Dietas para emagrecer falham porque as pessoas se esquecem deste «pormenor»

Parece um fator de somenos importância, irrelevante no meio de tanto ginásio e contagem de calorias. Mas quando são os cientistas a considerá-lo o maior sabotador de dietas, convém encarar o aspeto mental com outros olhos.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Se o assunto é abater alguns quilos ao corpo, toda a gente sabe o que fazer. Exercício físico com fartura, aumentar o tempo de cardio, refeições de grelhados e saladas: certo. Muita água o dia inteiro, lanchinhos saudáveis na mala, porções controladas no prato: certo. O que pouca gente sabe, porém, é que um único fator impede-nos frequentemente de emagrecer, segundo uma pesquisa norte-americana empenhada em saber porque falham as dietas. A grande culpada é a nossa saúde mental.

No estudo realizado junto de mais de mil norte-americanos, encomendado pela empresa de assistência médica Orlando Health, 31 por cento dos entrevistados disseram acreditar que o exercício é o maior obstáculo a conseguirem perder peso, seguidos de 26 por cento que apontam a má alimentação como a principal responsável.

Só uma em cada dez pessoas reconhece o bem-estar psicológico como um entrave à eficácia das dietas.

Uma fatia mais pequena, representando 17 por cento dos inquiridos, indicou ainda as dificuldades financeiras de se manter um estilo de vida saudável, com mais despesas associadas. Contudo, apenas um em cada dez reconheceu o bem-estar psicológico como um entrave à eficácia das dietas.

«Ao falarmos com qualquer pessoa sobre perda de peso ela dirá que não se exercita o suficiente e come mal. Isto quando para muitas, na verdade, comer é sobretudo uma experiência emocional», adianta a neuropsicóloga Diane Robinson, diretora do programa de Medicina Integrativa da Orlando Health.

As emoções chegam a ser mais poderosas do que a própria biologia no momento de determinar o que comemos.

Outras investigações, incluindo uma publicada na revista especializada Frontiers in Psychology, já haviam sublinhado esta relação complexa entre estados de espírito, alimentação e excessos. Tudo para concluir que as emoções chegam a ser mais poderosas do que a própria biologia no momento de determinar o que comemos – e quanto.

«Lidar com um problema que nos deixa inseguros pode fazer-nos procurar na comida algo para lá do seu valor funcional e nutricional», confirma a coacher em Psicologia Alimentar Magda Gonçalves, formada em 2014 no Institute for the Psychology of Eating, no Colorado, e na Hawthorne University, Califórnia, EUA. «Quanto mais a pessoa se foca no alívio imediato que a comida lhe traz, menos repara no que a magoa. E então come de novo, incapaz de quebrar o círculo vicioso.»

Comer é um espelho de como agimos noutras áreas da nossa vida.

Depois de ela própria ter pesado 115 quilos e pensado em suicidar-se, a achar-se indigna de amor, escreveu o livro Vencer a Batalha com a Comida (ed. Matéria-Prima) para contar como conseguiu fixar-se nos 60 quilos comendo tudo o que lhe dá prazer sem engordar. E sim, reitera: comer é um espelho de como agimos noutras áreas da nossa vida, mais do que uma questão de força de vontade ou boa alimentação.

«Resistimos a aprofundar os nossos medos porque nos incomodam, mas é sempre por aí que temos de começar para não acabarmos a digerir comida extra», sustenta Magda Gonçalves, que lhe deixa estes conselhos fundamentais na nossa fotogaleria.