Começa hoje a vacinação contra a gripe e o meu pai não quer fazer a vacina

Vacina da gripe

Mas 72 anos e uma doença pulmonar são pelo menos duas boas razões para a fazer. É o que diz a Direção-Geral de Saúde, que recomenda fortemente a vacina da gripe a pessoas com mais de 65 anos, doentes crónicos dos pulmões, coração, rins ou fígado, imunodeprimidos, grávidas, profissionais de saúde e bombeiros.

Texto de Catarina Pires | Fotografia de i-Stock

Antes de começar a escrever este artigo, liguei aos meus pais, a lembrá-los que deviam fazer a vacina da gripe. Têm ambos mais de 65 anos. A minha mãe disse que sim, o meu pai diz que não precisa, porque vai fazer ou já fez a vacinação antipneumocócica. Ele tem 72 anos, problemas pulmonares e é teimoso. Depois do telefonema, decidi inclui-lo no artigo, a ver se muda de ideias.

A gripe e a pneumonia são duas doenças diferentes, daí que existam vacinas contra uma e contra outra. E que podem até ser dadas no mesmo dia, desde que em braços diferentes.

A vacina antipneumocócica previne a infeção com a bactéria da Streptococcus pneumonia, que é responsável pelos casos mais frequentes de pneumonia bacteriana, e é também recomendada a indivíduos com 65 anos ou mais e aos que apresentam doenças crónicas.

A vacina da gripe, que este ano é, pela primeira vez em Portugal, tetravalente, protege de quatro estirpes de vírus, duas do tipo A (H1N1 e H3N2) e duas do tipo B (linhagem Victoria e linhagem Yamagata).

A gripe, em geral, não é uma doença grave e cura-se espontaneamente em alguns dias, mas em pessoas com mais de 65 anos, com doenças crónicas ou com o sistema imunitário debilitado, existe maior probabilidade de dar origem a complicações, que podem ser graves, nomeadamente, pneumonia e/ou descompensação da doença de base (asma, diabetes, doença cardíaca, pulmonar ou renal), e a vacina não só previne a gripe como estas complicações.

No sentido de diminuir a prevalência da doença nos grupos mais vulneráveis, o Serviço Nacional de Saúde tem a partir de hoje, disponíveis, cerca de 1,4 milhões de vacinas, nos quais foram gastos cerca de 11 milhões de euros, o dobro do ano passado, e que, de acordo com comunicado da Direção-Geral de Saúde, será “gratuita para os cidadãos com idade igual ou superior a 65 anos, para pessoas residentes ou internadas em instituições, para pessoas com algumas doenças definidas, para profissionais de saúde do SNS e para os bombeiros”. Para a restante população, a vacina pode ser adquirida na farmácia, com receita médica, beneficiando de uma comparticipação de 37 por cento.

Qual é a dúvida, pai e restantes teimosos seniores?

Se ainda têm alguma, vejam este vídeo e as perguntas & respostas abaixo.

Perguntas & respostas (segundo a DGS)

Como se evita a gripe?

A gripe pode ser evitada através da vacinação anual. Evitar o contacto com pessoas com a doença e lavar frequentemente as mãos ajudam a diminuir a probabilidade de contágio.

Quem deve ser vacinado contra a gripe?

Devem ser vacinadas as pessoas que têm maior risco de sofrer complicações depois da gripe: com 65 e mais anos de idade, principalmente se residirem em instituições; com doenças crónicas dos pulmões, do coração, dos rins ou do fígado; com diabetes em tratamento; com outras doenças que diminuam a resistência às infeções; grávidas (No caso das mulheres grávidas, além da prevenção da infeção, a imunização contribui, mais tarde, para a proteção do recém-nascido, que não pode receber a vacina antes dos seis meses de idade.)

Quem não deve ser vacinado contra a gripe?

As pessoas com alergia grave ao ovo ou que tenham tido uma reação alérgica grave a uma dose anterior da vacina contra a gripe.

A vacina contra a gripe funciona?

Sim. A vacinação reduz muito o risco de contrair a infeção. Se for infetada, a pessoa vacinada terá um menor risco de ter complicações.

A vacina pode provocar a gripe?

Não. A vacina contra a gripe não contém vírus vivos, pelo que não pode provocar a doença. No entanto, as pessoas vacinadas podem contrair outras infeções respiratórias virais que ocorrem durante a época de gripe e para as quais não há vacina.

A vacina dá proteção a longo prazo?

Não. O vírus muda constantemente, surgindo novos tipos de vírus para os quais as pessoas não têm imunidade e a vacina anterior não confere proteção adequada. Por isso a vacina é diferente em cada ano.

Quando deve ser feita a vacinação?

Como, em Portugal, o pico da atividade gripal tem ocorrido entre dezembro e fevereiro, a vacinação deve ser feita, preferencialmente até ao final do ano, podendo, no entanto, decorrer durante todo o outono e inverno.