Comer para aliviar a ansiedade é um problema. Aprenda a lidar com ele

Ansiedade. Uma das palavras que entrou no nosso vocabulário diário e que parece ter vindo para ficar. Não é novidade que andamos todos a arranjar estratégias para tentar fugir dele. E uma das mais comuns é refugiar-se na comida. Os distúrbios alimentares relacionados com a acumulação de stress são cada vez mais recorrentes e é urgente perceber como podem ser travados.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia Shutterstock

Problemas no trabalho, relacionamentos amorosos, dinheiro, insegurança, amigos, problemas de saúde. Quase todas as questões relacionadas com a nossa vida causam-nos stress. Vivemos num tempo em que nos é exigida perfeição e empenho total a todas as horas do dia. É difícil que esta pressão constante não seja causadora de alguma ansiedade.

Enquanto algumas pessoas conseguem ligar bem com a situação, outras nem tanto. A comida oferece um alívio imediato de uma sensação de satisfação que pode tornar-se viciante. E não resolve a ansiedade.

A comida é usada como «mecanismo de dormência», diz Amanda Baten, formada em psicologia na área de nutrição.

Mas porquê comida? As hormonas explicam. O stress crónico causa o aumento do cortisol, uma das hormonas que nos ajuda a regular os níveis de ansiedade e sensação de bem-estar. «Ganha-se a sensação de fome quando estamos tão stressados que a produção de cortisol afeta realmente o nosso apetite», explica à Time a nutricionista Allison Knott.

No entanto, na grande maioria das vezes, a comida é usada como «mecanismo de dormência», diz Amanda Baten, formada em psicologia na área de nutrição. «É uma estratégia de distração, exatamente da mesma forma que o álcool, drogas, sexo ou televisão são usados para recalcar sentimentos negativos e sofrimento».

Criar uma relação emocional com a comida funciona como uma compressa para o stress, em vez de potenciar uma cura. A resposta saudável, segundo a psicologa, é «reconhecer que o stress e as emoções negativas acontecem e que fazem parte da aprendizagem». E continua. «Crescemos numa cultura que não nos permite ter pensamentos negativos, nunca podemos demonstrar que estamos tristes ou zangados.»

Normalmente, a fome vem acompanhada de fraqueza ou sensação de estômago vazio. Se não sentir nada disso, é provável que esteja à procura de alívio e conforto em relação à ansiedade, através da comida.

É importante perceber a diferença entre ter fome e um distúrbio alimentar. É normal, depois de um dia de trabalho, querer ir comer um gelado para desanuviar. Mas as pessoas que desenvolvem este tipo de distúrbio podem nem se aperceber. Quando temos muita vontade de atacar um prato de massa, temos de analisar o que o nosso corpo nos diz.

Normalmente, a fome vem acompanhada de alguma fraqueza, cansaço ou sensação de estômago vazio. Se não sentir nada disso, é provável que esteja à procura de alívio e conforto em relação ao stress, através da comida. E é aconselhável procurar um caminho diferente.

Se sente que está numa situação stressante e pode estar prestes a cair em tentação e atacar o frigorífico, veja a fotogaleria acima e siga um dos mecanismos alternativos que sugerimos. E, muito importante, se identifica um distúrbio alimentar, procure a ajuda de um profissional.