Há poucos nascimentos em Portugal. Mas ainda há quem arrisque

O filho da Vanessa (ainda na barriga, na fotografia) já nasceu. A da Tânia, o da Lígia, a da Helena e a da Aline estão a caminho. Poucos mas bons.

Texto de Catarina Pires com Alexandra Pedro e Ana Patrícia Cardoso | Fotografias de Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Nasce-se pouco em Portugal. No ano passado nasceram 88 150 crianças. Cada mulher tem em média 1,36 filhos. Os filhos, sabemos nós, não se contam em casas decimais, mas a estatística tem destas coisas e há anos que anda a alertar-nos para a falta de produtividade nacional no que a bebés diz respeito.

Lisboa, onde vive Helena Casqueiro, que vai ter a primeira filha aos 29 anos, é a região mais produtiva nesta matéria (2,2 filhos por mulher), seguida do Porto (1,86), onde vive a Lígia Almeida, que foi mãe pela primeira vez aos 33 anos e repete agora aos 42. Oeiras, concelho de Vanessa Henriques, 35 anos, que acabou de dar à luz o primeiro filho, também está acima da média nacional, com 1,56 filhos por mulher, assim como Coimbra (1,47), terra de Aline Seabra Santos, que, aos 32 anos, está grávida da primeira filha. Abaixo da média nacional está Alenquer, com 1,33 filhos por mulher.

Curiosamente, é lá que vive Tânia Vicente, que aos 39 anos já vai para o terceiro filho. Se nas primeiras décadas da democracia e do Serviço Nacional de Saúde as crianças portuguesas nasciam quase todas em maternidades públicas (já não em casa), hoje o privilégio de trazer portugueses ao mundo é dividido, ela por ela, entre setor público e privado, segundo o Colégio de Obstetrícia e Ginecologia da Ordem dos Médicos.

A diferença é que só 27,6 por cento dos que nascem nos hospitais públicos chegam por via de cesariana, enquanto nos privados este número atinge os 63,4 por cento, segundo o Observatório Português dos Sistemas de Saúde (a Organização Mundial de Saúde já ralhou). Simão, o filho de Vanessa Henriques, nasceu de parto natural. Os outros ainda estão na barriga das mães. A DN Life nasceu. Também de parto natural. Com algumas dores, claro, mas com imensa alegria. E vontade de crescer.