Afinal, há mesmo um chocolate que não engorda, segundo a ciência

É capaz de ser das melhores notícias dos últimos tempos: os efeitos do chocolate para a saúde são reais. Incluindo o de não dar cabo do processo de emagrecimento.

Texto de Ana Pago | Fotografias da iStock

Quem gosta de chocolate sabe como é: compra algumas tabletes para ter em casa – de certeza vão durar imenso tempo – e na primeira noite despacha logo três a ver séries.

Parece que quanto mais comemos, mais se intensifica o desejo de repetir a experiência quase sensual do chocolate a derreter na boca, até ao último quadrado. Daí saberem tão bem estas notícias que a ciência nos traz.

Uma equipa de cientistas da Universidade de Cambridge concebeu um chocolate funcional que não engorda.

Cientistas da Universidade de Cambridge, Inglaterra, levaram a bom termo a missão impossível (ou assim nos parecia a todos) de criar um chocolate que não engorda, contabiliza só 38 calorias e pode ser consumido diariamente, inclusive por diabéticos.

Como se isto, por si só, não fosse já a oitava maravilha do mundo, os investigadores garantem que 7,5 gramas diárias de Esthechoc – é esse o nome do novo melhor amigo dos chocolatómanos – parece deixar quem o come 20 anos mais novo, ao melhorar a circulação sanguínea e aportar ao organismo maiores índices de antioxidantes que atrasam a pele flácida e o aparecimento de rugas.

«Toda a gente envelhece, contudo espera-se que o produto nos ajude a ter algum controle sobre essa evolução ao abrandar o envelhecimento dos tecidos e inibir os processos responsáveis por ele», sublinha o investigador Ivan Petyaev, da Universidade de Cambridge, que durante dez anos estudou a fundo os mecanismos moleculares do envelhecimento, polifenóis do cacau e radicais livres.

Estudos mostram que comer chocolate regularmente, aliado à pratica de exercício e de uma alimentação saudável, resulta numa maior redução do peso corporal.

Esthechoc à parte, podemos sempre contar com a ajuda do chocolate negro para sermos magros e saudáveis, desde que pouco processado e o mais natural possível, com um mínimo de 70 por cento de cacau de modo a preservar os flavonoides – um antioxidante reconhecido na prevenção da obesidade, diabetes e doença cardiovascular.

«Parece contraditório, porém estudos científicos concluem que as pessoas que fazem uma alimentação equilibrada, praticam exercício físico regular e comem chocolate com frequência conseguem uma maior redução do índice de massa corporal, logo do peso corporal», aponta o nutricionista Alexandre Fernandes, autor do livro Dieta do Chocolate (da Planeta Editora).

segredo é ter bom senso na hora de escolher, consumir e apreciar chocolate.

Óbvio que exceder-se todos os dias pode arruinar a dieta, mas segundo ele é possível perder até seis quilos em 21 dias sem renunciar ao prazer. «Treine a mente, as emoções e o corpo quando estiver a saborear a quantidade de chocolate permitida [difere de homens para mulheres, do peso que se tem, do que se perder].»

O segredo, diz, é ter bom senso na hora de escolher, consumir e apreciar (muito diferente de devorar). «Ao fim de algum tempo vai acostumar-se às pequenas quantidades e sentir-se orgulhoso e confortável.»

Will Clower, reputado neurocientista e nutricionista norte-americano, confirma ser do cacau que provém a maioria das propriedades benéficas do chocolate, como as catequinas e epicatequinas (outras duas espécies de antioxidantes). Também ele podia passar o dia a citar experiências que comprovam que o chocolate com elevada percentagem de cacau «é bom para o coração, a pele, o equilíbrio emocional, a prevenção de doenças oncológicas, o atraso da progressão da diabetes e até para acelerar o metabolismo».

Ciência reconhece os efeitos protetores do cacau na doença de Alzheimer e o seu potencial na prevenção do cancro.

Uma pesquisa de investigadores italianos da Universidade de L’Aquila, divulgada no portal de artigos de biomedicina PubMed, validou os efeitos neuroprotetores e preventivos do cacau na doença de Alzheimer. Outra, realizada pelo Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos e Nutrição, em Madrid, demonstrou o potencial dos polifenóis do cacau na prevenção do cancro.

«Consumido com moderação é um elixir de alegria e prazer com a vida e os outros», sublinha o nutricionista Alexandre Fernandes, lembrando que a quantidade de antioxidantes no chocolate é cerca de oito vezes superior à do morango. «Promove ainda uma sensação de relaxamento e bem-estar ao ajudar a produzir e libertar serotonina no organismo, além de inibir o apetite se consumido em jejum pela manhã.»

Se entretanto quiser aprender a identificar um bom chocolate, dizemos-lhe como usar os cinco sentidos para fazê-lo na fotogaleria. Vai um bocadinho?