Demência: teste de 5 minutos prediz quem irá tê-la com 10 anos de avanço

Cientistas afirmam que um ultrassom rápido aos vasos sanguíneos do pescoço, em pessoas de meia-idade, é capaz de prever os riscos de declínio cognitivo até uma década antes de os sintomas surgirem.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

É um mal silencioso, insidioso, incurável. Um palavrão pesado para descrever os sintomas de um grupo de doenças que causam o declínio progressivo (e irreversível) no funcionamento do doente. A ciência ainda não sabe por que motivo algumas pessoas desenvolvem demência e outras não, mas à falta de melhor avisam que este teste inovador vai ajudar.

Ultrassom aos vasos sanguíneos do pescoço permite medir a pressão do sangue que parte dali para o cérebro.

A conclusão é de um grupo de investigadores da University College London, Inglaterra, ao descobrirem que um exame por ultrassom aos vasos sanguíneos do pescoço, que não demora mais de cinco minutos a fazer, permite medir a pressão do fluxo sanguíneo que parte dali para o cérebro.

Na prática, cada batimento cardíaco gera um pulsar de sangue que circula pelo corpo, amortecido por artérias elásticas e saudáveis que impedem os vasos mais frágeis do cérebro de saírem danificados deste impacto continuado.

Aqueles que tinham um fluxo sanguíneo mais forte revelavam um risco 50 por cento maior de virem a perder faculdades mentais na década seguinte.

Após analisarem 3191 voluntários dos 40 aos 50 anos, ao longo de 15 anos, para melhor entenderem as implicações na saúde a longo prazo, os cientistas concluíram que aqueles que tinham um fluxo sanguíneo mais forte eram também os que revelavam um risco 50 por cento maior de virem a perder faculdades mentais na década seguinte, quando comparados com os outros participantes da amostra.

Isto porque o envelhecimento faz com que as artérias endureçam, perdendo progressivamente a capacidade de resistir aos disparos constantes do sangue nas paredes.

Quanto maior a pressão sanguínea, mais difícil é proteger os delicados vasos sanguíneos do cérebro, e maiores as probabilidades de haver miniderrames.

Quanto maior a pressão sanguínea, mais difícil se torna então proteger os delicados vasos sanguíneos do cérebro e maiores as probabilidades de ocorrerem miniderrames que, a seu tempo, aumentam exponencialmente o risco de demência.

«Demonstrámos a primeira relação direta entre a intensidade dos impulsos transmitidos em direção ao cérebro e cada batimento do coração com o futuro enfraquecimento da função cognitiva», explicou à BBC Scott Chiesa, investigador de pós-doutoramento na University College London e um dos autores da pesquisa.

Prevenir ainda é a melhor forma de se reduzir a incidência de doenças neurodegenerativas comuns.

«Afinal, trata-se de uma causa facilmente mensurável e potencialmente tratável do declínio cognitivo em adultos de meia-idade que pode ser facilmente detetada com antecedência», acrescenta ainda o especialista.

O facto de as pessoas mais propensas a este quadro de saúde terem sempre o colesterol elevado, hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e/ou arritmias cardíacas só vem acentuar a ideia de que prevenir ainda é a melhor forma de se reduzir a incidência de doenças neurodegenerativas comuns. Sobretudo quando se fala tanto dos males que causam, sem se saber nada do que os cura.

E porque os cientistas garantem que a dieta MIND reduz até 53 por cento o risco de Alzheimer em quem a segue escrupulosamente, dizemos-lhe na fotogaleria o que deve comer para cuidar ao máximo do seu cérebro.