Alimentação saudável e exercício: a combinação ideal para o cérebro

Segundo um novo estudo, caminhar ou andar de bicicleta três vezes por semana pode aumentar as suas capacidades de raciocínio. Mas há mais. Se adicionar ao exercício físico uma dieta saudável pode mesmo ganhar anos de vida ao nível cognitivo.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografias ShutterStock

A conclusão é de um novo estudo publicado na revista Neurology: «ao melhorar o risco cardiovascular também melhora o funcionamento cognitivo». Como? Uma caminhada ou andar de bicicleta três vezes por semana e ter uma dieta saudável.

As 160 pessoas envolvidas no estudo tinham em média 65 anos, com pressão alta e risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Além disso, os inquiridos tinham também problemas cognitivos, tais como dificuldade em tomar decisões, de memória ou de concentração.

As 160 pessoas envolvidas neste estudo foram divididas em quatro grupos. Os resultados surgiram apenas ao fim de seis meses

Aleatoriamente, as 160 pessoas foram divididas em quatro grupos. No primeiro, iniciaram uma dieta saudável, sem sal, alimentos gordurosos ou doces. No segundo, incentivou-se à prática de exercício físico. Durante três meses este segundo grupo foi supervisionado numa clínica de reabilitação cardíaca e fizeram esforços físicos pelo menos três vezes por semana.

O terceiro grupo fez os dois: exercitou-se três vezes por semana e seguiu a rigorosa dieta do primeiro grupo. Por fim, o quarto conjunto, recebeu apenas conselhos de profissionais de saúde sobre os riscos cardiovasculares, mas não alteraram os seus hábitos alimentares nem as suas rotinas físicas.

De acordo com o principal autor do estudo, James Blumenthal, este é o único estudo realizado até então que conseguiu perceber os «efeitos separados e combinados de exercício e dieta em pessoas mais vulneráveis a desenvolver algum tipo de demência mais tarde nas suas vidas».

Blumenthal salienta ainda que estes são adultos com alguma idade, que estavam «completamente sedentários e com deficiências cognitivas», mas que «não houve desistências e que todos conseguiram manter o programa de exercícios em casa, autonomamente».

Depois de fazerem alguns testes de «capacidade cognitiva», verificou-se que o grupo com melhor pontuação e, por isso, mais melhorias, foi o que aplicou uma nova dieta e programas de exercícios

Richard Isaacson, diretor da Clínica de Prevenção do Alzheimer, lembra que já existem vários estudos que apontam para uma relação direta entre o aparecimento de Alzheimer e o estilo de vida. No entanto, lembra o especialista, este estudo «ilustra bem os benefícios» que podem surgir através da alimentação e da atividade física.

Depois de fazerem alguns testes de «capacidade cognitiva», verificou-se que o grupo com melhor pontuação e, por isso, mais melhorias, foi o que aplicou uma nova dieta e programas de exercícios: regrediu a «idade cerebral» em cerca de nove anos.

Segundo Blumenthal, no inicio do estudo a capacidade funcional deste grupo era de 93 (cerca de mais 28 anos que a média de idades), sendo que, em apenas seis meses, conseguiram reduzir a sua idade mental para os 84 anos.

Em relação à memória não houve melhorias em nenhum dos grupos. Segundo Isaacson, a falta de resultados está relacionada com o facto de esta parte do cérebro «demorar mais tempo a responder».


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