Confirma-se: mulheres têm o cérebro mais ativo do que os homens, diz a ciência

E não só pensam mais do que eles como são mais empáticas, intuitivas e… ansiosas. Cientistas esperam que conhecer bem o cérebro de homens e mulheres abra caminho à cura de doenças irreversíveis como a de Alzheimer.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Diz-se que as mulheres amam demasiado, choram demasiado e pensam demasiado, encorajadas por uma cultura autoanalítica que as faz passar horas a matutarem na vida. As mulheres respondem que não, que basta desses lugares-comuns. Esta mania de insistir que somos emotivas e ruminadoras já enjoa.

E enjoa, mesmo sendo a ciência a vir garantir agora que é tudo verdade, sustentada pela maior pesquisa de imagem cerebral alguma vez realizada e divulgada pelo jornal britânico The Sun. Afinal, as mulheres pensam realmente mais do que os homens, nada a fazer.

O que os cientistas descobriram foi que os cérebros das mulheres são significativamente mais ativos do que os dos homens.

«Este estudo é muito importante para perceber melhor as diferenças do cérebro baseadas no género, quantificáveis, que por sua vez nos ajudam a compreender o risco associado a doenças neurodegenerativas como o Alzheimer, diferente em homens e mulheres», adianta o psiquiatra Daniel Amen, principal autor da investigação levada a cabo na Amen Clinics, na Califórnia, EUA.

Na prática, o que os cientistas descobriram foi que os cérebros das mulheres são significativamente mais ativos do que os dos homens, após analisarem a fundo milhares de scans de 119 voluntários saudáveis e de mais de 26 mil pacientes afetados por uma série de transtornos, entre os quais traumas diversos, doença bipolar, esquizofrenia e perturbação de hiperatividade com défice de atenção.

Longe de contrariar os estereótipos, o afluxo de sangue superior nas mulheres mostrou ainda ser particularmente intenso na região do córtex cerebral – ligado ao controlo dos impulsos, atenção, consciência e áreas emocionais envolvendo a ansiedade e o ânimo –, ao passo que os homens têm mais ativas as partes visuais e de coordenação.

Isso explica que sejam também as mulheres a revelar maior empatia, intuição, colaboração e autocontrolo.

Algo que explica, segundo os especialistas em comportamento e distúrbios de humor, que sejam também elas a revelar maiores capacidades de empatia, intuição, colaboração e autocontrolo do que eles (outro lugar-comum que se provou verdadeiro).

Ao mesmo tempo, a irrigação das zonas límbicas deixa-as mais vulneráveis a depressões, ansiedade, insónias, distúrbios alimentares e demência. Quanto aos homens, parecem mais propensos a sofrer de transtorno de défice de atenção e hiperatividade, além de problemas de conduta.

E porque saber como o cérebro funciona pode evitar muita infelicidade entre géneros, descubra na nossa fotogaleria 8 mitos e verdades sobre este assunto.

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