Jejum intermitente: a dieta da moda funciona ou é um risco para a saúde?

Façamos um exercício. Imagina passar a maior parte do seu dia sem ingerir qualquer alimento? Consegue visualizar a cena? Para quem gosta de comer, é particularmente difícil esta ideia. No entanto, a dieta do jejum intermitente tem ganho adeptos e há quem jure que vale a pena. Mas afinal, em que consiste e é, ou não, aconselhável?

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de Shutterstock

Primeiro, o que é o jejum intermitente? Esta dieta consiste em intercalar períodos de consumo alimentar com períodos de jejum absoluto. As horas podem divergir. Pode concentrar-se o consumo de alimentos em oito horas, mantendo o jejum durante o tempo restante. Ou, se se sentir confortável com a prática, jejuar por 20 horas e comer apenas em quatro horas do dia.

A verdade é que ainda não existe consenso sobre este regime alimentar. Alguns estudos apontam para os benefícios não só para o corpo, com a perda de peso, como para a saúde. Um estudo da Universidade de Newcastle sugere que permite mesmo reverter a diabetes tipo 2. Um resultado que não surpreende, tendo em conta que a doença é muitas vezes causada pelo excesso de comida.

Pediram a 11 pessoas diagnosticadas com diabetes tipo 2 que consumissem apenas 600 calorias por dia, durante oito semanas. No final desse tempo, todas estavam livres da doença. Sete continuavam assim três meses depois.

Roy Taylor, professor de medicina e metabolismo e responsável pelo estudo, defende o jejum porque «liberta o corpo da gordura perigosa em torno dos órgãos, sobretudo o pâncreas e fígado». De momento, o professor conduz um estudo similar com cerca de 300 pessoas com diabetes tipo 2.


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No entanto, existe quem peça cautela na altura de defender com unhas e dentes o jejum. Susan Jebb, especialista em nutrição na Universidade de Oxford, disse ao The Guardian que «não existem estudos suficientes com resultados a longo prazo para as pessoas. Há benefícios em não pôr tanta comida no organismo mas até que ponto temos de jejuar? Só podemos mesmo comer 600 calorias ou as 1200 aconselhadas não são assim tão prejudiciais? Ainda não é claro».

Para uma pessoa normal, o indicado é consumir no mínimo de 1200 calorias, se for mulher, e 1500 calorias se for homem.

Para a nutricionista Patrícia Almeida Nunes, este não é o caminho a seguir quando se pensa em fazer uma dieta. «Não concordo com o jejum. Os planos alimentares devem ir de encontro às necessidades individuais e como é obvio ao fim a que se destinam. Se o objetivo é a perda de peso, devem ser tidos em conta em primeiro lugar vários fatores como a idade, o peso a atingir, os hábitos alimentares, as doenças associadas, etc…».

Mesmo que o se consiga perder peso de forma rápido com este método, o problema é que acontece também «seguramente à custa da massa muscular. Por isso, a fama nem sempre é um sinónimo de êxito, e muito menos duradouro…», afirma a nutricionista.

Não deve começar este tipo de dieta sem consultar primeiro um especialista. Por ser uma experiência muito exigente para o seu corpo, que pode causar fraqueza muscular, desidratação ou alterações de humor, é importante ser acompanhado ao longo do caminho.