Diabetes: relatório alerta para a falhas no acompanhamento dos doentes

«Cerca de 6 em cada 10 pessoas com diabetes referem estar preocupadas com o seu futuro e com a possibilidade de ocorrerem complicações sérias». A conclusão é de um estudo realizado a nível nacional, que mostra que médicos, familiares e doentes apontam falhas no acompanhamento das pessoas com diabetes.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

O último Relatório do Observatório Nacional da Diabetes (2015) indicava que mais de um milhão de portugueses, entre os 20 e os 79 anos, vivia com diabetes. Nesse ano, a doença matou 12 pessoas diariamente e surgiram 168 casos todos os dias.

Um novo estudo (DAWN2 – A Diabetes Para além dos Números) indica agora que 9 em cada 10 profissionais de saúde consideram que os cuidados de saúde em Portugal não estão devidamente organizados para o acompanhamento das pessoas com doenças crónicas como a diabetes.

A investigação, que envolveu 227 profissionais de saúde – entre eles médicos de medicina geral e familiar (68), endocrinologistas (40), nutricionistas e enfermeiros (119) -, revela que também os próprios profissionais de saúde gostariam de ver mais dinamismo das pessoas que lidam com a doença.

«Sete em cada 10 profissionais de saúde apreciam que as pessoas com diabetes lhes digam qual a melhor forma de os ajudarem a gerir a doença e 6 em cada 10 profissionais considera necessário haver formação em comunicação e suporte para a mudança de comportamentos», pode ler-se no relatório, divulgado pela Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP).

«A diabetes é uma doença crónica com complicações gravíssimas e que representa um enorme fardo para o SNS», diz o presidente da APDP.

Os doentes com diabetes consideram que existe um impacto negativo relativamente à saúde física, tanto em diabetes tipo 1 como com pessoas com diabetes tipo 2, bem como, no bem-estar emocional (56 por cento no tipo 1 e 42 por cento nos casos de diabetes tipo 2).

«Cerca de 6 em cada 10 pessoas com diabetes referem estar preocupadas com o seu futuro e com a possibilidade de ocorrerem complicações sérias», pode ler-se nas conclusões do estudo.

No que diz respeito ao tratamento, mais de 70 por cento dos especialistas considera que é necessário reduzir o risco de hipoglicemia. Esta é simultaneamente uma das maiores preocupações dos familiares. «64 por cento dos familiares estão preocupados com o risco de ocorrência de hipoglicémias (descidas de açúcar no sangue) durante a noite», lê-se no relatório.

Em comunicado, o presidente da APDP, José Manuel Boavida, reforça as preocupações dos profissionais de saúde envolvidos no relatório e diz que são necessárias «equipas multidisciplinares organizadas para trabalharem no acompanhamento das pessoas com diabetes e famílias, cuidados personalizados e adequados às reais necessidades das pessoas e uma real intervenção comunitária com redes de apoio social».

Uma em cada cinco pessoas com diabetes tipo 1 sente-se discriminada por causa da sua doença

«A diabetes é uma doença crónica com complicações gravíssimas e que representa um enorme fardo para o SNS. Deve ser uma prioridade absoluta para o Ministério da Saúde e para o Governo», acrescentou o responsável.

Esta doença – cujos números de novos casos têm vindo a aumentar – não tem cura mas, muitas vezes, pode ser muito bem controlada através de uma alimentação equilibrada e da prática regular de exercício físico.

Existem alguns fatores de risco que podem influenciar o aparecimento de diabetes. Alguns modificáveis, isto é, que as pessoas podem controlar, outros não.

As doenças do pâncreas ou doenças endócrinas, o histórico familiar, o recém-nascido com peso superior a quatro quilogramas, bem como o sexo e a idade (tendo em conta que as mulheres acima dos 45 anos são mais afetadas por esta doença) são alguns dos fatores não modificáveis.

Na fotogaleria em cima pode ver alguns dos fatores de risco modificáveis enumerados pelo Hospital CUF.


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