas.

Texto de Ana Pago | Fotografia de João Silva/Global Imagens

Marina Bravo lia os recados na caderneta e sentia-se impotente: “É inteligente mas muito distraído”, escrevia um professor, farto dos sermões que dava ao miúdo dia sim, dia sim. “Aprende com facilidade e seria excelente se não estivesse sempre na conversa”, queixava-se outro, tão agastado com o desperdício de talento como o colega. Foi quando Marina decidiu inscrever o filho de 13 anos num centro de estudos ao pé de casa, na Amadora. Dali não passava. Era para o bem dele.

“Pus o Gabriel no Grandes Ideias em setembro, no início do ano letivo, e tornou-se um aluno diferente”, conta a mãe, técnica de emergência hospitalar. No centro ele tem o acompanhamento de professores nos trabalhos de casa, preparação para os testes, aulas de inglês nativo. Como o espaço funciona todo o ano, há a garantia de que mesmo nas férias tem onde ficar, com atividades para fazer. “Nunca mais precisei de ir confirmar se fez os TPC, porque sei que sim, e houve uma melhoria acentuada nas notas em geral”, diz.

Desde que começou a receber apoio aumentou a produtividade escolar e subiu a autoestima, o que contribuiu para ter motivação e competitividade face aos colegas com melhores notas”, diz a mãe de Gabriel.

E tudo porque uma das maiores vantagens de um centro de estudos é apoiar a família na tarefa de ajudar os filhos a estudar ou a fazer os trabalhos de casa, explica a psicóloga Ana Manta, autora de Motivar os Filhos Para o Estudo (Clube do Autor). “Muitas vezes a relação familiar é posta em causa por cansaço, por falta de paciência após um dia de trabalho, e neste ponto é importante os pais perceberem que estão a chegar ao seu limite emocional e pedirem esse auxílio”, garante.

Foi o que fez Marina Bravo ao inscrever não só Gabriel, no 8.º ano, como a filha Beatriz de 7 anos, aluna da 2.ª classe: “No caso dele, desde que começou a receber apoio aumentou a produtividade escolar e subiu a autoestima, o que contribuiu para ter motivação e competitividade face aos colegas com melhores notas”, diz a mãe, que no segundo período reforçou a dose com explicações individuais de matemática ao vê-lo aflito na disciplina, com resultados fracos.

Um dos motivos que leva os pais a recorrerem a centros de estudos é não terem de se adaptar aos novos programas ou à forma de ensinar dos professores.

“No caso da Beatriz, que tem dislexia, beneficia da mesma orientação do irmão nos TPC e na definição do tempo de estudo – o que os liberta para brincarem e descansarem quando chegam a casa –, mas depois faz também acompanhamento de terapia da fala no próprio centro”, acrescenta Marina Bravo. É ouro sobre azul, reconhece: “Uma vez que as sessões são no período em que ela está no Grandes Ideias, isso liberta-me a mim da preocupação de ter que levá-la onde quer que seja, o que é um descanso.”

Segundo Ana Manta, um outro motivo de peso para os pais recorrerem a centros de estudos pode ser o facto de não se estarem a adaptar aos novos programas, ou até à forma de ensinar do professor dos filhos: “Lá estão a par dos currículos escolares, muitas vezes trabalham em parceria com as escolas”, indica a psicóloga.

Preparar para a escola e para a vida

Se vale a pena inscrever as crianças nesta derradeira fase do campeonato em que tudo se decide, mesmo sabendo que a avaliação é contínua? “Vale sempre a pena se for para elas ultrapassarem dificuldades específicas ou criarem uma rotina de estudo”, defende Ana Manta, considerando mais fácil fazê-lo com a ajuda de profissionais na área da educação do que em casa: “Da minha experiência, alguns miúdos só precisam de um empurrãozinho para se sentirem confiantes e saírem fortalecidos no seu processo de aprendizagem.”

Isto apesar de ser preferível não deixar tudo para a reta final, ressalva o psicólogo Nuno Francisco Maia, que em 2008 fundou a academia de desenvolvimento pessoal Ousar Crescer, em Algés – acha redutor chamar-lhe um centro de estudos – para ajudar pais e filhos a construir ferramentas educativas e familiares.

Muitas vezes é difícil para os pais entenderem isto, mas há certos projetos em que não se trabalha apenas para a nota.

“No dia-a-dia adaptamo-nos ao que eles trazem da escola, porém o estudo contém um método que se aplica à vida em geral”, afirma o responsável. Tem a ver com disciplina, perseverança, resistência à frustração (atributos que requerem continuidade até serem interiorizados). “Com autoconfiança e a capacidade de desconstruir problemas, descobrindo o caminho para alcançar metas que antes lhes pareciam impossíveis”, explica o gestor educacional. Muitas vezes é difícil para os pais entenderem isto, mas há certos projetos em que não se trabalha apenas para a nota.

“Aos alunos connosco desde o primeiro período digo que agora é uma questão de aprimorar, de limar o que tem sido feito”, concorda Marta Vieira, professora de 1.º ciclo e diretora pedagógica da Sala da Marta – um centro de explicações e apoio ao estudo em Lisboa, com quase 70 inscritos. Aos outros, que chegam em busca de suporte para não perderem o ano, dá o tal incentivo de que falava a psicóloga Ana Manta e ajuda-os a gerir o tempo e as expectativas.

“Se têm cinco testes vemos qual é o primeiro, que disciplinas custam mais, definimos objetivos e método”, revela a responsável da Sala da Marta. É certo que irão sprintar até ao fim: vai ser tudo ou nada antes das férias. Mas também os ensinam a respirar, a não ceder ao pânico. “Acima de tudo conhecemo-los tão bem, a proximidade é tanta, que conseguimos individualizar este trabalho sem eles sentirem que são apenas mais um no centro, em vez do Francisco, da Luísa ou da Diana”, diz.

Uma aldeia para educar

É muito mais simples abrir um centro de estudos do que uma creche, infantário, colégio ou escola, sujeitos a mil requisitos por serem tutelados pela Segurança Social ou o Ministério da Educação, o que é uma vantagem inegável, que tem feito crescer o negócio. “Centros de estudos entram na área mais abrangente das atividades educativas não especificadas, não têm propriamente uma tutela, então somos um pouco como uma loja aberta ao público”, compara Nuno Francisco Maia, da Ousar Crescer.

Óbvio que têm de cumprir regras de segurança. À parte isso vivem essencialmente do passa-a-palavra: “Temos muitos alunos que são irmãos, alunos a quem colegas da turma falaram de nós, até alunos que vêm porque fomos referenciados por professores da escola onde andam”, orgulha-se o mentor da academia, sempre disponível para reunir com quem quiser falar. “Sabe aquele ditado que diz ser preciso uma aldeia para educar os mais novos? Nós por cá acreditamos mesmo nisso.”

E os pais, como podem ajudar as suas crianças?

De preferência participando na orientação da estratégia de estudo, mas sem fazerem as coisas pelos filhos, estabelece a psicóloga Ana Manta. “Podem, inclusivamente, ir já pensando em preparar melhor o próximo ano letivo, com uma base mais sólida desde o início, em que o apoio dos centros de estudos será novamente útil”, reforça.

Por agora, são estes os conselhos que deixa para facilitar a vida a todos lá em casa:

– Estabeleça rotinas bem definidas, com as horas de estudo a serem intercaladas com horas de brincadeira/lazer.

– Deixe as tecnologias longe do espaço de estudo.

– Por cada 20 a 30 minutos de estudo permita um intervalo de dez minutos (a atenção dos mais novos não aguenta muito mais).

– Uma boa rotina de sono é fundamental para a concentração – assegure-se de que ela existe.

– Assegure uma alimentação equilibrada, cortando no açúcar em época de estudo (prejudica a concentração) e substituindo-o por snacks de frutos secos ou chocolate negro.

– Motive os jovens estudantes definindo com eles objetivos que sejam concretizáveis.

– E por último, mas não menos importante, dê-lhes bastante mimo. Esta é sempre uma época de grande ansiedade e nervosismo, pelo que um pouco de colo vai fazer muita falta.