Desejos de açúcar estão à beira do fim

Cientistas estão cada vez mais perto de perceber que regiões do cérebro tornam o açúcar irresistível – e como – para podermos controlar o vício.

Texto de Ana Pago | Fotografia iStock

Abusamos dele em dias de festa. Recorremos a ele se a tristeza aperta. O açúcar vicia-nos, intoxica-nos, dá-nos prazer, e isto quando a Organização Mundial da Saúde garante ser o veneno do século XXI, causador de problemas metabólicos graves como obesidade, hipertensão, diabetes e processos inflamatórios associados a cancros, esclerose múltipla ou doença de Alzheimer.

Diante de um cenário que tem tudo para correr mal, a boa notícia chega-nos de uma equipa de investigadores da Universidade Columbia, EUA, que diz ser possível alterar o cérebro de modo a cortar a habitual resposta emocional ao açúcar.

«Seria como dar uma dentada no nosso bolo de chocolate favorito e não sentir deleite», explica o neurocientista Li Wang, primeiro autor do estudo agora publicado na revista Nature.

Ao contrário do que se pensa, não saboreamos um alimento na boca e sim no cérebro – células na língua enviam-lhe sinais que permitem contextualizar cada sabor. No caso do açúcar, a resposta vem da amígdala, que processa as reações emocionais.

«A nossa meta é juntar todas as peças sobre como as regiões do cérebro acrescentam significado e contexto ao sabor», diz Li Wang. E aí desligar o que nos faz mal.


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