Do pequeno-almoço ao jantar: os mitos sobre o que comemos

As preocupações alimentares têm-se revelado cada vez mais uma tendência. Seja pelas convicções pessoais ou por crenças da tradição popular, há uma série de mitos relacionados com a alimentação que teimam. Agora, há um livro que veio desfazer algumas dessas ideias

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia iStock

«Deparamo-nos com estes mitos alimentares a todo o momento, nas conversas entre amigos, nas consultas com os pacientes, nas páginas de jornais e, infelizmente, em algumas declarações de individualidades da área da saúde». A frase é de Marcello Ticca, especialista em Ciências da Alimentação, que lançou recentemente um livro para desmistificar algumas ideias erradas.

Mitos Alimentares – 99 ideias erradas sobre o que comemos [ed. Vogais] é o nome da obra que percorre preconceitos relacionados com a alimentação desde o pequeno-almoço até ao jantar e, ainda, sobre dietas, comida crua e a alimentação no desporto.

«Conheça alguns dos mitos mais comuns relacionados com as refeições principais»

«Os preconceitos alimentares que minam os conhecimentos populares podem ter diferentes origens. Terão sido teorias outrora válidas mas que depois acabaram por ser contestadas pelos progressos da investigação científica, sem que o grande público possa (ou queira) reconhecê-lo. Ou, então, convicções e experiências pessoais transformadas em regra (a atitude mais anticientífica que se possa conceber) e muito difundidas, por serem fascinantes ou apresentadas habilmente», pode ler-se no livro do médico e vice-presidente da Sociedade Italiana de Nutrição Humana.

Acrescentando: «Ou, ainda, teses e fórmulas ‘modernas’ colocadas em prática para promover um produto, um fármaco ou uma atividade profissional. Ou, por fim, crenças enraizadas na tradição popular e, por isso, erroneamente consideradas vox populi, vox dei».

Para desmistificar essas ideias erradas, Marcello Ticca explorou as três refeições principais (pequeno-almoço, almoço e jantar) e ainda outra ideias preconcebidas que temos, nomeadamente sobre dietas e alimentação no desporto.

Em relação ao pequeno-almoço, o especialista aponta alguns mitos relacionados com o leite, tais como: «o leite pasteurizado não é tão nutritivo como o leite fresco», «o leite magro contém menos cálcio» ou «o leite cura a úlcera».

«É um dado adquirido que os mitos alimentares surgem, ganham forma e se difundem com extrema facilidade, ainda nos dias de hoje»

Além do leite, é também no capítulo do pequeno-almoço que Marcello Ticca explica que os sumos e os batidos não são substitutos da fruta. «Não existe nada de mal em beber, em casa ou num café, um sumo à base de fruta ou legumes, feito em máquina de sumos ou com a mais banal varinha mágica. Aliás, se este consumo substituir o enésimo café ou um aperitivo alcoólico, a escolha é aprovada sem reservas. Contudo, que fique bem claro que esta escolha deve ser uma adição ao consumo da fruta propriamente dita e nunca uma desculpa para a abolir completamente», pode ler-se no livro

Sobre o almoço e jantar, são vários os mitos alimentares considerados pelo especialista. Nomeadamente, sobre o consumo de hidratos de carbono ou relacionados com o peixe. Na fotogaleria em cima explicamos algumas destas ideias.


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