E quando é o próprio local de trabalho que mais afeta a nossa produtividade?

produtividade no trabalho

Não se trata de achar que o escritório podia ter paredes azuis em vez de beges – a questão é bem mais grave do que isso. Certos fatores no local de trabalho são tão prejudiciais que comprometem a produtividade dos funcionários sem ninguém dar conta.

Texto de Ana Pago | Fotografia de Shutterstock

Não temos que gostar de todos no local de trabalho: fricções fazem parte da dinâmica laboral e haverá sempre colegas que nos deixam mais em baixo do que outros, nada com que alguém se preocupe na hora de distribuir os trabalhadores pelo espaço.

Sentar-se num raio de oito metros de um trabalhador de alto desempenho é o bastante para aumentarmos em 15% a nossa produtividade.

Mas devia, a avaliar por uma pesquisa da Harvard Business School que concluiu – após avaliar a qualidade e rapidez de dois mil funcionários de uma empresa de tecnologia em 2016 – que sentar-se num raio de oito metros de um trabalhador de alto desempenho é o bastante para aumentarmos em 15% a nossa produtividade.

Por outro lado, maus hábitos também se pegam, pelo que colegas tóxicos nos tornam a nós mais venenosos e improdutivos. Feitas as contas, alerta o estudo, por muito que a empresa ganhe a contratar uma superestrela, perderá o dobro ao manter um péssimo funcionário.

Muita luz natural leva a uma quebra significativa nas queixas de vista cansada e dores de cabeça, que se traduzem frequentemente em problemas de saúde mais graves que afetam o rendimento dos funcionários.

Ganhos (e perdas) de produtividade estão diretamente associados às condições ambientais, o que significa que empresas que concebam espaços com bastante luz natural só têm a ganhar, garante o professor Alan Hedge, do Departamento de Design e Análise Ambiental da Universidade Cornell, EUA.

Numa investigação que conduziu em 2017, o autor registou uma quebra de 84% nas queixas de vista cansada e dores de cabeça, que se traduzem frequentemente em problemas de saúde mais graves que afetam o rendimento dos funcionários.

“Atendendo a que os empregadores têm cada vez mais interesse em conseguir empregados eficazes e saudáveis, parece-me evidente que otimizar a luz natural dos locais de trabalho deverá ser uma das suas primeiras considerações”, diz Hedge na pesquisa.

Funcionários de edifícios com ar de boa qualidade e certificação verde revelaram um desempenho 26% superior ao de pessoas a trabalhar em escritórios sem essa preocupação.

O mesmo se aplica ao ar: quanto mais tempo passamos enfiados num escritório, menos ar puro respiramos grande parte do dia, semana após semana, constantemente a comprometer as funções cognitivas.

Isto porque um estudo de 2017, realizado em conjunto por investigadores das universidades de Harvard, Syracuse e SUNY Upstate Medical, EUA, demonstrou que funcionários de edifícios com ar de boa qualidade e certificação verde revelaram um desempenho 26% superior ao de pessoas a trabalhar em escritórios comuns, sem essa preocupação quanto à frescura do ar. Se a isso somarmos as horas extra que damos à casa quando já devíamos estar a passear na rua, tanto pior.

E que dizer das eternas discussões entre os encalorados que ligam o ar condicionado no frio e os friorentos que ameaçam ir trabalhar lá para fora, assim não dá, está um gelo que não se aguenta?

Quase tão mau como estar sentado junto de um colega tóxico é não ter nem uma plantinha para amostra no local onde trabalha.

Os próprios cientistas não são unânimes quanto à temperatura ideal que um escritório deve ter de forma a não comprometer a produtividade de quem lá trabalha, a não ser que não poderá estar nem demasiado frio, nem demasiado quente (o que quer que isso signifique para ambas as partes).

Segundo uma pesquisa de 2006 da Universidade de Tecnologia de Helsínquia, Finlândia, e da Divisão de Tecnologias de Energia Ambiental do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, EUA, a produtividade máxima acontece aos 22º C, ao passo que outra, realizada pela Universidade Cornell, aponta os 25º C.

Por último, mas não menos o importante, há a questão do verde – quase tão mau como estar sentado junto de um colega tóxico é não ter nem uma plantinha para amostra no local onde trabalha.

Sobretudo quando um estudo divulgado no Journal of Experimental Psychology, comparando o desempenho de funcionários em escritórios com e sem plantas, demonstrou que os primeiros referiram maiores índices de concentração.

Outras pesquisas dão ainda conta de melhor memória, bem-estar, humor e resposta ao stress de um modo geral, o que nos faz pensar que vale a pena investir neste apoio. Nem que seja um cato.