Como podemos melhorar a escola que temos?

A lista de problemas é conhecida de quase todos. O modelo ideal está na cabeça de muitos. Olhando para a escola portuguesa tal como ela existe hoje, que soluções concretas podem ser aplicadas, antes de se pensar numa grande reestruturação do sistema, seguindo o modelo nórdico? Na semana em que arrancou um novo ano letivo, alunos, professores, pais, psicólogos e pediatras dão conta daquilo que na prática não funciona e deixam sugestões. O Ministério da Educação concorda com o diagnóstico, mas devolve a palavra às escolas.

Texto de Catarina Fernandes Martins | Fotografia de Fernando Marques

Os gabinetes da psicóloga Cristina Valente, do pedopsiquiatra Pedro Strecht e do neuropediatra Luís Borges são como laboratórios onde se vai tomando nota de tudo aquilo que não corre bem nas escolas portuguesas e dos desejos mais profundos de pais, professores e alunos que ali vão confessando as dificuldades e as frustrações que experimentam no dia a dia.

As propostas feitas por todos eles baseiam-se menos nas soluções desenvolvidas lá fora – nos países com os melhores resultados em termos de performance educativa – e mais no cruzamento entre os estudos mais recentes de neurociência e inteligência emocional com anos de observação, de troca de impressões, de desabafos, de frustrações, daquele desespero que leva uma mãe a intuir que «está tudo errado» se a escola «rouba aos filhos tempo de qualidade com a família».

E o que está errado ou corre menos bem?

Turmas excessivamente grandes, o que dificulta o trabalho dos professores e a concentração dos alunos, receita ideal para o tão apontado aumento da indisciplina.

Aulas demasiado longas, desajustadas do ritmo acelerado que as crianças encontram no seu dia a dia, fora da escola.

O predomínio do método expositivo e da avaliação tradicional, que não valorizam a criatividade ou o desenvolvimento da autonomia e do pensamento crítico.

Trabalhos para casa diários que não deixam tempo às crianças e aos jovens para brincar ou estar com a família de forma plena.

Professores cansados, emocionalmente esgotados, sem consciência de que a inteligência emocional é a melhor ferramenta para deixar fluir o processo de ensinar e de aprender.

O secretário de Estado da Educação, João Costa, diz que as preocupações sublinhadas «vão ao encontro de muitas das preocupações do Ministério da Educação», garantindo que já se iniciou um «caminho que permite dar resposta a alguns dos problemas identificados». Mas, diz, a responsabilidade da concretização de algumas dessas respostas cabe às escolas.

Na semana em que arrancou o ano letivo 2018/2019, apresentamos alternativas específicas para os problemas específicos que não começam nem terminam na sala de aula, mas que podem ajudar a melhorá-la.

Leia amanhã a reportagem completa, na edição em papel da DN LIFE, com o Diário de Notícias.