É por isto que nunca (mesmo nunca) deve guardar as batatas no frigorífico

Há alimentos que sabem melhor se forem conservados no frio. E depois existem outros, como as batatas, que podem tornar-se uma séria ameaça à saúde se o fizermos.

Texto de Ana Pago | Fotografia da Shutterstock

As batatas estavam em promoção no supermercado, comprámos dois quilos de uma assentada, não usámos nem metade. E, claro, a melhor maneira de manter as que restam no saco até à próxima utilização é guardando-as no frigorífico, correto? Só pode. Afinal de contas, o frio é a solução para tudo o que é preciso preservar…

Exceto as batatas, a avaliar por um alerta da Agência de Normas Alimentares do Reino Unido ao jornal britânico The Mirror. Ao que parece, segundo os especialistas, a química resultante deste processo de conservação é tão adversa que chega mesmo a aumentar o risco de cancros, degeneração cognitiva, problemas de infertilidade e outras doenças.

Ao serem assadas ou fritas, os açúcares das batatas produzem acrilamida, um químico que aumenta o risco de cancros.

«Quando as batatas são guardadas no frigorífico, o amido é convertido em açúcar. Ao serem assadas ou fritas, estes açúcares reagem com o aminoácido asparagina e produzem um químico chamado acrilamida, que se pensa ser nocivo», explica a Agência.

A Ordem dos Nutricionistas acrescenta ainda que a acrilamida «é formada durante o aquecimento de certos alimentos [ricos em hidratos de carbono e pobres em proteínas] a temperaturas elevadas, podendo originar no organismo a glicidamida, um composto genotóxico que altera o ADN».

E quanto maior o tempo de confeção dos alimentos e mais escuros eles ficarem, mais prejudiciais se tornam.

Daí resulta que possam aparecer células neoplásicas (que se multiplicam de maneira desordenada e descontrolada no organismo) e, por último, os tumores propriamente ditos – ainda não comprovados em humanos, embora haja estudos conclusivos relativamente a mutações degenerativas em animais, sobretudo ao nível dos sistemas nervoso e reprodutor.

À partida, o facto de ser o tabaco a principal via de exposição das pessoas à acrilamida não augura nada de bom. Esta encontra-se ainda em alguns alimentos confecionados acima dos 120 graus centígrados como bolachas, batatas fritas e assadas, biscoitos, bolos, cereais de pequeno-almoço, pão, café. E atenção, que quanto mais escura ficar a sua tosta maior é a concentração de acrilamida que contém.

Não refrigerar as batatas é o suficiente para se evitar o pior, para começar.

A boa notícia, sublinha a Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, é que «não se trata de uma situação alarmante nem é necessário cortar nesses alimentos». Pesquisas indicam que não refrigerar as batatas é o suficiente para se evitar o pior sem amargos de boca, para começar.

Outra recomendação – válida para todos os alimentos que mencionámos anteriormente – vai no sentido de se reduzir o tempo de confeção para quem fiquem apenas dourados, sem nunca chegarem a esturricar. Vai uma torradinha para aconchegar o estômago?